Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

  De volta a São Paulo, em plena quarta-feira. Gozado viajar de tarde, num dia de semana. Chegar em São Paulo, vinda do Rio, sempre me dá uma coisa esquisita. O Rio é muito lindo. São Paulo é muito feia. Gosto, sim, daqui, de morar aqui. Mas gosto cada vez mais de respirar ar puro, de ver cenas e paisagens bonitas. De tomar sorvete na rua, de ficar sentada ao ar livre em restaurantes como O Celeiro, sem pânico, só “de boa”. Aqui em São Paulo, não sei se o problema é meu, mas levo uma vida estressada. Tenho horários pra tudo, até para me cuidar bem… Ficar parada no trânsito já não me deixa tão mal porque tenho sempre meus peludos comigo. Aproveito justamente esse tempo pra brincar com eles. Chego feliz em qualquer lugar. Mas confesso que o melhor dos mundos é poder ir e vir. Fui ao cinema no Rio, domingo, e estranhei: prefiro os de São Paulo. Mas aquela nonchalance, aquele jeito meio jogado de ser, sem pressa, só na contemplação… eu gosto. Voltei sem qualquer stress. Meu pescoço, que anda meio duro, meio travado, chegou aqui soltinho. Fiquei em casa, tomei um belo banho no meu chuveiro – que funciona muito melhor em São Paulo que no Rio -, andei pela casa. Confesso que apesar de me sentir feliz, rolou uma melancolia. Talvez porque o inverno aqui não me agrada. Talvez porque o sol de inverno no Rio me agrade muito. Mas tudo bem: hoje vou num japonês – os daqui são muito melhores que os de lá. Amanhã vou ao cabeleireiro – Mauro Freire também é muito melhor que os de lá. Mas sábado de manhã estou na Ponte, pronta para desembarcar – lá.

  Viva! Vai começar o mês das férias! Iupi! Oba! Uma única reclamação: eu não estou de férias. É… Viajei uns “diazinhos” – uns 14 mais ou menos – em junho, mas não considero isso “exatamente” férias. Férias é quando todo mundo sai, viaja, se diverte. Gozado porque mesmo “gente grande”, eu ainda acho férias das coisas mais gostosas desta vida…

  O que eu queria fazer este mês de julho? Bem, tenho vontade de passar um bom tempo em Formentera, na Espanha. Ou numa praia da Toscana, dessas mais desconhecidas, sem muita gente em volta. Mas até o Rio de Janeiro me deixaria muito, mas muito feliz. Nesta época do ano, o sol é manso, as tardes são lindas. Os estrangeiros continuam jogando vôlei de praia na Garcia, a Mil Frutas está com sabores novos e eu estou com saudades de conversar com as meninas que trabalham no Celeiro. Pensando bem, acho que vou passar uns dias no Rio. Estou merecendo. Por mais que eu tenha viajado nos últimos tempos, sempre fico plugada no meu trabalho daqui – o que acho muito bom, para falar a verdade. Portanto, acho que bem que mereço uns dez dias de sol manso e vida boa. Prometo que aviso antes de ir. E mais: prometo contar tudo que estiver acontecendo por lá. Ou tudo que de alguma maneira me mobilizar. Espero que vocês também tenham um mês de julho excelente. E me contem, please, onde vocês gostariam de estar neste mês. Afinal, não fui eu quem inventei, mas concordo plenamente: a vida é sonho.

  De volta a São Paulo. Difícil, o mínimo que posso dizer… Estou com o pescoço duro e muita dor de cabeça. Será só a mudança de clima, de astral, de tudo? Do sol gritando para o cinza da metrópole? Da ausência total de agenda para um dia-a-dia corrido? Vou além: acho que fiquei muito nervosa. Desde o dia do acidente com o avião da Air France, parece que a vida da gente, que viaja muito, mudou. Voltei neste sábado da Grécia, via Paris. De Air France. Sorte que era um Boeing, coisa que eu já sabia – claro que logo perguntei para saber qual aeronave iria me trazer de volta para casa segura. Parecia até que eu estava bem, tranquila, sem medo. Mas o fato é que cheguei aqui esquisita. Com o pescoço travado e a cabeça latejando. Difícil tudo isso. Triste essa nova etapa na vida de todo mundo, essa questão de segurança – ou seria insegurança? – dos voos. É bom estar de volta. Muito bom. Mas confesso que essa viagem Paris-São Paulo custou bem mais caro do que costuma custar…

  Hoje eu estava vendo o pôr do sol que acontece aqui em Mykonos perto das oito e meia da noite. Sim, aqui a gente para tudo para ver o pôr do sol. Todos os dias. Aliás, talvez seja esse um dos motivos de eu gostar tanto daqui… Pois bem, hoje, nessa hora, encontrei um americano solitário nos almofadões onde me posiciono nesse horário aqui no hotel, ponto privilegiado para essa prática – de acompanhamento do poente. Sabe aquela conversa de hóspede de hotel, etc etc? Então… Quando ele soube que eu era brasileira, começou a falar sobre como o Brasil estava bem, sobre plataformas de petróleo, etanol. Detalhe: ele é médico. Ruivo, sardento, radiologista neurológico (ou algo do gênero…). Mora numa cidade pequena entre Detroit e Chicago e falava das riquezas do Brasil e de como ele está bem colocado no panorama cinza do mundo atual.

  Junto a isso o fato de, neste hotel supercharmoso onde estou e aonde venho sempre que posso, estão também nesta temporada muitos brasileiros. Bem mais que nos outros anos. Já aqueles americanos tipo chiques e mais sofisticados, que deixavam a gente morrendo de inveja com aquela elegância discreta… Bem, eles sumiram todos daqui. Nada de americanos. Muitos brasileiros. Nem é preciso dizer o quanto o Brasil está em alta: nos hotéis bacanas da Europa em geral. Nas lojas. Nos restaurantes. O mundo está vivendo um momento único de mudança, de novas regras, de nova ordem. Nessa bagunça toda, é hora de a gente brilhar. Ufa. Já não era sem tempo.

Aqui o sol se põe

Aqui o sol se põe