Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

  De volta a São Paulo. Difícil, o mínimo que posso dizer… Estou com o pescoço duro e muita dor de cabeça. Será só a mudança de clima, de astral, de tudo? Do sol gritando para o cinza da metrópole? Da ausência total de agenda para um dia-a-dia corrido? Vou além: acho que fiquei muito nervosa. Desde o dia do acidente com o avião da Air France, parece que a vida da gente, que viaja muito, mudou. Voltei neste sábado da Grécia, via Paris. De Air France. Sorte que era um Boeing, coisa que eu já sabia – claro que logo perguntei para saber qual aeronave iria me trazer de volta para casa segura. Parecia até que eu estava bem, tranquila, sem medo. Mas o fato é que cheguei aqui esquisita. Com o pescoço travado e a cabeça latejando. Difícil tudo isso. Triste essa nova etapa na vida de todo mundo, essa questão de segurança – ou seria insegurança? – dos voos. É bom estar de volta. Muito bom. Mas confesso que essa viagem Paris-São Paulo custou bem mais caro do que costuma custar…

  Meu quarto dia nesta ilha: domingo, segunda, terça e quarta. Parece que estou começando de verdade a “descomprimir”. Dias enormes, noites estreladas, um sol sem fim e uma gente alegre que dá valor a esta vida que leva aqui. Minha rotina? De férias mesmo: café da manhã, longo. Muita conversa. Praia tipo meio-dia. Aqui pega-se carro para chegar nas praias. Uma mais linda que a outra. Minhas preferidas? Fokos e Parnamos… Os nomes são incríveis.  A gente almoça na praia mesmo, tipo três e meia da tarde. Depois volta para a praia, para ler, dormir. Hora de ir embora? Sete da noite. Isso depois de ter nadado muito nesse mar Egeu. Claro. Lindo. Limpo. Gelado. Depois, pôr do sol às oito e meia da noite. Um descansinho básico junto do banho. E rua. Quase uma rotina, que ajuda muito  a desestressar…

  Ontem conheci uma menina que trabalha de garçonete no restaurante aqui do hotel, um dos mais bacanas da cidade. Ela era uma mistura de mãe havaiana com pai grego. Linda. E surfista, claro. Conheci também um sushiman brasileiro que trabalha na filial do Nobu aqui no hotel.  Quando comecei a conversar com ele descobri que era filho de Shimizu San, do tradicional restaurante Sushiguen, de São Paulo. Foi lá que eu me iniciei na prática incontrolável de adoração ao sushi e sashimi. O rapaz? Pura simpatia. Feliz da vida de morar aqui em Mykonos, trabalhar no que ele gosta. O patrão, Nicholas, dono do hotel? Só elogios para ele – pelo talento e pelo jeito todo especial e alegre de ser. Gente jovem, gente bonita. Gente alegre por viver vários meses do ano banhada por essa luz toda que paira sobre esta ilha. A vida às vezes pode, sim, nos surpreender.

  Hoje eu estava vendo o pôr do sol que acontece aqui em Mykonos perto das oito e meia da noite. Sim, aqui a gente para tudo para ver o pôr do sol. Todos os dias. Aliás, talvez seja esse um dos motivos de eu gostar tanto daqui… Pois bem, hoje, nessa hora, encontrei um americano solitário nos almofadões onde me posiciono nesse horário aqui no hotel, ponto privilegiado para essa prática – de acompanhamento do poente. Sabe aquela conversa de hóspede de hotel, etc etc? Então… Quando ele soube que eu era brasileira, começou a falar sobre como o Brasil estava bem, sobre plataformas de petróleo, etanol. Detalhe: ele é médico. Ruivo, sardento, radiologista neurológico (ou algo do gênero…). Mora numa cidade pequena entre Detroit e Chicago e falava das riquezas do Brasil e de como ele está bem colocado no panorama cinza do mundo atual.

  Junto a isso o fato de, neste hotel supercharmoso onde estou e aonde venho sempre que posso, estão também nesta temporada muitos brasileiros. Bem mais que nos outros anos. Já aqueles americanos tipo chiques e mais sofisticados, que deixavam a gente morrendo de inveja com aquela elegância discreta… Bem, eles sumiram todos daqui. Nada de americanos. Muitos brasileiros. Nem é preciso dizer o quanto o Brasil está em alta: nos hotéis bacanas da Europa em geral. Nas lojas. Nos restaurantes. O mundo está vivendo um momento único de mudança, de novas regras, de nova ordem. Nessa bagunça toda, é hora de a gente brilhar. Ufa. Já não era sem tempo.

Aqui o sol se põe

Aqui o sol se põe

  Tenho acompanhado o Fashion Rio pela internet.  Na verdade, pelo Glamurama. Estou aqui na Grécia e fico feliz com as notícias contando que o evento está crescendo, bem dirigido… Enfim fico mesmo contente. Nova fase. E cada vez melhor.  Confesso que errei ao marcar essa minha viagem bem nesse período, já que gostaria de estar no Rio para acompanhar de perto tudo isso, os novos tempos do Fashion Rio, mas me atrapalhei. Acompanho, portanto, à distância e partilho da alegria de ver o evento crescer, firme e cada vez mais forte.

  Por outro lado, tenho acompanhado as buscas ao avião da Air France. Que coisa mais triste tudo isso que aconteceu… Até aqui em Mykonos, esta ilha grega incrível onde me encontro agora, comenta-se sobre isso. Mykonos é uma ilha mágica. Assim como toda a Grécia, é um lugar muito forte, que mexe comigo. Pela filosofia – sempre digo que os deuses aqui pairam no ar -, pela beleza e pelo descompromisso total com o luxo carregado de outros paraísos do verão europeu. Gosto muito de estar aqui. Gosto das pessoas, do mar, do sol, do céu, das comidinhas, do vinho. Este lugar tem personalidade. Tem força.

  Hoje fui numa praia meio que retirada, sem qualquer produção e pouco frequentada. Mando junto uma foto do mar… Como sempre, o almoço aqui se faz nas tavernas que ficam à beira das praias. A de hoje era de um casal muito interessante: ele, grego, seus 60 e tantos anos, ela, Kate, uma canadense, na cozinha. As filhas ajudando a servir, lindas. Tirei até uma foto de uns vasos que estavam lá, só para sentir o ar, a graça… Foi um dia muito especial, uma tarde única. Uma comida incrível, com gosto de casa, com jeito de família. Conversei bastante com o pai e também com a filha. Fiquei feliz, muito feliz.

  Agora há pouco, soube que o pai da Meire, minha companheira de trabalho, fundamental na minha vida desde o início dos tempos na Folha de S.Paulo, que, ainda bem, está comigo, bem pertinho, até hoje… Bem, o pai dela se foi. De idade, 88 anos, o coração já fraco. O que posso dizer? Que não foi à toa que hoje, aqui de tão longe, da Grécia, fiquei ligada nesse tema pai e filha.

Segunda na praia

Segunda na praia

Vida simples

Vida simples