Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

  Acordo: tempo feio. Saio para análise, reiki etc etc: tempo feio. Venho trabalhar: tempo feio. Que mico. E depois, a gente ainda tem de ter bom humor, ficar bem disposta, não ficar angustiada, deprimida. Como, com esse cinza entrando na alma da gente? Estou vendo as ameixinhas da árvore do jardim daqui da Casa Glamurama tentando vir para fora. Não deve estar fácil para elas… As pitangas, minhas preferidas, nem tchuns. Devem ter visto que, por enquanto, a coisa não está rolando… Sei que a gente não pode ficar desanimada só porque o sol não deu as caras. Mas o fato é que eu fico. Luz é tudo, já diziam os fotógrafos e gente de TV. Eu também acho. Fica difícil ser criativo com um dia desses. Fazer planos, então, mais ainda. Como pensar em futuro num cenário escuro? Curtir o presente? Buda que me perdoe, mas dessa maneira, é fogo. Nunca me dei bem com o inverno em São Paulo. Meu pai também não gostava. Deve ser genético. Com certeza herdei isso dele e tenho o maior orgulho. Cinza, só na hora de se vestir. E mesmo assim, com uma etiqueta que segure o lance…

  Tenho acompanhado o Fashion Rio pela internet.  Na verdade, pelo Glamurama. Estou aqui na Grécia e fico feliz com as notícias contando que o evento está crescendo, bem dirigido… Enfim fico mesmo contente. Nova fase. E cada vez melhor.  Confesso que errei ao marcar essa minha viagem bem nesse período, já que gostaria de estar no Rio para acompanhar de perto tudo isso, os novos tempos do Fashion Rio, mas me atrapalhei. Acompanho, portanto, à distância e partilho da alegria de ver o evento crescer, firme e cada vez mais forte.

  Por outro lado, tenho acompanhado as buscas ao avião da Air France. Que coisa mais triste tudo isso que aconteceu… Até aqui em Mykonos, esta ilha grega incrível onde me encontro agora, comenta-se sobre isso. Mykonos é uma ilha mágica. Assim como toda a Grécia, é um lugar muito forte, que mexe comigo. Pela filosofia – sempre digo que os deuses aqui pairam no ar -, pela beleza e pelo descompromisso total com o luxo carregado de outros paraísos do verão europeu. Gosto muito de estar aqui. Gosto das pessoas, do mar, do sol, do céu, das comidinhas, do vinho. Este lugar tem personalidade. Tem força.

  Hoje fui numa praia meio que retirada, sem qualquer produção e pouco frequentada. Mando junto uma foto do mar… Como sempre, o almoço aqui se faz nas tavernas que ficam à beira das praias. A de hoje era de um casal muito interessante: ele, grego, seus 60 e tantos anos, ela, Kate, uma canadense, na cozinha. As filhas ajudando a servir, lindas. Tirei até uma foto de uns vasos que estavam lá, só para sentir o ar, a graça… Foi um dia muito especial, uma tarde única. Uma comida incrível, com gosto de casa, com jeito de família. Conversei bastante com o pai e também com a filha. Fiquei feliz, muito feliz.

  Agora há pouco, soube que o pai da Meire, minha companheira de trabalho, fundamental na minha vida desde o início dos tempos na Folha de S.Paulo, que, ainda bem, está comigo, bem pertinho, até hoje… Bem, o pai dela se foi. De idade, 88 anos, o coração já fraco. O que posso dizer? Que não foi à toa que hoje, aqui de tão longe, da Grécia, fiquei ligada nesse tema pai e filha.

Segunda na praia

Segunda na praia

Vida simples

Vida simples

  Eu posso dizer que vivi na noite dessa segunda um momento único na minha vida. Coincidiu justamente com o fim de um dia muito triste, por causa do acidente com o avião da Air France. Mas, de noite, estreei em um aniversário de 90 anos. Eu nunca tinha ido a um. Confesso que foi uma experiência ímpar. Muito lindo, muito forte, muito inusitado. Aniversário da minha amiga Milly, francesa que morou muito tempo no Brasil, quando era amiga do peito do meu pai. Depois, há muito tempo, ela voltou a morar em Paris, lugar que adora. Tem boa parte da família em São Paulo, mas se sente muito bem em sua terra, a França. Mesmo aos 90 anos, sente-se respeitada como cidadã – cuidada.

  Pois bem. Achei mais que justo estar em Paris nessa data tão especial. O cocktail foi na casa de um vizinho dela, que tem 87 anos. O jantar, no apartamento ao lado, uma cobertura, de um casal de amigos dela. Tudo muito simples, mas tudo de primeira: dos amigos presentes, todos com importantes laços afetivos, ao vinho Sauternes com foie gras na entrada. No final, um bolo de sorvetes variados, com muitos macarons, aqueles docinhos incríveis, a cara de Paris.

  Fora os amigos, parentes e as delícias, gostei de ver os laços verdadeiros de amizade. Vi gente de verdade. Era uma mesa só, com de 25 a 30 pessoas. Vi uma mulher bonita, divorciada, em seus quase 70 anos, falando da amizade com o ex-marido, de quem havia se separado há muito tempo, quando ele se apaixonou por uma mulher muito mais jovem. Agora, mais velhos, os dois são muito próximos. Ela tinha cabelos curtos, bem grisalhos, pois não tingia os brancos. Toda feliz. Cheia de personalidade e alegria. Alguns casais feitos de gente de verdade, gente fina e sincera. Alguns bens ricos. Outros menos. Mas todos de verdade. Assim como o aniversário de 90 anos, minha estreia no gênero, também foi de verdade. Ironia do destino: uns desaparecem em acidentes trágicos. Nós, e Milly, pudemos festejar a vida.