Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

  Último dia desta minitemporada em Milão. O que posso dizer? Que fiquei realmente assustada com as lojas muito vazias mesmo. Vendedores na porta, esperando que algo aconteça… Os restaurantes? Nem se fala! O famoso Bice, que já teve filiais bombadas até no Brasil… bem, estava na noite dessa quinta quase… vazio. Umas seis mesas ocupadas – e um monte vazias. Realmente a situação aqui me impressionou mais ainda do que em Nova York, quando a coisa começou  a pegar. Nova York está se recuperando, como tenho percebido, ouvido falar, lido. Aqui  o quadro ainda não mudou.

  Agora, nas próximas semanas, começam as férias de verão. Vamos aguardar e ver o que vai acontecer – depois. Mas, posso concluir que é sempre muito bom estar aqui. A moda italiana é incrível: Prada, Miu Miu, Marni, Dolce & Gabbana, Giorgio Armani, Gucci e tantos outros. Emprega muita gente e faz a roda girar. Isso é muito importante. Na outra ponta, Milão é um dos lugares do mundo onde se come melhor. Como posso fechar nossa conversa sobre estes dias por aqui? Com uma listinha do melhor da cidade, na minha modesta opinião.

  Vamos lá: minhas lojas preferidas são Marni, Prada, uma de sapatos chamada Vierre, a de Martin Margiela, Paul Smith – todas na região da via Montenapoelone e cercanias. A loja Profumo, excelente, em Brera, com uma das melhores edições de perfumes do mundo. O Cova, para um drink – Bellini? Ou Aurora, sem álcool – no fim da tarde: clássico, chique. Milão é isso: tradiconal, elegante. Sem pressa e com a tranquilidade de quem sabe das coisas. Agora é esperar para ver.

  Estava andando aqui na via Manzoni, em Milão, quando vi uma vitrine que me chamou muito a atenção. Trazia quatro sacolas grandes, todas com a mesma estampa, uma de cada cor. Sou ligada em design gráfico e fui atrás para saber de quem eram essas tais bolsas. O que descobri? Um tesouro perdido,  que andava sumido há muito tempo: a autora das bolsas, uma edição especial para a marca Coccinelle, nada de muito luxo – uma coisa mais popular – era Barbara Hulanicki. Eureka! Não é que essa mulher reapareceu? E justo no meu caminho, aqui em Milão?

  Explicando melhor: Barbara Hulanicki era uma mulher-gênio, que abriu em Londres, em 1964, uma loja chamada Biba, marco de toda uma época. A Biba era uma department store a uma certa altura, com linha própria de roupas, objetos de casa, acessórios, maquiagem etc etc. Tudo com ares retrô, meio art déco – ou seria art nouveau também? Não lembro bem. Lembro apenas da fascinação que sentia por essa marca e por sua criadora. Anos depois, a empresa quebrou…e Barbara veio dar as caras no Brasil. Abriu uma pequena butique com seu nome, na alameda Franca. Sabe em que altura? Justamente no espaço ocupado hoje pelo restaurante Ritz. Endereço ícone, aliás…

  Pois bem: a lojinha no Brasil também não rolou muito bem, Barbara sumiu de novo e foi reaparecer alguns anos atrás, assinando um pequeno hotel no Caribe  – seria na Jamaica? Não me lembro bem… De novo! E eis que agora, assim do nada, dou de cara com seu desenho esperto em uma linha de sacolas desenvolvida para uma marca italiana. Claro que vou comprar. Isso é item de colecionador, tenho de ter um. Até porque Barbara Hulanicki deve ser saudada e reverenciada sempre que aparecer em algum lugar do mundo. Assim como os gênios do pop.
 
  P.S.: Para internautas que pediram dicas de Milão, aqui vai a mais preciosa: o restaurante que mais gostei é, ainda bem, dos menos caros que encontrei. Trata-se do Latteria San Marco, na via San Marco, em Brera. Pequeno, sem reservas, abre no almoço e no jantar. Cozinha caseira, “casalinga”, como se diz aqui. Cardápio original, serviço dos mais gentis. Maria, a proprietária, é quem atende no salão.  O marido cozinha. E o filho fica no caixa. A melhor experiência nesta cidade. Uma pequena joia…

  Para quem quer saber mais sobre Barbara Hulanick, ela tem um site: http://www.barbarahulanickidesign.com/

  Agora estou em Milão. Bom chegar aqui, bom ver as mudanças na arquitetura, na língua, na comida, em tudo. Até nos preços: táxis, restaurantes, tudo custa mais por aqui. Resultado: lojas muito vazias. Vendedores todos na rua, tomando ar… Ar quente, diga-se de passagem… Um calor de 35 graus. Ufa. Caminhar nas ruas, não entre uma e cinco da tarde. É o verão que chegou bufando por aqui!

  Kaká enorme num megaoutdoor na loja de Giorgio Armani, mega também, na elegante via Manzoni. Fala-se muito dele aqui. Sempre, mas agora ainda mais por causa do Real Madrid na parada. Entro na 10 Corso Como – a loja mais charmosa do mundo – e dou de cara, logo de primeira, com sandálias plásticas de Zaha Hadid, assinadas pela… Melissa. Na lojinha do Teatro alla Scala, na seção de livros de dança, um só de Ismael Ivo, negro e lindo. Olhos bem abertos, como sempre, para observar o mundo e os pequenos detalhes que fazem a diferença. O restaurante Da Giacomo, especializado em frutos do mar, abriu uma versão carnes. Lotado.

  A Bienal de Veneza arrancou muita gente da cidade. Mas o fato é que os tempos mudaram e as grandes lojas, as mais caras, de luxo, estão vazias. Até a famosa 10 Corso Como, tipo descolada. Tenho pensado nisso… E acredito que quem não mudar, quem não criar alternativas nesse mundo moderno, não irá para frente. Os preços que tenho visto, sem qualquer opção ou alternativa, afastam clientes hoje assustados com as perdas que tiveram. Mas a verdade é que Milão continua sendo um paraíso a céu aberto para a turma da moda. Só precisa correr atrás de dinheiro…