Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Recebi vários posts em função do que escrevi sobre Salvador e férias. Muita gente gostou. Outros criticaram e alguns pediram para eu escrever mais sobre modismos e aquelas coisas todas que muita gente gosta de ler –e eu, de escrever. Só que às vezes minha cabeça vagueia para outros lugares. Hoje, por exemplo , estou muito, mas muito feliz. Fui no meu médico, dr. Sergio Simon, com quem fiz tratamento para combater um câncer que tive na mama, e ele me disse que eu estava muito bem. Eu tenho mesmo me sentido muito bem. Mas receber essa notícia do médico tem uma importância que nem eu mesma consigo dimensionar. Quando voltei aqui para a Casa Glamurama, estava tão nas nuvens que nem sabia o que fazer do resto da minha tarde. Voltar para o computador me parecia, naquele momento, quase que irrelevante… Conversei com as pessoas com quem trabalho, telefonei para outras, próximas e queridas. Quero deixar bem claro aqui, que entendo perfeitamente que, neste espaço, tenho que pensar em vocês todos que me acompanham. Peço desculpas se às vezes não consigo escrever exatamente o que vocês estão esperando ler. Mas nesse momento de muita felicidade para mim, faço questão de pelo menos uma coisa: ter vocês por perto. Posso contar com isso?

  Hoje vou tocar num assunto delicado: aborto. Aborto e fertilização artificial. Fábrica de nenês: esse assunto veio hoje na minha cabeça, claro, porque li no jornal sobre o caso do médico Roger Abdelmassih. Uma loucura essa história toda. Devo dizer, em primeiro lugar, que conheci uma vez esse médico. Fui num jantar na casa dele oferecido para um político que queria sentir a quantas andava seu prestígio. Esse político era Orestes Quércia. Juntos na mesa, além do anfitrião e do homenageado, alguns jornalistas. Era pouca gente, no total umas dez pessoas. A mulher do dr. Roger nem desceu para o jantar, estava sob tratamento – morreu tempos depois.

  Outra vez que o vi foi quando chegava no Rodeio, em um sábado, num almoço de final de tarde – eu estava indo embora. Vi seu carro, algo tipo Ferrari ou Maseratti, que chamava muito a atenção. No painel do rádio, a palavra “sucesso” aparecia brilhando. Nesse tipo de engenhoca milionária, a gente pode programar o que quiser – dr. Roger programou “sucesso”. Isso chamou muito minha atenção… Apenas observei. Depois de um tempo, estoura esse escândalo todo. Conheço alguns pais de crianças geradas lá que ficaram muito preocupados: não tinham mais certeza que eles eram realmente os pais dos seus filhos. Na maioria, gente muito famosa.

  Uma história realmente absurda – mas que ninguém pensasse que isso poderia acontecer algum dia pode soar tão absurdo quanto. Minha opinião, muito pessoal, polêmica, mas minha: sou contra esse tipo de coisa. Também não gosto de aborto – a não ser em casos excepcionais. A indústria que “fabrica” bebês me incomoda tanto quanto a que “descarta” bebês que estão a caminho. Pode parecer antiquado? Talvez sim. Mas que tudo isso iria um dia dar em confusão, estava escrito.

  Hoje eu estava vendo o pôr do sol que acontece aqui em Mykonos perto das oito e meia da noite. Sim, aqui a gente para tudo para ver o pôr do sol. Todos os dias. Aliás, talvez seja esse um dos motivos de eu gostar tanto daqui… Pois bem, hoje, nessa hora, encontrei um americano solitário nos almofadões onde me posiciono nesse horário aqui no hotel, ponto privilegiado para essa prática – de acompanhamento do poente. Sabe aquela conversa de hóspede de hotel, etc etc? Então… Quando ele soube que eu era brasileira, começou a falar sobre como o Brasil estava bem, sobre plataformas de petróleo, etanol. Detalhe: ele é médico. Ruivo, sardento, radiologista neurológico (ou algo do gênero…). Mora numa cidade pequena entre Detroit e Chicago e falava das riquezas do Brasil e de como ele está bem colocado no panorama cinza do mundo atual.

  Junto a isso o fato de, neste hotel supercharmoso onde estou e aonde venho sempre que posso, estão também nesta temporada muitos brasileiros. Bem mais que nos outros anos. Já aqueles americanos tipo chiques e mais sofisticados, que deixavam a gente morrendo de inveja com aquela elegância discreta… Bem, eles sumiram todos daqui. Nada de americanos. Muitos brasileiros. Nem é preciso dizer o quanto o Brasil está em alta: nos hotéis bacanas da Europa em geral. Nas lojas. Nos restaurantes. O mundo está vivendo um momento único de mudança, de novas regras, de nova ordem. Nessa bagunça toda, é hora de a gente brilhar. Ufa. Já não era sem tempo.

Aqui o sol se põe

Aqui o sol se põe