Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Mais uma semana, e eu preciso falar que é uma delícia estar aqui. Eu amo encontrar com vocês aqui. É a parte da semana que eu mais gosto. E, hoje eu não poderia ter outro assunto senão o meu novo livro, “Poder, Estilo & Ócio”, que já está nas principais livrarias do Brasil. Não sei se é pelo fato de ter sido o meu primeiro livro escrito inteiro por mim – os outros eram compilações de textos já publicados – este é muito especial. E, na última terça-feira, recebi amigos e leitores do Glamurama para o lançamento na Livraria da Vila da Alameda Lorena, no Jardins. Como foi? Dê o play e confira!

 

 

Muita gente –que lê meu blog, obrigada!- me pergunta por que não atualizo sempre. Posso garantir que não é por falta de assunto. Sou uma fábrica deles, falo muito e penso mais ainda. Portanto, poderia muito bem escrever aqui com mais frequência. Mas confesso que não tenho conseguido. Além de muitas coisas na cabeça, muito trabalho, planos e histórias, estou escrevendo um livro. No  qual, aliás, fiquei empacada muito tempo… mas que agora dei de escrever sem parar e já estou quase no final. Um prazer enorme, uma alegria. E um orgulho. Sim, estou muito orgulhosa. A questão é que escrever requer uma força interna que deixa a gente exaurido. Principalmente quando se trata de experiências pessoais, como no caso do meu livro. Pois bem: digo aqui que minha ausência se deve a isso. É o muito escrever. Peço desculpas e garanto que todos serão devidamente recompensados quando meu livro sair. Garanto informação, histórias deliciosas e outras polêmicas. Eu gosto de bagunça. Não quero explicar nada pra ninguém. Apenas confundir.

  A primeira coisa que ouvi como comentário depois do pronunciamento de hoje de José Sarney foi que estava mais engraçado que o Pânico na TV. Ou do que o CQC, novo queridinho do gênero. Parece que num momento desses, Sarney perdeu todo o know-how, todo o jogo de cintura e sabedoria que acumulou nesses anos de política. Até nos discurso desta quarta-feira no Senado ele mostrou que já não é mais o mesmo: estava nervoso, inseguro. Se enrolou no texto – que leu, em vez de improvisar – e deu todas as bandeiras de que não estava confiante nele mesmo. Não se trata de quantos atos secretos. Não se trata de “gravações feitas pela mídia”. Aliás, ele próprio é “mídia”: dono de um império no Maranhão. Dono também de um museu que leva seu nome onde ele próprio se homenageou. Sarney teve uma oportunidade única de, no começo dessa confusão toda, se retirar dignamente. Podia dizer que não era esse fim que gostaria de viver como político. Mas não: preferiu manter um poder que há muito não mais lhe pertence. Sarney tinha um nome a zelar, como primeiro presidente – tudo bem que não foi eleito – dos tempos democráticos. Como um escritor que até se deu bem quando resolveu escrever um livro erótico, “Saraminda”. Mas o final do filme foi triste. Muito triste. Perdeu ele.

  Meu dia até que estava muito bom nesta sexta. Mas quando ouvi no rádio José Sarney citando Sêneca, confesso que tudo ficou cinza. Explicando: José Sarney é José Sarney. E Sêneca meu autor preferido. Conheci Sêneca quando William Li, tradutor de primeira, trabalhava na Folha de S.Paulo. A gente sempre conversava muito. William traduzia os livros de Sêneca para a editora Iluminuras, acho. William era um cara muito especial. Erudito. Ele já morreu, faz tempo, muito moço. Mas Sêneca, ele me deixou de presente. Para vocês que não conhecem, sugiro dois livros fininhos, básicos: “Sobre a Brevidade da Vida” e “Sobre a Tranquilidade da Alma e Sobre o Ócio”. Duas preciosidades que não deveriam nunca sair da cabeceira dos homens e mulheres importantes, que fazem a diferença na história do mundo. Sarney citou Sêneca porque Saulo Ramos já havia feito o mesmo em um artigo que o defendia. Sei que Sarney é um homem culto, que conhece filósofos e pensadores. Mas, sinceramente, nesta hora tão ingrata para o país e principalmente para a própria imagem do senador, Sêneca foi usado para servir como estratégia de redenção. Mas pensando bem, melhor Sêneca do que qualquer outro.