Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Eu já disse aqui, mas estou apaixonada por minha viagem a Portugal, e como sei que vocês também gostam quando falo de viagens, hoje o papo é sobre livros e livrarias. Dia desses eu li no jornal sobre a FOLIO, Feira Internacional de Óbidos, e que ela pode ser a mais nova concorrente da FLIP, de Paraty, e o que é mais interessante é que eu estive nessa feira. Foi in-crí-vel e eu conto tudo para vocês aqui embaixo no vídeo. Play e boa viagem!

Acabei de chegar de quatro dias em Paraty, por causa da Flip. Posso dizer uma coisa: que delícia estar em um lugar como Paraty tendo como motivo principal uma festa de literatura. Participar de palestras com escritores que já li – como a norte-americana que mora em Londres, Lionel Schriver. De outros que jamais tinha pensado em ler e agora estou supercuriosa – como Salman Rushdie. Uma paixão um pouco tardia – como por Ferreira Gullar. E a certeza que Isabel Allende e eu não temos nada em comum. Percebo que cada vez mais tenho prazer em conhecer gente que tem como ofício trasmitir sentimentos, ideias e sensações por meio de palavras. O mundo que mais amo, do inesperado, do imponderável, da surpresa, da criação. Dizem que a Flip deste ano não estava à altura das dos outros anos. Dizem que Gilberto Freyre como tema não foi uma boa ideia. Posso concordar com essas e com tantas outras avaliações. Mas independente de qualquer opinião ou crítica, devo dizer que a cada vez que vou lá, mais quero fazer parte desse mundo. Mais quero aprender, estar junto de gente que pensa diferente e se expressa de maneira tão original. Para mim, essa é a saída: transmitir ideias importantes de maneira criativa, única. E fazer a imaginação trabalhar, sempre como muito prazer. Aviso: a tarefa não é fácil – nem indolor.

  Hoje foi um dia muito especial aqui em Paraty. Dia de Chico.  O frisson começou cedo, tipo “ele já chegou? Ele está aí?” Enfim, o dia acabou: e eu confesso que fiquei emocionada em ver Chico Buarque falando de literatura, de criação, e principalmente do pai, o historiador Sérgio Buarque de Hollanda. Platéia cheia, climão no ar. Sorry, mas hoje não posso escrever mais.  Prometo contar mais detalhes – como, por exemplo, a luz que acompanhava Chico na mesa de hoje na Flip. Oportunidade rara. Valeu, Chico. Achei que toda a tietagem era tipo frufru… Mas não era. Chico vale cada suspiro.

  Antes de mais nada, desculpas, desculpas, desculpas. Nessa quarta não consegui postar nada aqui por um simples motivo: estou aqui na Flip, em Paraty. E ontem foi a viagem, longa, para chegar aqui. Paraty é longe de São Paulo. Nessa época do ano ainda tem muita neblina na estrada… Enfim, cheguei de noite. E cansada, muito cansada. Para não ser punida por vocês, meus queridos internautas, prometo escrever hoje mais. Bem mais, ok? Vamos lá então? Uma das coisas mais bacanas do calendário cultural todos os anos é a Flip. Ótima desculpa para estar em Paraty, lugar super charmoso. E poder ficar quatro dias só falando e só ouvindo sobre escritores interessantes e livros é muito bom. Gente bacana circulando pela cidade. É algo como ir a Veneza durante a Biennale – muito melhor do que em qualquer outro período do ano. Paraty é um lugar incrível, mas tão mágico que não tem gente metida aqui. Sabe por que? Impossível andar por aqui de nariz empinado. Aqui só se anda olhando para o chão – que é para não tropeçar. Heheheh! Chão de pedras. Tão complicado de andar que eu só posso dar oi para as pessoas com as quais eventualmente cruzo pelas ruas se elas me chamarem. Porque olhando para baixo não vejo nem  as casinhas lindas da cidade – e muito menos quem está caminhando por lá. Uma loucura! Vi, de ontem para hoje, muitos tênis, sandálias e pés em geral. Pedras de todos os tamanhos. E só. Quando chego a algum lugar, dou graças por não ter levado um tombo. Hilário, porém verdadeiro. Mas para estar na Flip, participar desta festa, vale tudo.

  A primeira mesa que acompanhei hoje já valeu a vinda. Juntava Rodrigo Lacerda, jovem escritor de quem já li “Vista do Rio”- e adorei – e o cineasta Domingos de Oliveira. O tema? Separações.  Vou confessar que passei a manhã muito bem: Rodrigo Lacerda para mim representava naquela hora toda essa modernidade na qual, modestamente, me incluo. Domingos de Oliveira me remeteu à turma 68, meio Pasquim. Rodrigo falou muito bem de uma história de amor. Mas Domingos roubou a cena falando de homens, amores, mulheres, separações, voltas etc etc. Aos 72 anos de idade muito bem vividos – e fervidos-, fez a platéia pensar… e se divertir. Muito.  O melhor dos dois mundos, diga-se de passagem. Domingos me fez ver também, e eu acho que também a muita gente, o quanto às vezes essa história de intelectualizar, racionalizar, não tem muito a ver. Me senti meio que moderna “à força”. E percebi que seria muito bom dar uma recuada e virar mais emoção, mais loucura, mais coração. Domingos de Oliveira, com suas histórias bem pessoais sobre a vida, me fez achar graça de tudo aquilo que, às vezes, vejo como o lado ruim, o lado chato das coisas.  Simplesmente porque ele olha para tudo com graça. Aliás, existe outra maneira?