Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Ueba! Hoje é dia de Brasil! Eu confesso: mal sei quem é a bola e tenho trauma de Copa do Mundo. Trabalhei numa, in loco, nos Estados Unidos, e foi duro, muito duro. Muito estressante e eu chorava todo dia… snif, snif. Acho que fiquei marcada e, hoje em dia, confesso que jogos da Copa até me dão arrepios. Não gosto de perder e não gosto também que ninguém perca. Complicado, não? É… mas já que não consigo ser diferente, cá estou eu me preparando para Brasil e Coreia do Norte… do outro lado do mundo. Estou na Grécia, berço da civilização ocidental. Os filósofos pairam entre as nuvens. Isto é, quando tem nuvem… Porque neste verão o calor está pegando e mesmo nas praias de Mykonos, meu endereço preferido nesta época do ano, só mesmo o mar gelado – e transparente – para aplacar a alma. O mar… e um bom livro. Ah, e um guarda-sol bem grande, por favor. Estou lendo um livro que já está me agradando, mesmo no início: “So Much for That”, de Lionel Shriver, autora que vem para a Flip. É o segundo livro dela que leio e posso dizer uma coisa: essa mulher, que escreve para o “Guardian” e “The New York Times”, é uma das melhores escritoras destes tempos. Notas especiais daqui? Para o vinho rosé grego, mesmo o feito em Mykonos, fresco, delicioso. Para o queijo de cabra, mais conhecido como feta cheese, e para o astral dos gregos, que mesmo com a crise na nuca, com um futuro mais para cinza do que qualquer outra cor, tenta fazer o máximo para não deixar a peteca cair. Mais do que nunca, um prazer estar aqui. Que os filósofos me acolham. E me abençoem e iluminem com a sabedoria deles…

Restaurante Nammos, em Mykonos, e praia grega - Foto: Joyce Pascowitch

Restaurante Nammos, em Mykonos, e praia grega - Foto: Joyce Pascowitch

Outono tropical. Mas o programa “Pode Entrar!”, que fizemos nessa terça na TV Glamurama, e as aulas de filosofia, que retomei nesta segunda, me fazem sentir que estou viva, muito viva, apesar de o calor tentar acabar comigo. Mas não, eu sou mais. Tem duas coisas que adoro: conversar com gente inteligente – e aprender. Acho que uma tem tudo a ver com a outra, aliás, são quase a mesma coisa. Afinal, o que tem a vida de tão mais interessante e profundo do que isso? Comecei um curso novo com um novo professor. Detalhe: estou adorando. E, para dar início aos “trabalhos”, ele leu um livro… infantil. Leu e mostrou as ilustrações. A história era sobre um grupo de ratinhos e sobre um deles em especial, que não trabalhava enquanto os outros trabalhavam… mas era um poeta. Um romântico, que via a vida de outra maneira. E que, no final das contas, ajudou e muito os que tanto trabalharam. À sua maneira – e é justamente aí que está o encanto da coisa. Começar uma semana com uma história dessas já muda tudo o que vem pela frente. E a gente sabe que nem sempre o que vem pela frente são coisas gostosas. Eu pessoalmente nem posso reclamar porque em seguida da aula de segunda, essa que começou com a história dos ratinhos, nessa terça fui a uma exposição incrível de móveis feitos pelo arquiteto Marcio Kogan e sua equipe. Móveis inspirados naqueles que os pedreiros fazem para seu próprio uso durante a construção de uma obra. Só que Márcio deu toques sutis de humor e refinamento a esse trabalho tão autêntico dos pedreiros e mestres-de-obras. Me deu vontade de comprar vários deles. Me deu vontade também de sonhar com novos espaços, outros endereços… Coisas tipo meio inacessíveis. Essa sou eu. Ufa, de volta às origens.

  Não sei se é por causa da minha perna avariada – na verdade, meu menisco -, mas o fato é que tenho estado direto em contato com fisioterapeutas. E cada vez mais admiro a maneira como eles tratam de problemas sem remédios ou grandes intervenções. Apenas, com sabedoria, know-how, manipulação e muita dedicação. Acho incrível lidar com as dificuldades que o corpo às vezes nos impõe, mas de uma maneira diferenciada. Detalhe: sempre fui “alternativa”. Não gosto de muitos remédios – a não ser os da Weleda e outros do gênero, antroposóficos ou homeopáticos. Fitoterápicos também entram no rol. Tratamentos que incluem manipulação, massagens, torções com profissionais que entendem de músculos, nervos, ossos e afins me fizeram conhecer um novo mundo que muito me animou: o da fisioterapia. Primeiro porque melhorei muito, só com isso. E um pouco de bom senso, claro. Segundo, porque sempre fico atenta a profissões que não a minha – e às vezes fico muito interessada mesmo. Tempos atrás me encantei por arquitetura. Continuo, aliás, cada vez mais encantada. Um mundo que muito me atrai. Muito. Com meu menisco avariado, descobri o maravilhoso universo da fisioterapia. Recomendo vivamente.

  P.S.: A diquinha do dia é assistir a um DVD de Alain de Botton, o filósofo, falando de Sêneca, meu preferido, e de Schopenhauer. Assuntos: raiva e amor. Abril Vídeo.

  Meu dia até que estava muito bom nesta sexta. Mas quando ouvi no rádio José Sarney citando Sêneca, confesso que tudo ficou cinza. Explicando: José Sarney é José Sarney. E Sêneca meu autor preferido. Conheci Sêneca quando William Li, tradutor de primeira, trabalhava na Folha de S.Paulo. A gente sempre conversava muito. William traduzia os livros de Sêneca para a editora Iluminuras, acho. William era um cara muito especial. Erudito. Ele já morreu, faz tempo, muito moço. Mas Sêneca, ele me deixou de presente. Para vocês que não conhecem, sugiro dois livros fininhos, básicos: “Sobre a Brevidade da Vida” e “Sobre a Tranquilidade da Alma e Sobre o Ócio”. Duas preciosidades que não deveriam nunca sair da cabeceira dos homens e mulheres importantes, que fazem a diferença na história do mundo. Sarney citou Sêneca porque Saulo Ramos já havia feito o mesmo em um artigo que o defendia. Sei que Sarney é um homem culto, que conhece filósofos e pensadores. Mas, sinceramente, nesta hora tão ingrata para o país e principalmente para a própria imagem do senador, Sêneca foi usado para servir como estratégia de redenção. Mas pensando bem, melhor Sêneca do que qualquer outro.

  Tenho acompanhado o Fashion Rio pela internet.  Na verdade, pelo Glamurama. Estou aqui na Grécia e fico feliz com as notícias contando que o evento está crescendo, bem dirigido… Enfim fico mesmo contente. Nova fase. E cada vez melhor.  Confesso que errei ao marcar essa minha viagem bem nesse período, já que gostaria de estar no Rio para acompanhar de perto tudo isso, os novos tempos do Fashion Rio, mas me atrapalhei. Acompanho, portanto, à distância e partilho da alegria de ver o evento crescer, firme e cada vez mais forte.

  Por outro lado, tenho acompanhado as buscas ao avião da Air France. Que coisa mais triste tudo isso que aconteceu… Até aqui em Mykonos, esta ilha grega incrível onde me encontro agora, comenta-se sobre isso. Mykonos é uma ilha mágica. Assim como toda a Grécia, é um lugar muito forte, que mexe comigo. Pela filosofia – sempre digo que os deuses aqui pairam no ar -, pela beleza e pelo descompromisso total com o luxo carregado de outros paraísos do verão europeu. Gosto muito de estar aqui. Gosto das pessoas, do mar, do sol, do céu, das comidinhas, do vinho. Este lugar tem personalidade. Tem força.

  Hoje fui numa praia meio que retirada, sem qualquer produção e pouco frequentada. Mando junto uma foto do mar… Como sempre, o almoço aqui se faz nas tavernas que ficam à beira das praias. A de hoje era de um casal muito interessante: ele, grego, seus 60 e tantos anos, ela, Kate, uma canadense, na cozinha. As filhas ajudando a servir, lindas. Tirei até uma foto de uns vasos que estavam lá, só para sentir o ar, a graça… Foi um dia muito especial, uma tarde única. Uma comida incrível, com gosto de casa, com jeito de família. Conversei bastante com o pai e também com a filha. Fiquei feliz, muito feliz.

  Agora há pouco, soube que o pai da Meire, minha companheira de trabalho, fundamental na minha vida desde o início dos tempos na Folha de S.Paulo, que, ainda bem, está comigo, bem pertinho, até hoje… Bem, o pai dela se foi. De idade, 88 anos, o coração já fraco. O que posso dizer? Que não foi à toa que hoje, aqui de tão longe, da Grécia, fiquei ligada nesse tema pai e filha.

Segunda na praia

Segunda na praia

Vida simples

Vida simples