Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

O primeiro post do ano! Por que tão tarde? Porque fiquei quase 40 dias longe daqui, tentando descansar, meio fora do ar, mas não muito. O fato é que o verão foi vivido por mim em toda a plenitude: sol, muito mar, treinos de ginástica funcional, massagens, mergulhos, stand up paddle. Nem pensar em manter algo que me lembrasse da rotina daqui de São Paulo, dos dias de trabalho. Pôr do sol todos os dias, era esse meu principal compromisso. Descansei, relaxei, me diverti, fui a shows, estive com amigos. Claro que um dia isso iria terminar e foi o que aconteceu no final de janeiro. Voltei pra São Paulo, voltei ao mundo real. Muitas coisas ruins, algumas realmente absurdas, vergonhosas. Com certeza já vivemos dias muito melhores do que estes neste país. A coisa realmente está cinza, muito cinza. Se já é difícil voltar de férias, assumir a rotina, imagine voltar nessas condições, com este cenário. Confesso que penso em saídas, em possibilidades, acompanho tudo de perto. Amo Carnaval, muito, mas fico até com medo de expressar esse tipo de sentimento neste momento complicado. Sim, parece que no momento atual, a gente não tem nem direito a ser feliz. Desculpa, mas eu vou tentar. Vou pegar um caminhinho por aqui, um beco por ali, até ver a luz. O sol.

Esta semana foi bem engraçada. Praticamente a última útil deste ano. Na segunda-feira, nada de mau humor. Também pra quê? Já basta a falta de glúten, de lactose, de chocolates e outras coisinhas mais. Eu fiquei é feliz da vida nesta segunda, pois estava terminando aquele período chato do ano, que vai do Carnaval até o Natal. Sério! Amo férias. Daí tamanha alegria. Parece que eu trabalho o ano todo, focada, dedicada, mas sempre com um olho… nas férias. Sou movida a isso: a sol, a água do mar, a caipirinhas, passeios de lancha e… bolinhos de peixe. Amo. Aqueles dez meses entre o Carnaval e o Natal, convenhamos, são difíceis de aturar, às vezes complicados, pesados. Então, como achar chata uma segunda-feira dessas? A um passo do Natal, com jantares e festas todos os dias? Com gente animada por todo lado –mesmo que o dólar esteja subindo, a Petrobras explodindo e o governo…. Bem, apesar de tudo isso, dezembro pede felicidade. Pede alegria. Pede –e eu dou. Pede balanço dos meses que passaram, pede um leve desenho do ano que entra. O que mais eu posso dizer? Posso agradecer, por tudo e a todos. E posso dizer mais uma coisinha? Estou feliz, tá?

Nesta quarta me estiquei toda e consegui pegar com minha mão uma pitanga bem carnuda aqui na árvore que enfeita minha janela no trabalho. Nesta quarta também cancelei o treino que faço todos os dias de manhã e fui até o Bom Retiro, sede da creche Betty Lafer, da Unibes. Lá, onde adoto quatro crianças de sete anos, três meninas e um menino, foi festejado, antes da hora e sem stress, o final do ano. Como vocês podem ver, meu dia hoje não poderia ser mais completo em termos de satisfação. As revistas, duas pelo menos, já fecharam a edição deste mês. Estamos fechando mais duas e, ufa, alguns dias para respirar. Some-se a isso um projeto de feriado pela frente eu posso até dizer: estou feliz. Na verdade, a gente não precisa muito mais do que bem pouco para se sentir assim. Mas a verdade é que a gente só sente mesmo isso quando não tem nada disso. Explicando melhor: a gente não dá o menor valor para a geladeira , por exemplo, até ela quebrar e a gente ficar um monte de dias tendo que guardar coisas em caixas de isopor. Uma chatice, não? Mas quem lembra daquela geladeira no dia a dia? Eu, pelo menos, não. Só na hora de abrir a porta bem de noite para pegar algo que eu não deveria… Todos esses devaneios só são possíveis porque hoje cheguei mais cedo, depois da festa das crianças. Estou no computador desde as 11 da manhã e agora, final da tarde, me sinto, pela primeira vez em dez dias, menos estressada. O dia a dia aqui não é bolinho. Ter de lidar com gente de todos os tipos pode ser muito interessante e, às vezes, também, muito chato. Imagino que em todo lugar seja assim. Mas eu peço licença e vou. Aliás, fui.