Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

  Mais um dia cinza. Devo confessar uma coisa horrível: talvez para compensar essa melancolia de inverno, tenho comido pipoca todas as tardes. Isso mesmo. Como se estivesse no cinema, mas sem estar. Já acho chato esses dias, me dá vontade de ficar em casa. Como não posso, pelo menos uma pipoca para me sentir mais confortável, talvez. Claro que não compro pronta – peço milho, margarina e a Ana Paula, que trabalha aqui conosco, faz. Esses dias cinzas são difíceis. Não sei se vocês também acham, mas tendo a ficar angustiada, triste mesmo. Este ano está menos ruim para o meu lado, ainda bem. Mas confesso que faço de tudo para não sucumbir.

  O que eu gostaria mesmo de fazer em momentos desses? Em primeiro lugar, ir ao cinema. Quero assistir a “Caramelo” e “A Partida”. Recomendo desde já, antes mesmo de ver. Sei que os dois são incríveis. Queria também ficar em um lugar sossegado, lendo, ótima opção para um dia como este. Numa biblioteca. Me deu vontade de pegar um livro do Truman Capote, “Música para Camaleões” sobre uma milionária norte-americana que foi morar no Caribe e colocava seu piano – e tocava! – no meio da jungle. Foi Rodrigo Levino que me indicou. Acho que é de tudo o que eu preciso… Talvez também um frozen de chá verde que tem na alameda Lorena, em frente ao Santa Luzia. Enfim, ideias não me faltam. Para tudo. Ainda bem que vivo disso.

  Acordo: tempo feio. Saio para análise, reiki etc etc: tempo feio. Venho trabalhar: tempo feio. Que mico. E depois, a gente ainda tem de ter bom humor, ficar bem disposta, não ficar angustiada, deprimida. Como, com esse cinza entrando na alma da gente? Estou vendo as ameixinhas da árvore do jardim daqui da Casa Glamurama tentando vir para fora. Não deve estar fácil para elas… As pitangas, minhas preferidas, nem tchuns. Devem ter visto que, por enquanto, a coisa não está rolando… Sei que a gente não pode ficar desanimada só porque o sol não deu as caras. Mas o fato é que eu fico. Luz é tudo, já diziam os fotógrafos e gente de TV. Eu também acho. Fica difícil ser criativo com um dia desses. Fazer planos, então, mais ainda. Como pensar em futuro num cenário escuro? Curtir o presente? Buda que me perdoe, mas dessa maneira, é fogo. Nunca me dei bem com o inverno em São Paulo. Meu pai também não gostava. Deve ser genético. Com certeza herdei isso dele e tenho o maior orgulho. Cinza, só na hora de se vestir. E mesmo assim, com uma etiqueta que segure o lance…

  De volta a São Paulo. Difícil, o mínimo que posso dizer… Estou com o pescoço duro e muita dor de cabeça. Será só a mudança de clima, de astral, de tudo? Do sol gritando para o cinza da metrópole? Da ausência total de agenda para um dia-a-dia corrido? Vou além: acho que fiquei muito nervosa. Desde o dia do acidente com o avião da Air France, parece que a vida da gente, que viaja muito, mudou. Voltei neste sábado da Grécia, via Paris. De Air France. Sorte que era um Boeing, coisa que eu já sabia – claro que logo perguntei para saber qual aeronave iria me trazer de volta para casa segura. Parecia até que eu estava bem, tranquila, sem medo. Mas o fato é que cheguei aqui esquisita. Com o pescoço travado e a cabeça latejando. Difícil tudo isso. Triste essa nova etapa na vida de todo mundo, essa questão de segurança – ou seria insegurança? – dos voos. É bom estar de volta. Muito bom. Mas confesso que essa viagem Paris-São Paulo custou bem mais caro do que costuma custar…