Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Esta semana vou falar sobre cinema no meu vlog. O motivo? Dois filmes que merecem ser assistidos. O primeiro é o filme “Dior e Eu”, do diretor Frédéric Tcheng, que o Glamurama entrevistou aqui, e que também dirigiu outros dois filmes que adoro: “The Eye Has to Travel”, da Diana Vreeland, que falei aqui na semana passada, e “Valentino: The Last Emperor”, sobre o estilista italiano. O outro é “Que Horas Ela Volta?”, cotado para ir ao Oscar, da minha amiga Regina Casé, dirigido pela Ana Mulayert e com uma história muito especial e sensível sobre a vida de uma empregada doméstica. Também falo como foi fazer uma participação especial no filme. Play!

E aqui os trailers dos dois filmes:

“Dior e Eu”

“Que Horas Ela Volta?”

 

  Mais um dia cinza. Devo confessar uma coisa horrível: talvez para compensar essa melancolia de inverno, tenho comido pipoca todas as tardes. Isso mesmo. Como se estivesse no cinema, mas sem estar. Já acho chato esses dias, me dá vontade de ficar em casa. Como não posso, pelo menos uma pipoca para me sentir mais confortável, talvez. Claro que não compro pronta – peço milho, margarina e a Ana Paula, que trabalha aqui conosco, faz. Esses dias cinzas são difíceis. Não sei se vocês também acham, mas tendo a ficar angustiada, triste mesmo. Este ano está menos ruim para o meu lado, ainda bem. Mas confesso que faço de tudo para não sucumbir.

  O que eu gostaria mesmo de fazer em momentos desses? Em primeiro lugar, ir ao cinema. Quero assistir a “Caramelo” e “A Partida”. Recomendo desde já, antes mesmo de ver. Sei que os dois são incríveis. Queria também ficar em um lugar sossegado, lendo, ótima opção para um dia como este. Numa biblioteca. Me deu vontade de pegar um livro do Truman Capote, “Música para Camaleões” sobre uma milionária norte-americana que foi morar no Caribe e colocava seu piano – e tocava! – no meio da jungle. Foi Rodrigo Levino que me indicou. Acho que é de tudo o que eu preciso… Talvez também um frozen de chá verde que tem na alameda Lorena, em frente ao Santa Luzia. Enfim, ideias não me faltam. Para tudo. Ainda bem que vivo disso.

  De volta a São Paulo, em plena quarta-feira. Gozado viajar de tarde, num dia de semana. Chegar em São Paulo, vinda do Rio, sempre me dá uma coisa esquisita. O Rio é muito lindo. São Paulo é muito feia. Gosto, sim, daqui, de morar aqui. Mas gosto cada vez mais de respirar ar puro, de ver cenas e paisagens bonitas. De tomar sorvete na rua, de ficar sentada ao ar livre em restaurantes como O Celeiro, sem pânico, só “de boa”. Aqui em São Paulo, não sei se o problema é meu, mas levo uma vida estressada. Tenho horários pra tudo, até para me cuidar bem… Ficar parada no trânsito já não me deixa tão mal porque tenho sempre meus peludos comigo. Aproveito justamente esse tempo pra brincar com eles. Chego feliz em qualquer lugar. Mas confesso que o melhor dos mundos é poder ir e vir. Fui ao cinema no Rio, domingo, e estranhei: prefiro os de São Paulo. Mas aquela nonchalance, aquele jeito meio jogado de ser, sem pressa, só na contemplação… eu gosto. Voltei sem qualquer stress. Meu pescoço, que anda meio duro, meio travado, chegou aqui soltinho. Fiquei em casa, tomei um belo banho no meu chuveiro – que funciona muito melhor em São Paulo que no Rio -, andei pela casa. Confesso que apesar de me sentir feliz, rolou uma melancolia. Talvez porque o inverno aqui não me agrada. Talvez porque o sol de inverno no Rio me agrade muito. Mas tudo bem: hoje vou num japonês – os daqui são muito melhores que os de lá. Amanhã vou ao cabeleireiro – Mauro Freire também é muito melhor que os de lá. Mas sábado de manhã estou na Ponte, pronta para desembarcar – lá.

  Obras de arte, sejam quadros, canções, peças de teatro, livros ou filmes, quando são bons de verdade… são ótimos. E nada melhor que ser mexido por coisas assim. Eu pessoalmente adoro livros. O último que realmente me comoveu foi “O Fantasma Sai de Cena”, de Philip Roth. Teatro também adoro. Gosto de ver atores ao vivo, de perto. Acompanhar o trabalho deles, ver como eles se movem, falam, se transformam.

  Mas nesse fim de semana fiquei impressionada com o filme estrelado por Dustin Hoffman e Emma Thompson, “Last Chance Harvey”. Roteiro e direção sensível do inglês Joel Hopkins. O mais incrível é que o filme ganhou duas colunas em poucos dias na “Folha de S.Paulo”: de Contardo Calligaris e de Luiz Felipe Pondé. A história dos dois, nada jovens, com vidas difíceis, é como um sopro, um vagalume no meio da floresta. Dois perdedores que conseguem, com muito esforço, deixar de lado seus medos e suas noias para tentar mais uma vez – mas de outra maneira. A história passa pela filha que se casa, pela ex-mulher de Harvey, pelo marido dela. Por padrinhos desavisados e por uma mãe, da personagem de Emma Thompson, tantã. Tem de tudo, como na vida. E o melhor: tem saída.