Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

  Estou com uma hóspede em casa muito especial. É minha amiguinha do Rio, Ariane. Ela tem 13 anos, nunca tinha vindo a São Paulo e nem viajado de avião. Pois bem, nessa segunda que passou, eu trouxe comigo do Rio minha convidada especial para dez dias na cidade. Primeira surpresa: no caminho para o Santos-Dumont, ela dormiu no táxi! Mas como? A um passo de entrar pela primeira vez num avião e… nada? Segunda cena: dentro do avião: “Ariane, você está com medo?”. Resposta: “Eu não! Estou gostando!”. O voo não teve turbulência e Ariane ficou olhando pela janelinha, deslumbrada com o tamanho de São Paulo. Nestes dias, ela já foi ao Ibirapuera e ficou louca com a avenida Paulista. Foi ao museu da Língua Portuguesa e se encantou com o projeto Catavento, no parque Dom Pedro II. Passou lá três horas. Todos os programas ela tem feito com seu Alberto, meu motorista, que, aliás, está adorando a novidade: conhecer a cidade onde mora – ele é baiano, da Chapada Diamantina. Mas o melhor de tudo isso é ver alguém andando pela primeira vez de avião. Achando a avenida Paulista o máximo. Se encantando com a Oca. Posso dizer que quem mais está aproveitando essa viagem toda sou eu.

  O sol grita estes dias… Em Paris. Vim para um aniversário, de 90 anos, de minha amiga Milly. Vai ser amanhã. Nunca fui a uma festa de 90 anos e estou feliz de ter vindo por isso. Cheguei sábado e já bati muita perna por aí, inclusive, vou à mostra de Andy Warhol, no Grand Palais. Mas nesse domingo o que me chamou a atenção quando saí cedo do hotel foram umas motos, todas superequipadas, que vi na rua, estacionadas. Incríveis – e todas para alugar! Fui perguntar e estavam reservadas. Se eu quisesse dar uma volta de uma hora por Paris, na garupa, custaria 75 euros. Mas só no dia seguinte!  Outra coisa que me chamou muito a atenção foi um assalto que teve na joalheria Chopard, a uma quadra do hotel Ritz, na esquina da rue Saint-Honoré, quase na place Vendôme, a mais chique da cidade. Duas horas da tarde, um mega-assalto… E ninguém sabe, ninguém viu. Aqui em volta só se falava nisso. E nos jogos de Roland Garros e na morte de uma hóspede, uma empresária da Polônia, no hotel Bristol. Foi assassinada pelo cara que estava com ela, um inglês, que fugiu. Ele teria atirado ela pela janela. Sinistro… Tão sinistro como uma outra tentativa de assassinato, ocorrida também dias atrás… no hotel Ritz. Neste caso, a mulher sobreviveu. O que será que deu nessa gente? Vou tentar descobrir.

  P.S.: A segunda-feira aqui em Paris ficou triste, muito triste, em função do acidente com o avião da Air France. Estou muito triste também…

  A melhor coisa do mundo é ser surpreendido. Como quando saí estes dias da sala de meu analista e dei de cara, na sala de espera, com um senhorzinho sentado na poltrona. Estranhei, pois nunca tinha visto ele por lá – e olha que eu frequento aquele consultório…

  Pois bem. Não me contive e chamei num canto dr. R. e perguntei, na lata: “É seu paciente?”. Resposta: “É sim. Tem 86 anos…” Uma alegria imensa invadiu meu coração. Imensa. Primeiro, porque se eu chegar lá e ainda estiver no divã, tudo bem, não terei sido a única. E segundo, porque alguém chegar nessa idade e ainda querer melhorar, se transformar… era isso que eu precisava sentir.