Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Ontem foi um dia muito especial na minha vida. Vocês dirão: “ih, lá vem ela mais uma vez com essa história”. Só que de um tempo para cá, tenho prestado mais atenção nos momentos mágicos que tenho vivido. Os últimos foram na semana que passei em Roma. E nesta quinta, outro muito… profundo:  ganhei uma minifesta atrasada de aniversário meio surpresa, feita e organizada não por mim mas, sim, por pessoas muito queridas.
O melhor? Só tinha gente muito próxima e que de alguma maneira foi importante no período complicado pelo qual passei. Nunca mais havia comemorado um aniversário, nem estava pensando nisso, daí que a organização foi à minha revelia. No final, devo dizer que fiquei encantada. Nem conseguia dormir depois, de tão excitada que fiquei com tanto astral, tanta energia no ar. Foi no Maní-Oca, um lugar também mágico, com comidinhas preparadas por Helena Rizzo, chef super estrelada – e querida – do Maní. Bebidinhas e o som mais que cool de Cris Naumovs, minha amiga. Dá pra sentir a vibe? Pois eu estou sentindo a vibração até agora. Amigos de adolescência que estão perto de mim até hoje, família, gente que trabalha junto de mim. Tudo orquestrado por… meu marido. Sabe anel de brilhantes, Rolex de ouro, carro importado etc, etc? O que eu ganhei ontem vale muito mais que tudo isso – junto. É o que eu sinto. De verdade.

  Eu posso dizer que vivi na noite dessa segunda um momento único na minha vida. Coincidiu justamente com o fim de um dia muito triste, por causa do acidente com o avião da Air France. Mas, de noite, estreei em um aniversário de 90 anos. Eu nunca tinha ido a um. Confesso que foi uma experiência ímpar. Muito lindo, muito forte, muito inusitado. Aniversário da minha amiga Milly, francesa que morou muito tempo no Brasil, quando era amiga do peito do meu pai. Depois, há muito tempo, ela voltou a morar em Paris, lugar que adora. Tem boa parte da família em São Paulo, mas se sente muito bem em sua terra, a França. Mesmo aos 90 anos, sente-se respeitada como cidadã – cuidada.

  Pois bem. Achei mais que justo estar em Paris nessa data tão especial. O cocktail foi na casa de um vizinho dela, que tem 87 anos. O jantar, no apartamento ao lado, uma cobertura, de um casal de amigos dela. Tudo muito simples, mas tudo de primeira: dos amigos presentes, todos com importantes laços afetivos, ao vinho Sauternes com foie gras na entrada. No final, um bolo de sorvetes variados, com muitos macarons, aqueles docinhos incríveis, a cara de Paris.

  Fora os amigos, parentes e as delícias, gostei de ver os laços verdadeiros de amizade. Vi gente de verdade. Era uma mesa só, com de 25 a 30 pessoas. Vi uma mulher bonita, divorciada, em seus quase 70 anos, falando da amizade com o ex-marido, de quem havia se separado há muito tempo, quando ele se apaixonou por uma mulher muito mais jovem. Agora, mais velhos, os dois são muito próximos. Ela tinha cabelos curtos, bem grisalhos, pois não tingia os brancos. Toda feliz. Cheia de personalidade e alegria. Alguns casais feitos de gente de verdade, gente fina e sincera. Alguns bens ricos. Outros menos. Mas todos de verdade. Assim como o aniversário de 90 anos, minha estreia no gênero, também foi de verdade. Ironia do destino: uns desaparecem em acidentes trágicos. Nós, e Milly, pudemos festejar a vida.

  O sol grita estes dias… Em Paris. Vim para um aniversário, de 90 anos, de minha amiga Milly. Vai ser amanhã. Nunca fui a uma festa de 90 anos e estou feliz de ter vindo por isso. Cheguei sábado e já bati muita perna por aí, inclusive, vou à mostra de Andy Warhol, no Grand Palais. Mas nesse domingo o que me chamou a atenção quando saí cedo do hotel foram umas motos, todas superequipadas, que vi na rua, estacionadas. Incríveis – e todas para alugar! Fui perguntar e estavam reservadas. Se eu quisesse dar uma volta de uma hora por Paris, na garupa, custaria 75 euros. Mas só no dia seguinte!  Outra coisa que me chamou muito a atenção foi um assalto que teve na joalheria Chopard, a uma quadra do hotel Ritz, na esquina da rue Saint-Honoré, quase na place Vendôme, a mais chique da cidade. Duas horas da tarde, um mega-assalto… E ninguém sabe, ninguém viu. Aqui em volta só se falava nisso. E nos jogos de Roland Garros e na morte de uma hóspede, uma empresária da Polônia, no hotel Bristol. Foi assassinada pelo cara que estava com ela, um inglês, que fugiu. Ele teria atirado ela pela janela. Sinistro… Tão sinistro como uma outra tentativa de assassinato, ocorrida também dias atrás… no hotel Ritz. Neste caso, a mulher sobreviveu. O que será que deu nessa gente? Vou tentar descobrir.

  P.S.: A segunda-feira aqui em Paris ficou triste, muito triste, em função do acidente com o avião da Air France. Estou muito triste também…