Nesta terça à noite aconteceu uma coisa muito punk na minha vida. Na minha e na da Meire, minha companheira de trabalho querida, desde os tempos em que nós duas trabalhávamos na Folha de S.Paulo. Detalhe: até hoje trabalhamos juntas. Pois nesta terça convidei Meire para assistir Donna Summer no Credicard Hall. Por que esse show específico? Bem, nós duas gostamos da era “disco” e nós duas assistimos juntas a um show memorável de Barry White anos atrás, muitos, no Olympia, na rua Clélia. A gente se divertiu muito e com a vinda de Donna Summer, me pareceu a ocasião ideal para algumas horas de puro desfrute, depois de um período muito difícil para a Meire. Pipoca e Diet Coke na mão, e nada de abrirem as portas. Depois, com mais de uma hora de atraso, soubemos que tinha havido uma crise de energia lá. Aí, me chama de casa, no meu rádio, Goreth, falando que em casa não tinha luz, para eu avisar quando fosse chegar, entrar pela porta dos fundos etc etc. Até aí, tudo bem. Quando comecei a twittar e mandar fotos do show, fui checar se tudo estava entrando direito até que percebi que tinha alguma coisa de errado acontecendo. Fui ler as pessoas que sigo e percebi que o Rio estava apagado. São Paulo estava apagado também. Depois de outras twittadas, notei, pelas respostas, que tinham desligado quase todo o Brasil. Não estava entendendo nada quando entrou mensagem do The New York Times dizendo do apagão geral no Brasil. E a gente, desavisada, mas não muito – graças ao Twitter e minha mania de dividir minhas sensações -, dançando e se divertindo com músicas que marcaram nossa vida. O que eu tenho a dizer sobre tudo isso? Que twittar virou algo delicioso – e fundamental - na minha vida. Segundo: que o gerador do Credicard Hall é danado – parabéns a Fernando Altério, manda-chuva do pedaço. E que tudo bem ter de administrar a ira de vários de meus seguidores achando que eu estava alienada, biruta. Nada disso, amigos. Apenas fui poupada da pior parte do apagão. Me diverti num show, relaxei, dancei, provavelmente porque era isso que eu merecia naquela hora.

P.S.:
Foram muitos os comentários sobre meu momento de redenção, alforria, liberdade, ousadia e, para alguns, falta de civilidade e educação. Essa questão, pichação, sob o prisma romântico da coisa, mexe comigo. Não no aspecto vandalismo, mas sim no poético. E mais: aos que me perguntaram o que foi que pichei há muito tempo atrás, num muro do Jardim Europa, aqui vai a resposta: “Viver da própria luz”. Frase que mexeu comigo especialmente, tirada de uma canção de Djavan. Freud explica.

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