Eu voltei
Depois de um tempo fora desta loucura que é São Paulo – que eu gosto muito, aliás -, cá estou eu de volta neste espaço. Passei dias de muito sol e mar. Fiz caiaque, amei. Nadei de pé de pato e snorkel. Tomei caipirinha de caju com limão e sakê, foi tudo. Campari com tônica e limão ao cair da tarde. Visitei amigos, fui ao Gantois pedir a benção aos orixás. Circulei por Salvador antes dessa confusão toda que se instalou. Confesso que a força e a dedicação de ACM fazem falta por lá – concordo com Caetano Veloso: Salvador já foi muito, mas muito melhor do que está hoje. Muito. Mas acredito, sim, que as coisas podem mudar. Eleições existem justamente para isso. Voltando a São Paulo, cheia de energia e devidamente revigorada, hora de fazer a revisão. Nesta segunda-feira fui ao check-up semestral no meu oncologista. Senti uma coisa que mesmo nas outras consultas jamais havia sentido: a diferença de estar lá para um acompanhamento de perto – e não para me submeter ao tratamento em si, coisa que fiz há quatro anos. Entrei na recepção, um confortável casarão no Jardim Europa, depois de ter cumprimentado o segurança, que sempre foi tão gentil comigo, esse tempo todo, principalmente nos momentos em que eu estava mais frágil. Olhei em volta. Vi todos aqueles doentes. Algumas caras mais abatidas, outras cheias de esperanças. Enfermeiras, secretárias, um mundo de gente. Senti pela primeira vez, claramente, tudo o que foi esse processo todo. E, principalmente, como é bom olhar para isso tudo dois passos adiante.