Não tá fácil, não. Os tempos modernos viraram nossa vida de cabeça para baixo. Essa urgência, essa atenção desmedida a coisas e relações que pouco interessam em detrimento de outras coisas que são muito interessantes… Bem, isso tem sido motivo de muita conversa e muito divã estrelado das grandes cidades. Adicione-se a isso esses momentos realmente difíceis que estamos vivendo aqui no Brasil e a coisa fica feia.

Mas quem vive aqui sabe – mais ou menos – conviver com e enfrentar crises. Lembro do AI5 quando era pequenininha, em casa, ao lado de meu pai e da minha mãe. Lembro de um corpo agonizando na rua Atenas, no Jardim Europa, desovado por alguém nesses tempos de chumbo. Tudo era muito muito cinza. E tudo isso custou muito, muito caro para o país e para nossa sociedade. Pagamos o preço até hoje. Mas voltando ao aqui e agora, esses tempos tão esquisitos estão fazendo todo mundo colocar o pé no chão. Olhar em volta. E trabalhar muito. Políticas à parte, o fato é que estamos todos neste mesmo barco e somos nós que vamos salvá-lo. Cada vez que trazemos a responsabilidade para nós, tudo fica menos difícil e mais provável de acontecer. Nunca deu certo colocar a culpa no outro. E nem vai ser desta vez.