O ano mal começou, e as coisas ficaram muito feias pro meu lado. Perdemos, minha família e eu, um funcionário querido que trabalhava há 30 anos na casa de minha mãe, o Nivaldo. Cozinheiro de mão cheia e ser humano de primeira. Foi atropelado e não resistiu. Ele nos faz muita falta. Muita. Antes disso, perto do Natal, minha farmacêutica querida, da Weleda perto da minha casa, com quem eu tinha uma relação próxima, também morreu, do coração. Bel já está fazendo falta. E foi assim que meu ano começou. Mas talvez por merecimento, acredito, minha vida deu uma guinada, e graças a uma amiga querida, fui parar no Vietnã. A viagem, maravilhosa, foi com um grupo de amigos. No total éramos nove, e incluiu Laos, Cambodja e norte da Tailândia, no Golden Triangle, como eles chamam o pedaço onde se plantava ópio, do ladinho de Myanmar. Não sei se foi o grupo, afinadíssimo e divertidíssimo, ou esses lugares encantados, ou tudo junto, mas o fato é que posso dizer que essa se transformou na melhor viagem da minha vida. E eu também, acho, me transformei numa coisa que ainda não entendi direito: tô mais calma, mais tranquila, mais feliz. A sensação de imensidão, de sair daqui, passar por Veneza e desembarcar em Hanói mexeu com minhas raízes, com as estruturas. Tirou minhas carcaças e me deixou leve e solta. No Laos, me senti hippie, na vibe dos monges budistas que acompanhei às 5 da manhã – isso depois de dormir uma noite num barco em Halong Bay, talvez o lugar mais bonito do mundo. Depois, foi Siem Reap, Cambodja, que me pegou: amei as pessoas, a vegetação, as ruínas e, de novo, a vibe incrível e a alegria. O ponto final foi uma reserva de elefantes no norte da Tailândia, perto de Chiam Rai, onde a gente dormiu em tendas –luxuosas, bem entendido, assim como os hotéis da rede Aman onde nos hospedamos no Laos e Cambodja, uma loucura. Voltei encantada, feliz. Cheia de energia. E certa de que tem muito mais entre o céu e a terra do que pensa nossa vã filosofia.