Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

 

Não tenho ido ao cinema –embora esteja louca pra assistir “Frances Ha”, “Flores Raras” e “A Sorte em suas Mãos”, com o cantor Jorge Drexler, que eu amo, de ator. Não tenho ido também a exposições nem ao parque Buenos Aires ou na feira de orgânicos. Agosto é assim, tudo meio murcho. Fui em um fim-de-semana ao Rio, senti saudades de São Paulo, mas na segunda de manhã, na hora de voltar, sucumbi e fiquei novamente apaixonada. Não existe coisa mais linda que o Rio com solzinho manso. Meus amigos dizem que eu estou vivendo aquele período chato entre o Carnaval e o Natal. Que sou movida a férias, a verão. Sou mesmo. Só aguento o ano todo, o stress, a correria, porque sei que no meio do ano tem o verão… na Europa. Dias de sol me fazem sorrir um pouco mais. Dias feios me deixam cinza também. Vira tudo sombrio. O que me deixa feliz? As aulas de cross fit –e o meu progresso-, as aulas de literatura às segundas com José Feres –se bem que Clarice Lispector está me deixando macambúzia… meio angustiada-, meu cachorros, a yoga. Almoços de domingo em família, bagunça –amo. Massagens, os livros que leio –e o que escrevo. Olhar em volta, ver quem eu posso ajudar –seja com palavras ou com atos, eu gosto disso. Gosto de conversar com meus amigos bem próximos ou com gente que não conheço. Mas acima de tudo, gosto de me sentir segura e tranquila. E é justamente por isso que estou tão desconfortável.

Pode até parecer que sou ingênua, mas não sou – muito. Só um pouco… Faz tempo que observo gente. Gosto disso, muito, gosto de conversar com gente que não conheço, principalmente. Gosto de observar, de conhecer mais, de aprender com gente de outros universos. E por isso estou tão interessada naquele personagem da novela das nove, aquele que sempre perde e recupera a memória, que às vezes era pobre e às vezes era rico. Quando é pobre se chama Gentil. Quando é rico, nem lembro o nome dele. Sintomático: gosto bem mais da versão pobre. Acho que ele mesmo gosta mais de sua versão pobre. Quando ele mora no subúrbio, é uma bagunça, uma alegria. São superunidos, ele, a Márcia, de Elizabeth Savalla, com quem acho que ele casou, e a biruta da Waldirene, Tatá Werneck. Esse é o núcleo mais divertido e mais interessante da novela. Mesmo com problemas básicos, tipo como ganhar dinheiro pra sobreviver, já que eles não têm, eles são felizes. Bastante. E se divertem. Muito. Quando o personagem está entre os ricos, é tudo sem graça: problemas existenciais, disputas, puxadas de tapete, mulher chata. Pobre é bem mais solidário, admitamos. Mais divertido e mais engraçado. Tem churrasco na laje e basta um bom pagode pra todo mundo ficar feliz –e não é só na novela, não. Não estou condenando quem tem dinheiro, nem pensar. E nem dizendo que a vida sem ele é melhor, nada disso. Mas eu estou atenta.