Que coisa boa é saber que o papa está por perto. Ouvi seu discurso em Aparecida nesta manhã e confesso que a cada dia que passa, mais eu tenho admiração por Francisco. Não sou católica, mas gosto muito de religião e tenho simpatia por quem também gosta de qualquer religião. Gosto de sentir o efeito de uma boa prédica de um bom rabino, acho reconfortante. Gosto de um discurso bem colocado, de palavras que confortam e dão esperança. Francisco tem o dom da palavra, a simpatia, faz a gente acreditar no que ele fala. Em dias de manifestações e muita confusão na paralela, não poderia haver um bálsamo mais bem-vindo. Assim como foram mais que bem-vindas as pequenas férias que tirei neste mês, dez dias na Grécia, meu destino  preferido no verão europeu. Vou explicar uma coisa: sou movida a energia solar. Não funciono bem em dias cinzentos. Passar dez dias de sol em Mykonos, uma das mais belas ilhas gregas, é um prêmio para mim. Primeiro porque amo a Grécia, os gregos, o iogurte de lá, o mel, as frutas, o queijo de cabra, o azeite, as azeitonas e até os vinhos. Amo a paisagem árida e tenho certeza que naquele céu azul pairam filósofos, deuses e deusas cheios de sabedoria. Parece que estando lá eu sempre aprendo um pouco mais. Gosto muito do povo, dos habitantes da ilha. Amo as praias e suas tavernas. Em uma delas, aliás, de difícil acesso e pendurada no mar, vi um daqueles gregos, tipo que poderia ter sido amigo do Zorba no filme . Conhecido dos donos do restaurante, o Spiglia, ele chegou, escolheu uma mesa e se sentou, sozinho. De costas para aquela vista deslumbrante, aquele mar cheio de azuis e verdes, e um sol radiante. De costas para a natureza gritando, mas de frente para os ouriços, que ele comia com prazer. Ah: ele também olhava para a bunda de todas as mulheres que passavam. Com prazer maior ainda.