Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Este fim de semana foi de muita emoção. De profundidade, de revelações. Estive em contato com duas mulheres muito especiais: a Lavínia, criada por Marçal Aquino e levada ao cinema por Beto Brant, e a Zezé Macedo, vivida no palco por Betty Gofman, criada por Flávio Marinho. Em janeiro, enquanto estava em Salvador, eu li “Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios”. Fiquei muito impactada. O Pará de Marçal Aquino me lembrou a Colômbia de Gabriel García Márquez, meu escritor favorito. Fiquei mexida com o cenário, com a personagem, uma mulher muito, mas muito especial. Frágil mas extremamente forte. Tipo que deixa marca na gente. O filme é outra maravilha: atores, como Gero Camilo e principalmente Camila Pitanga, que chegou ao lugar que, imagino, toda atriz sonharia chegar: nas profundezas da alma. Fiquei muito ligada ao Pará desde que fui a Belém, para um trabalho, no final do ano passado. No filme, até do carimbó, aquela dança que agora Gaby Amarantos hypou, eu gosto. Amo. Todo aquele cenário amazônico, aquela história densa, profunda, tudo mexeu comigo. Recomendo super. Eu e todos as críticas que tenho lido. No dia seguinte, fui assistir ao espetáculo “A Vingança do Espelho”, sobre a vida de Zezé Macedo, a estrela gauche das chanchadas brasileiras. Betty Gofman dá um banho em cena, de carona na vida inusitada de uma atriz famosa por ser muito feia. Zezé Macedo, além da carreira vencedora, com a qual sonhou desde pequena, nunca achou que o fato de não ser bonita iria lhe atrapalhar. Tinha autoestima lá em cima e, se não teve um início de vida feliz, depois se casou com um rapaz dez anos mais moço, com quem ficou junto até ela morrer, 36 anos depois. A peça mostra muita coisa. Faz a gente pensar – e repensar conceitos e ideias pré-estabelecidas que, na verdade, fazem muito pouco sentido. Uma espécie de breque para essa loucura narcisista que a gente vive. Duas mulheres muitos especiais: Lavínia e Zezé. Com histórias muito difíceis, mas que, à maneira delas, chegaram lá.

Fui madrinha de um casamento muito especial neste sábado. O noivo é meu treinador, faço ginástica e troco não confidências, mas experiências com ele há quase 12 anos. Ele era viúvo, perdeu a mulher muito cedo, ela com 30 e poucos anos. Eu conhecia bem os dois e acompanhei tudo: a descoberta da doença dela, o diagnóstico tardio e o duro tratamento, até o final. Ele era um excelente marido, especial mesmo. Pois bem, encontrou uma nova companheira, uma moça bacana, e se casou no sábado. Era em um sítio, perto de Itapecerica da Serra, lugar bonito. Mas… na hora de os padrinhos se prepararem para entrar, o noivo falou: “Joyce, assim como você, Fabio e Moraes também estão sozinhos. Vocês se incomodam de entrarem os três juntos?” O quê??? Que saia godê! Na hora, nós três juntos olhamos e topamos a sugestão. E, na hora H, entramos na passarela vermelha. Depois de vários casais ortodoxos, nós: os empresários – e meus amigos! – Fábio Meneghini, Marcos de Moraes… e eu! De braços dados – com os dois! A sensação? Não tenho palavras para explicar: de-li-ci-o-sa! Como é bom fazer as coisas diferentes, da maneira como elas chegam e se mostram – não como deveriam ser. Como é bom tomar atitudes heterodoxas em momentos tão ortodoxos. A cerimônia foi uma coisa, claro, especial para os noivos, imagino, e também para parentes e amigos. Mas, principalmente para mim, uma espécie de dona Flor às avessas, e meus dois “maridos”.