Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Nesta sexta fui ao velório de Eliana Tranchesi. Eu conhecia ela desde que a gente era bem mais moça, antes mesmo de ela se casar com Bernardino Tranchesi, pai de seus três filhos. Um dia triste porque uma amiga de tanto tempo, que sofreu tanto por causa de um câncer no pulmão, finalmente sucumbiu à doença. Não vou falar da empresária visionária e ousada que fez marcas famosas do mundo inteiro olharem para o Brasil. Não vou falar dos perrengues pelos quais ela passou, das coisas complicadas que enfrentou. Estou apenas pensando na vida… Nos tempos em que a gente era mais moça e que tudo parecia mais fácil. Nem sei se era realmente mais fácil, na memória ao menos me parece… Mas o fato é que hoje pensei muito na vida. O que é viver, o que é ser feliz, os momentos, as fases difíceis. O engraçado é que eu tinha pensado em escrever aqui sobre a importância do Carnaval. Sim, verdade. E vou fazer isso, porque para mim, isso tem a ver com vida. Nos dias que passei em Salvador, em que me diverti muito, mas muito mesmo, eu pensei na importância da alegria. Do descompromisso. Da leveza. Que bênção morar num país onde a gente para quatro dias – e meio – para celebrar a alegria, a fuzarca, sem pensar em “falta de produtividade” ou coisa do gênero. Trabalho é bom e eu gosto. Mas alegria é fundamental. Parar para brincar, se divertir, cantar e pular é muito mais importante do que muita gente imagina. Lavar a alma. Dar um reload. Conheço um monte de gente que detesta Carnaval, que acha tudo uma bagunça, muita confusão, bobagem. Pois eu adoro a vida. E amo Carnaval.

Depois de um tempo fora desta loucura que é São Paulo – que eu gosto muito, aliás -, cá estou eu de volta neste espaço. Passei dias de muito sol e mar. Fiz caiaque, amei. Nadei de pé de pato e snorkel. Tomei caipirinha de caju com limão e sakê, foi tudo. Campari com tônica e limão ao cair da tarde. Visitei amigos, fui ao Gantois pedir a benção aos orixás. Circulei por Salvador antes dessa confusão toda que se instalou. Confesso que a força e a dedicação de ACM fazem falta por lá – concordo com Caetano Veloso: Salvador já foi muito, mas muito melhor do que está hoje. Muito. Mas acredito, sim, que as coisas podem mudar. Eleições existem justamente para isso. Voltando a São Paulo, cheia de energia e devidamente revigorada, hora de fazer a revisão. Nesta segunda-feira fui ao check-up semestral no meu oncologista. Senti uma coisa que mesmo nas outras consultas jamais havia sentido: a diferença de estar lá para um acompanhamento de perto – e não para me submeter ao tratamento em si, coisa que fiz há quatro anos. Entrei na recepção, um confortável casarão no Jardim Europa, depois de ter cumprimentado o segurança, que sempre foi tão gentil comigo, esse tempo todo, principalmente nos momentos em que eu estava mais frágil. Olhei em volta. Vi todos aqueles doentes. Algumas caras mais abatidas, outras cheias de esperanças. Enfermeiras, secretárias, um mundo de gente. Senti pela primeira vez, claramente, tudo o que foi esse processo todo. E, principalmente, como é bom olhar para isso tudo dois passos adiante.