O ano terminou com aquela correria e estresse de sempre, eu cheia de alergias, com respiração curta. Antes de as luzes de 2011 se apagarem, muitas notícias tristes: a morte de Daniel Piza e de Fred Suter. Um super são, de apenas 41 anos. Outro, já doente, de 60 e poucos anos. Os dois jornalistas. Os dois meus conhecidos. Recebi a notícia em plena temporada de férias de Natal e confesso que, claro, fiquei muito triste. Principalmente com a de Daniel, de quem eu era mais próxima. Tudo muito estranho. Estranho como a vida é. Eu estava em Trancoso à beira do mar, em um cenário tipo paraíso – só que com muitos, muitos insetos, daqueles que não deixam a gente se esquecer das férias mesmo, depois de elas já terem acabado. Essas histórias tristes me fizeram lembrar de um telefonema que recebi às vésperas de viajar. Estava em casa quando atendi a uma chamada no meu celular. Era um homem falando em inglês, perguntado se eu conhecia alguém de uma determinada família. Ele havia chegado a mim por indicação de um rabino próximo e querido. O sobrenome que ele procurava era o do meu cunhado. Passei na hora o telefone de contato, mas não sem antes escutar a história: essa pessoa que ligou morava em Nova York e tem um pai que ia comemorar 90 anos. E quando perguntado por esse filho o que queria de aniversário, pediu que ele achasse uma antiga namorada que havia conhecido na Polônia, antes da guerra. Fiquei muito emocionada ao saber que, de uma certa maneira, eu estava participando quase de um milagre. De um reencontro que tinha tudo para não acontecer. De uma história de amor profundo e verdadeiro. A vida é mesmo inesperada. E às vezes, pode ser bem engraçada.