Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Realmente, trabalhar nesse mundo de vaidades não é fácil. As pessoas, em busca de projeção, perdem totalmente o senso, o profissionalismo ou qualquer outra qualidade que por ventura tenham. Discuti isso num almoço com um amigo. Depois, tive de enfrentar gente que mistura vaidade com compromisso profissional, além de outras agruras que me cabem no dia a dia. Não reclamo, não. Também não me assusto: tem gente de tudo que é jeito, com egos frágeis e atitudes indelicadas. Muita. Nem todo mundo é bacana neste mundo. Nem todo mundo tem modos e nem todo mundo é profissional de verdade – na primeira dobrada de esquina, essa gente tropeça no próprio ego. Tem gente que quer aparecer mais do que seus próprios clientes, acredite! Tem de tudo. O circo vive armado. Mas também tem muita, mas muita gente legal. Gente como Meire Marino, que trabalha comigo há 20 e tantos anos, desde a Folha de S.Paulo, na qual nos conhecemos. Desde aquele tempo lá atrás, Meire me falava dos Águias da Cadeira de Rodas, um time de basquete que ela dirigia, formado por cadeirantes, todos com histórias de vida muito difícil. Meire remava literalmente contra a maré, tempos muito difíceis, duros, sem dinheiro para nada. Hoje, 20 e tantos anos depois, continuamos trabalhando juntas, e tenho a honra de viver um momento muito especial com ela. Nesta semana, comemoramos, nós aqui do Grupo Glamurama e os Águias, o início de nossa parceria. Sim, estamos juntos de verdade: os Águias agora são parte da família Glamurama. A alegria desse anúncio é imensa. Nada que qualquer pessoa desavisada ou mal-intencionada possa atrapalhar. Com licença, mas esse prazer é todo meu.

No fim de semana passado, no meio do feriadão que passei no Rio, eu resolvi ir almoçar num lugar que há tempos eu queria conhecer: o Braseiro da Gávea. Estou acostumada a ir todos os dias ao Celeiro almoçar quando estou no Rio. Posso me considerar uma consumidora tipo natureba: gosto de comidas mais orgânicas, leves, cheias de grãos, mais tipo cozinha bem natural. Claro que também adoro os pastéis do Alvaro’s, no Leblon, mas como com culpa. No mínimo três, de queijo, mas todos com muita culpa. Muita. Também tomo caipirinha de limão, de vodka, com bastante gelo. Adoro o sorvete da Mil Frutas, de limão com casquinhas de laranja. Mas voltando ao Braseiro, saí da praia tipo 3 e tanto da tarde e fui para a Gávea. Fiquei na fila – sim, o Braseiro sempre tem fila, qualquer dia e a qualquer hora… Quando sentamos à mesa, não sabia como me comportar: vi uns espetos com linguiças passando e pensei que talvez fosse tudo prato fixo. Mas logo, logo, entendi: o garçom com a linguiça parou na minha frente com aquele espeto enorme e foi colocando uma no meu prato. O que eu fiz? Nem titubeei: coloquei molho vinagrete – e a comi todinha. E mais: ganhei outra e também comi a outra. Agora, você, querido internauta, deve estar pensando o que isso tem de tão estranho… A questão é que eu não comia linguiça há uns 20 anos, mais ou menos. Minha crença numa alimentação saudável – e outras tantas tão chatas quanto – não me permitia. Acontece que estou vivendo um momento único, de novas sensações, novos desafios, novas realidades. Pois bem: as duas linguiças foram um marco para mim, de libertação, de alegria, de transgressão e felicidade, muita felicidade. Tudo bem que depois voltei pro meu franguinho grelhado… Mas aquelas duas linguiças me mostraram que, agora, os tempos são outros. E eu estou mais feliz.