Começou a temporada de finais de dia melancólicos: esse é o outono, preparando o inverno. Eu, vulnerável que sou, acompanho as estações: no verão sou shinning. No inverno, macambúzia. Estes dias fiquei, como boa parte dos paulistanos, mobilizada pela discussão do metrô em Higienópolis. Mais do que a estação em si e a discussão entre “patrões” e “empregados”, fiquei mobilizada, mesmo, com as declarações desastradas de um dos meninos do CQC. O esquisito é que declarações desastradas têm sido uma tônica entre eles… Não estou aqui para discutir até onde um humorista pode ou deve ir, mas sempre acreditei que pessoas com sensibilidade podem ir muito além e se destacar no que fazem – no bom sentido, quero dizer. A falta dela pode gerar grandes conflitos – como foi o caso desse rapaz. O que é sensibilidade? É sentir não só a si mesmo, mas também sentir as pessoas em volta. Sentir o que se quer transmitir, até onde se quer chegar. Tudo de verdade. Parece complicado, mas isso não é algo que a pessoa tenha de se esforçar; o próprio exercício da sensibilidade ocorre naturalmente para essas pessoas especiais. O contrário é se deixar ocupar por seu ego. Tradução: “se achar”. Muitas pessoas que ficam famosas ou mais conhecidas correm esse risco de perder o contato com a realidade. Que pena que dá delas…