Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Dia de luz, festa do sol, mais uma tarde em Salvador. Minha temporada de prazer está chegando ao fim. Melancólica? Não. Tempo de voltar, até pra ter de novo desejo de mar, sensação de quero mais. Tenho pensado muito no que me faz voltar a cada ano, no mês de janeiro, a esta cidade. Sei que os baianos daqui são um dos motivos de meu bem-estar: adoro os rapazes da Perini, o Santa Luzia local, onde faço minhas compras de supermercado. Adoro, em sua maioria, os motoristas de táxi, os garçons do Yatch Club, onde nado naquele marzão verde-esmeralda todos os dias. Gosto dos vendedores das lojas onde compro as roupinhas que Petúnia traz do Oriente, toalhas de banho, nadadeiras e máscara. Gosto dos garçons do La Lupetta e do Soho. Adoro conversar com Domingas, a moça da banca de revistas – ela é fã da J.P., da Poder etc etc. Adoro ir a shows no verão aqui, porque a gente nunca sabe de fato o que vai rolar: Caetano entra no palco no dia de Mart’nália, o vento entra a céu aberto na Concha Acústica. Bebel Gilberto e Edu Lobo fazem shows antológicos no Castro Alves. Carlinhos Brown, cercado de logotipos de patrocinadores por todos os lados, faz seu som comendo pelas bordas. Lota o Museu du Ritmo e todo mundo sai de lá feliz da vida – e olha que não é pouca gente, não. O Cortejo Afro, sempre às segundas, no Pelourinho e por aí vai. O que posso esperar mais de uma temporada de verão? Não, não quero saber só de sombra e água fresca, um livro e uma rede. Quero mais: quero nadar, quero conversar, tomar caipirinhas, muitas, de caju, de lima, de limão, de jabuticaba. Quero uma vida social onde a alegria seja rainha – e eu, apenas uma simples figurante…

Realmente ainda não me entendi direito com essa história de escrever todos os dias aqui. E o pior: quando eu perco um dia, vou ficando com vergonha, vergonha… e sumo do mapa. Ontem, aqui em Salvador, fui jantar com amigos e Duda, uma amiga querida, leitora e seguidora atenta, me explicou que eu não posso sumir assim…. E que, caso eu precise dar uma sumida, que eu avise todos vocês que me lêem aqui. Ela tem toda razão e eu estou mais envergonhada do que nunca… O mais engraçado é que adoro escrever, principalmente aqui, onde me sinto livre, leve, solta, podendo falar e discutir os assuntos mais estapafúrdios… Nesse tempo em que sumi, passei pelo frio de Nova York, em dezembro, enfrentei um fim de ano louco e desenfreado, como a maioria dos paulistanos – ou brasileiros? ou seres humanos? Ao contrário de muitos, escapei antes do Natal para um paraíso perdido no sul da Bahia, perto de Caraíva. Nada de ar refrigerado. Nada de internet, óbvio. Nada de tevê. E para tentar falar no celular, escolhi um coqueiro no jardim, me apossei dele e formamos, pode se dizer, uma parceria que foi muito boa enquanto durou. Claro que na véspera do Ano Novo, na verdade nos dias 30 e 31, nem meu coqueiro e cúmplice compareceu. PT! Digo, perda total! Desastre! Só fui falar com amigos e família nos primeiros dias do ano – mesmo assim, na ponta da praia, escondida atrás de uma cabana de sapé… Tudo isso foi maravilhoso e tudo isso tem colaborado para eu começar o ano mais tranquila, com as ideias mais claras. Estou até falando mais devagarzinho, mais mansinho… Claro que isso tudo é consequência de 21 dias longe da minha rotina, longe de casa e do trabalho. Longe das chuvas e das trovoadas. Na minha vida, os dias têm sido de sol… Espero que na de vocês aconteça o mesmo, independente das chuvas de verão.

P.S.: Queria deixar claro o quanto estou horrorizada e triste com os efeitos catastróficos das chuvas no Rio e em São Paulo. Ajudar é mais que urgente. Orar também.