Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Saudades de escrever. Saudades daqui. O que não quer dizer que seja fácil comparecer todas as semanas como eu gostaria. Por que? Porque adoro escrever, uma das coisas que mais gosto no mundo. E gosto também de agradar meus leitores-internautas, que tanto me cobram a cada chá de sumiço que tomo. Devo dizer que os últimos tempos foram um pouco estranhos para mim. Quero também deixar claro que tive momentos deliciosos como, por exemplo, a viagem que fiz na semana passada com todos os meus irmãos –tenho três- e minha mãe, por causa do aniversário dela, a Buenos Aires. Foi uma delícia estar em família, de verdade. Uma sensação diferente, uma alegria muito especial. Um conforto, um calor…Tive estes dias outros reencontros familiares, mais distantes, mas não menos importantes. Fiquei emocionada. Estive com uma grande amiga que não via há semanas…e parece que a gente nunca esteve tão juntas. Coisas da vida. O fato é que tudo isso mexe comigo, fico mais sensível, frágil. Tenho gente muito bacana à minha volta. Tenho meus cachorros cujo carinho me faz tão bem. Nesses tempos tenho me divertido com Ti-Ti-Ti e devo dizer que a novela -e seu texto, escrito por Maria Adelaide Amaral- é uma das coisas mais divertidas e inteligentes dos últimos tempos. E os diálogos da personagem de Claudia Raia, Jaqueline, abandonada e carente, reclamando que sua mãe foi para Woodstock e nunca mais voltou? Pequenas alegrias em tempos de muita emoção. Assim é a vida. Um pouco de cada coisa. E muito de tudo.

Acabei de chegar de quatro dias em Paraty, por causa da Flip. Posso dizer uma coisa: que delícia estar em um lugar como Paraty tendo como motivo principal uma festa de literatura. Participar de palestras com escritores que já li – como a norte-americana que mora em Londres, Lionel Schriver. De outros que jamais tinha pensado em ler e agora estou supercuriosa – como Salman Rushdie. Uma paixão um pouco tardia – como por Ferreira Gullar. E a certeza que Isabel Allende e eu não temos nada em comum. Percebo que cada vez mais tenho prazer em conhecer gente que tem como ofício trasmitir sentimentos, ideias e sensações por meio de palavras. O mundo que mais amo, do inesperado, do imponderável, da surpresa, da criação. Dizem que a Flip deste ano não estava à altura das dos outros anos. Dizem que Gilberto Freyre como tema não foi uma boa ideia. Posso concordar com essas e com tantas outras avaliações. Mas independente de qualquer opinião ou crítica, devo dizer que a cada vez que vou lá, mais quero fazer parte desse mundo. Mais quero aprender, estar junto de gente que pensa diferente e se expressa de maneira tão original. Para mim, essa é a saída: transmitir ideias importantes de maneira criativa, única. E fazer a imaginação trabalhar, sempre como muito prazer. Aviso: a tarefa não é fácil – nem indolor.