Neuroses afins
Ainda estou sob o efeito avassalador do filme de Woody Allen a que fui assistir sábado à noite. José Feres, meu professor, que nos dá aula de literatura às segundas de noite, em casa, disse que filme tem mesmo de mexer com a gente. Esse fez uma revolução na minha cabeça. Claro que havia espaço de sobra para isso… Resumo da história: um cara mais velho, genial e ranheta, larga sua vida yuppie – chata e óbvia- no Upper East Side de Manhattan, vai para Downtown, entre Nolita e Chinatown, e vive a vida que escolheu, meio freak, sem muita grana mas cercado de amigos -todos inteligentes como ele mas menos ranhetas. Dá aulas de xadrez para crianças do bairro e aí a situação é hilária. Enfim, o que vem a seguir é uma história que aquece a alma, faz rir e faz a gente sentir que sim, existe sempre uma saída até para as vidas mais babacas. O filme se chama “Whatever Works”, “Tudo Pode Dar Certo”, em português. Para mim, deu vontade de voar, sorrir, ficar maluca. Livre para tudo. Não quero contar muitos detalhes porque minha sugestão é que todos assistam a esse filme – e me mandem mensagens dizendo o que acharam. Mas o fato é que quando penso que literatura me tira os pés do chão e me mostra o quanto um autor é um ser especial, lá vem Woody Allen e me faz cair de quatro por um filme seu. Claro que adoro cinema e não só Woody Allen como diretor. Mas devo confessar que suas “neuras” se encaixam muito bem nas minhas…

Cena de "Tudo Pode Dar Certo", novo de Woody Allen