Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Finalmente dez dias de férias. Mas férias de verdade, não apenas uma viagem de trabalho, em que a gente aproveita para passear, ir a museus. Desta vez, descanso, poucos e-mails e muito relax… sol, praia, gente muito interessante, alto astral. Mesmo com a crise afetando muito a Grécia, pode se dizer que Mykonos, pelo menos, não sente muito os efeitos. Se os restaurantes, claro, estão mais vazios, as praias estão cheias, os hotéis idem e a vida, ao que tudo indica, continua. Muita gente vindo de todos os cantos da Europa, americanos, tipos descolados. Sim, apesar de tudo, o mundo continua a girar e as pessoas a se movimentar. É tempo de férias no hemisfério norte, tempo de ir à praia na Europa. Em Mykonos, o por do sol, às 8h15 da noite, pode ter direito a Maria Callas como trilha sonora, um bom dry martini e aquela bola vermelha entrando no mar. Na praia, chega-se tipo meio-dia e só se vai embora depois das 19 horas. O vinho rosé é barato e bem bom. Mas o que importa mesmo é estar de férias. E se sentir como tal.

Praia Panormos, na Grécia - Foto: Joyce Pascowitch

Praia Panormos, na Grécia - Foto: Joyce Pascowitch

Ueba! Hoje é dia de Brasil! Eu confesso: mal sei quem é a bola e tenho trauma de Copa do Mundo. Trabalhei numa, in loco, nos Estados Unidos, e foi duro, muito duro. Muito estressante e eu chorava todo dia… snif, snif. Acho que fiquei marcada e, hoje em dia, confesso que jogos da Copa até me dão arrepios. Não gosto de perder e não gosto também que ninguém perca. Complicado, não? É… mas já que não consigo ser diferente, cá estou eu me preparando para Brasil e Coreia do Norte… do outro lado do mundo. Estou na Grécia, berço da civilização ocidental. Os filósofos pairam entre as nuvens. Isto é, quando tem nuvem… Porque neste verão o calor está pegando e mesmo nas praias de Mykonos, meu endereço preferido nesta época do ano, só mesmo o mar gelado – e transparente – para aplacar a alma. O mar… e um bom livro. Ah, e um guarda-sol bem grande, por favor. Estou lendo um livro que já está me agradando, mesmo no início: “So Much for That”, de Lionel Shriver, autora que vem para a Flip. É o segundo livro dela que leio e posso dizer uma coisa: essa mulher, que escreve para o “Guardian” e “The New York Times”, é uma das melhores escritoras destes tempos. Notas especiais daqui? Para o vinho rosé grego, mesmo o feito em Mykonos, fresco, delicioso. Para o queijo de cabra, mais conhecido como feta cheese, e para o astral dos gregos, que mesmo com a crise na nuca, com um futuro mais para cinza do que qualquer outra cor, tenta fazer o máximo para não deixar a peteca cair. Mais do que nunca, um prazer estar aqui. Que os filósofos me acolham. E me abençoem e iluminem com a sabedoria deles…

Restaurante Nammos, em Mykonos, e praia grega - Foto: Joyce Pascowitch

Restaurante Nammos, em Mykonos, e praia grega - Foto: Joyce Pascowitch

Calor, frio. Sol, chuva. Paris está bem essa coisa clima maluco do século 21. A SPFW rolando a mil por hora, aí em São Paulo, e eu aqui trabalhando para colocar cada vez mais o Glamurama no mapa do mundo. Encontros, conversas, consultas, discussões. Tudo muito interessante, participar de uma maneira profissional deste momento em que o Brasil tem um papel tão importante no cenário mundial. E como ninguém é de ferro, muito menos eu, também dou minhas escapadas, minhas circuladas. Minha curiosidade anda a mil. Nesta quinta, por exemplo, fui, de manhã, ver Lucien Freud no museu de Beaubourg. Nunca tinha visto ao vivo obras dele e fiquei realmente impressionada, mexida. Detalhe: ele tem 88 anos e é neto de Sigmund Freud. Depois, relax no Angelina, um de meus salões de chá preferidos de Paris, tendo como companhia um Croque Monsieur. Pensei comigo mesma: isso é a França… À tarde, uma caminhada pelo Faubourg Saint Honore, corta aqui, vai por ali até chegar no Petit Palais, para ver a mostra sobre Yves Saint Laurent, com direito a filas  todos os dias. Mostra super bem montada, melhor que as do Metropolitan de Nova York. Uma lição de estilo e contemporaneidade. Moda aqui, moda aí. Tudo leva a crer que ela ainda move, e muito, o mundo. Que ela continue cada vez mais a brilhar, encantar nossas vidas, gerar divisas e, principalmente, muitos empregos.

Cá estou eu, de novo, on the road. Tradução: com o pé na estrada. Desta vez na Córsega. Confesso que este ano foi bem na estrada: Londres, em março, depois Nova York, em maio, Londres de novo. Agora, Córsega via Paris. Em Paris, vitrines incríveis como as de Balmain e Céline. Adoro. Gosto de moda e gosto de coisas bem feitas e diferentes, originais. No Bon Marché, a prova de que uma department store à maneira antiga pode, sim, ter uma edição de produtos impecável. Tem de tudo lá. Muitos brasileiros nas ruas, muitos mesmo. Prova também de que o euro realmente está desvalorizado e o real, gritando. Ponto para nós, porque a gente merece. Agora vejo o anoitecer na Córsega e me sinto muito bem, distante de tudo. Pensando em Napoleão Bonaparte e no aroma de immortelle, a flor amarela que brota por aqui. Dizem que Napoleão , quando chegava de viagem, de navio, sentia de longe, ainda no mar, o aroma da immortelle. Uma coisa meio curry, estranha, deliciosa. Entendo perfeitamente o que Napoleão sentia. Hoje estou eu aqui, em 2010, pensando em Napoleão, no mar, nas flores. Sugiro um brinde. Vinho rosé cai muito bem numa noite de pré-verão. Saúde para todos, porque eu vou dormir.

A flor imortelle e água corsa: pé na estrada

Flor immortelle e água Orezza: experiência corsa - Fotos: Joyce Pascowitch

Vou tomar decisão de fim de ano agora. Um pouco atrasada mas é o que preciso fazer neste momento: vou me apresentar aqui neste espaço, neste blog, com mais frequência. Muito mais. Primeiro, porque acho que vocês, meus queridos leitores-internautas, parecem gostar do que escrevo, sinto isso. E segundo, porque eu preciso escrever. Parece que fico engasgada quando não divido meus pensamentos, minhas opiniões, minhas noias. Nestes últimos tempos, passei por Nova York, vi Claude Monet na galeria Gagosian, mas fiquei encantada mesmo foi com Marina Abramovic. Que força é essa, dessa mulher-performance que fica parada horas encarando o visitante que se presta a sentar em frente a ela no segundo andar do MoMA? Fiquei mexida com isso. Obras de arte contemporâneas são um dos meus “pratos” preferidos. Agora, estou de olho em Tracey Emin, uma inglesa incrível cuja obra vi no Victoria and Albert Museum e ao vivo, ela mesma, na festa da Louis Vuitton da qual participei, tudo em Londres, tudo na sequência de Nova York. Tenho dificuldade em fazer viagens triangulares, tipo Estados Unidos e Europa na mesma cajadada. Desta vez, tive de fazer assim. O estresse só foi amenizado porque o jetlag não foi, por causa de minha estreia em um voo da Virgin Atlantic. Que incrível! A disposição das poltronas, o bar logo na entrada, a música – pop – de fundo, a luz nos banheiros e até os personagens do filminho sobre segurança no voo. Só tive um probleminha: não entendia nada do que os comissários falavam… Depois descobri que eles costumam ser todos de Manchester, terra em que o sotaque é dos mais fortes… Ossos do ofício. Cama perfeita, travesseiro, lençol, edredon: estava tudo muito bom. Pena que o voo NY-Londres só dura seis horas, o que impede um sono reconfortante. Um chá completo na Cocomaya, meu lugar preferido na cidade, me fez sentir que, sim, eu tinha mudado de continente. A festa e a inauguração da loja da Louis Vuitton me fizeram também ver que, sim, eu estava no primeiro mundo. Todos os lugares têm sua graça, seu encanto. Principalmente minha casa. Em São Paulo, Brasil.