Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Dias intensos. Como sempre, vocês dirão. E eu vou concordar. Mas estes dias tive também algumas experiências incríveis. Como, por exemplo, uma sobremesa que experimentei depois de um jantar nas estrelas comandado por Murakami, o top chef do restaurante-luxo Kinoshita. Por que tão especial? Porque era levíssima e feita de frutas, bem como eu acho que uma sobremesa deve ser. Tinha fatias finíssimas de manga, armadas numa espécie de ravioli grande, com uma bolinha de sorvete de uvas verdes. Hum… Leve, muito, e refrescante. Depois de um jantar japonês e um saquê idem, leve também, a maneira ideal de finalizar uma experiência dessas. Domingo passei o dia inteiro sem sair de casa. Vi muitos gols na TV, ou melhor, ouvi de longe – e o Corinthians venceu, que bom. Nesta segunda começou o Pessach, mais conhecido como a Páscoa dos judeus. Jantar na segunda e jantar nesta terça, são dois dias de muitas histórias, celebrações, de redenção. Eu gosto disso. Gosto de lembrar que a vida não se resume a lançamentos, cocktails e contas novas. No Pessach se fala muito da travessia do deserto pelo povo judeu. Aprendi que o deserto pode ser bem mais do que um terreno vazio, enorme, árido. Pode ser também uma coisa interna, que a gente carrega no peito e que é muito difícil também de atravessar, de superar. Por isso, quero aproveitar este espaço aqui e este dia especial para desejar algo também muito especial: que o deserto de cada um de vocês seja percorrido com esperanças, muita força, garra – e que ele, apesar de difícil, seja sempre iluminado.

Esta quarta foi um dia muito especial por aqui. Teve mais uma daquelas palestras que a gente produz na Casa Glamurama, para os funcionários. Já tivemos frei Betto, Silvio Genesini, os dois incríveis. Mas desta vez, Amyr Klink arrebentou a boca do balão. Claro que eu já sabia que ele era um palestrante e tanto. Mas aqui, nessa noite, ele parecia um amigo contando histórias ao mesmo tempo profundas…e engraçadas. Muito engraçadas. Amyr falou por mais de uma hora e meia e ninguém conseguiu desgrudar dele. Mostrou fotos e, principalmente, falou porque escolheu esse tipo de vida, o que é ser um navegador “solitário”, como é viver na adversidade… E como é viver a vida comum de todo dia, depois de ter passado por isso tudo. Amyr é das poucas pessoas que conheço que realmente foi à luta. Foi atrás não só de um sonho, mas também atrás do que ele acreditava. Queria ser dono do seu tempo e para isso passou um mês sozinho nas geleiras da Antártica. E lá descobriu que esse sonho era impossível… Lidou com sua própria onipotência, viu as filhas crescerem à distância –mas sempre muito perto. Falou muito bem de sua mulher, Marina –o que animou muito a platéia, principalmente feminina. Foi um banho de alegria, de esperança e de fé. Não aquela fé religiosa, mas sim a fé de acreditar em algo que a gente queira muito –e fazer isso. A fé de persistir nas nossas escolhas, mesmo que ousadas. E a enorme alegria de chegar lá.

Outono tropical. Mas o programa “Pode Entrar!”, que fizemos nessa terça na TV Glamurama, e as aulas de filosofia, que retomei nesta segunda, me fazem sentir que estou viva, muito viva, apesar de o calor tentar acabar comigo. Mas não, eu sou mais. Tem duas coisas que adoro: conversar com gente inteligente – e aprender. Acho que uma tem tudo a ver com a outra, aliás, são quase a mesma coisa. Afinal, o que tem a vida de tão mais interessante e profundo do que isso? Comecei um curso novo com um novo professor. Detalhe: estou adorando. E, para dar início aos “trabalhos”, ele leu um livro… infantil. Leu e mostrou as ilustrações. A história era sobre um grupo de ratinhos e sobre um deles em especial, que não trabalhava enquanto os outros trabalhavam… mas era um poeta. Um romântico, que via a vida de outra maneira. E que, no final das contas, ajudou e muito os que tanto trabalharam. À sua maneira – e é justamente aí que está o encanto da coisa. Começar uma semana com uma história dessas já muda tudo o que vem pela frente. E a gente sabe que nem sempre o que vem pela frente são coisas gostosas. Eu pessoalmente nem posso reclamar porque em seguida da aula de segunda, essa que começou com a história dos ratinhos, nessa terça fui a uma exposição incrível de móveis feitos pelo arquiteto Marcio Kogan e sua equipe. Móveis inspirados naqueles que os pedreiros fazem para seu próprio uso durante a construção de uma obra. Só que Márcio deu toques sutis de humor e refinamento a esse trabalho tão autêntico dos pedreiros e mestres-de-obras. Me deu vontade de comprar vários deles. Me deu vontade também de sonhar com novos espaços, outros endereços… Coisas tipo meio inacessíveis. Essa sou eu. Ufa, de volta às origens.

Demorei, mas voltei. Eu voltei, voltei para ficar…porque aqui, aqui é meu lugar….Lararilalá…A música é de Roberto Carlos, mas a alegria é toda minha.
Primeiro, porque parece que agora, eu estou “pegando” de novo, meu motor está em alta rotação. Segundo, porque meu ano começou bem, fui para Salvador, voltei, fui ao Rio, Carnaval de novo em Salvador, depois cinco dias na Lapinha, tentando emagrecer e limpar o organismo…Depois…Londres. Acreditem se quiser: eu fui a Londres! E por que isso pareceria absurdo? Porque, na verdade, nunca gostei muito de lá. Aliás, sempre que ia a Londres ficava meio doente, tinha de ir ao médico, tudo esquisito, muito esquisito. Desta vez, me armei de coragem e aceitei um convite da British Airways e do hotel Dorchester, chiquérrimo. Como já tinha planos de, em março, ir para lá, acabei viajando um pouco antes e fiquei em um hotelzinho super charmoso em South Kensignton. Minhas pazes com Londres começaram a ser feitas quando cheguei ao hotel , formado por quatro casinhas brancas numa ruazinha estreita. A partir de lá, foi só alegria. Irving Penn na National Portrait Gallery foi pura emoção. As galerias de arte, os restaurantes orgânicos e super charmosos em Notting Hill e em Brick Lane, os pequenos parques, o tube, os ônibus. Museus, livrarias –a Daunt, em Marylebone, as lojas…mas só as inglesas! Nada de globalização, estou cansada de tudo com a mesma cara em todos os lugares. Gente charmosa e muito interessante em restaurantes cool, descolados. Mas tudo very british. E assim mesmo, ou justamente apesar disso, eu gostei. Gostei muito. O melhor de tudo? Os taxis, claro, e seus motoristas incríveis. E o chá da Cocomaya, em Connaught Street. Irresistível, inesquecível. Aliás, amanhã de tarde, era tudo o que eu queria….Mas o bom disso tudo, que me deixou mais feliz ainda, é que ao ir para Londres, consegui superar um antigo mal-estar em relação à cidade. E mais: adorei. Bye bye…