Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Hoje o dia começou diferente. Acho que o tal dia do perdão, o Yom Kipur, é mais forte do que a gente pensa. Ou, pelo menos, do que eu penso. A gente acorda meio fora do fuso no dia seguinte, depois de jejuar, ir à sinagoga, meditar, orar. Enfim, viver um dia de pensamentos elevados, totalmente diferente dos outros 364 dias que a gente vive no ano. Fiz fisioterapia, fiz ioga. Vim trabalhar. Mas confesso que estou um pouco fora do ar. Será o jejum? Com certeza algum efeito ele tem. Tanta limpeza, no corpo e no espírito, a gente não está acostumada… A vida continua lá fora: a embaixada em Honduras, Polanski na Suíça – que nos remete a um caso escabroso. Cinema no Rio e muitas, mas muitas festas hoje em São Paulo. Na verdade, há muito não vejo um dia com tantos lançamentos, comemorações, homenagens, shows. São Paulo ferve, bate acelerado. Talvez por isso o personagem Sr. R, do livro homônimo que Alberto Renault lança hoje em São Paulo, tenha preferido, melancólico, retirar-se de cena para acompanhar o degelo. Na Groenlândia.

Começa neste domingo o dia mais sagrado do ano para os judeus, o Yom Kipur. Dia de energia máxima, dia de acertar as contas, se limpar para recomeçar uma nova fase. Uma coisa curiosa? Na noite deste sábado, em muitas sinagogas da cidade, aconteceu a cerimônia de Kaparot. E o que vem a ser Kaparot? Vem a ser uma ‘limpeza” astral feita por meio de uma galinha, que os religiosos passam na cabeça da gente enquanto rezamos pedindo para que sejam afastadas todas as forças ruins. Alguém por acaso está achando alguma semelhança com uma cerimônia de candomblé? É… pode até ser semelhante. Longas filas se armam de homens e mulheres esperando seu momento de rezar – a gente lê num papel que distribuem na hora. Depois, as galinhas são sacrificadas e, até onde sei, doadas para instituições de caridade. Enfim, todas as datas especiais religiosas têm sua liturgia. Todas têm um por quê. Eu, de minha parte, gosto de seguir, tenho prazer. E mais: me sinto bem. Melhor ainda se puder convencer algum “desgarrado” a ir comigo rezar, orar ou simplesmente participar. E dividir toda essa energia.

Vestida toda de marinho e preto. Pulôver de lã. Saia e botas curtas. Pode, no final de setembro, em plena primavera? Claro que pode. O clima do mundo está louco. E o mundo em si mais ainda… Mas na tarde desta quinta-feira finalmente comi as primeiras ameixinhas que deram na nossa árvore, aqui na Casa Glamurama, este ano. Na verdade elas já estavam tinindo, prontinhas, mas a chuva era tanta que não dava para ninguém daqui se arriscar para catá-las. Hoje também não pegamos escada, mas conseguimos alcançá-las das janelas daqui. Hummmm… Uma delícia. Pequenininhas mas super gostosas. Sem hormônios e sem adubos químicos. Purinhas, só levemente poluídas… Como tudo e todos aqui em São Paulo. Mas de qualquer maneira, comer frutas no meio da tarde catadas no quintal não tem preço. Parece que a gente volta no tempo –uma coisa Sitio do Picapau Amarelo…Por falar nisso, nessa quarta à noite eu vi um pedacinho do “Saia Justa” com aquela filósofa, Marcia Tiburi, falando de momentos felizes e o que é realmente felicidade. Bem parecido com o que eu penso, sem ser filósofa nem nada. Apenas percebo cada dia mais a importância de comer uma ameixinha pequenininha, tirada na hora do pé.

Nossa, que susto! O comentário que postei segunda à noite rendeu. Mas rendeu muito: até ontem à noite cerca de 160 posts de internautas, discordando muito – e concordando um pouco. Mas posso confessar uma coisa? Adorei. Nunca tinha causado tanta polêmica em tão curto espaço de tempo. Gostei de ver gente se manifestando. Gente explicando porque achava isso ou aquilo. Gente participando.Tive o maior prazer em ler um por um, todos os posts. Internet propicia sensações únicas: a gente fica muito próximo do internauta, numa conversa franca, verdadeira. Isso, na vida real, é bem difícil… Portanto, em primeiro lugar, queria agradecer a participação de todos. Segundo, espero ser honrada com mais visitas de vocês. De minha parte, posso garantir o seguinte: vou me esforçar para gerar conversas cada vez mais ricas. Não sou exatamente polêmica, mas tenho opinião e gosto de discuti-la com vocês. E mais: gosto principalmente de saber o que vocês pensam. Aí, sim, a conversa fica boa…

Hoje, com esta estreia de primavera bem meia boca, achei que não ia ter nem ânimo para escrever aqui. Mas eis que chego tarde em casa, ligo a TV – na hora da novela, claro – e vejo Tais Araújo dando um banho. Vestida de noiva, num diálogo incrível, bem escrito, bem dirigido e, principalmente, bem atuado. Tais de noiva, prestes a casar com o ex-marido de Lilia Cabral. Há muito tempo uma cena de novela não me pega tão forte. Tais mostrou que é das melhores atrizes dos tempos de hoje. E olhe que contracenar com Lilia Cabral não é fácil, porque ela sempre rouba a cena. Dessa vez Tais é que roubou até o ar do estúdio, imagino. Que delícia ver coisas tão boas na TV. Atrizes tão incríveis em diálogos que mexem, ou deveriam pelo menos, mexer com todas as mulheres que pensam.

P.S.: Hoje foi o lançamento do primeiro livro de Letícia Genesini, minha amiga de 21 anos, que vi crescer e desabrochar. Ela estuda Letras na USP. Seu livro de poemas tipo haicais, sutis e até bem-humorados, se chama UMPONTO, tudo junto. A editora, 7 Letras. Uma ótima surpresa. Um orgulho.