Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Dois dias sumida, quinta e sexta passadas. Muita correria para conseguir viajar sexta à noite e cá estou eu, de novo em Nova York. Calor quase de verão, friozinho quase de outono e as mesmas pessoas incríveis nas ruas. Muita personalidade é o mínimo que eu posso falar das pessoas que circulam aqui do lado de baixo da cidade, no West Village, no Lower East Side, em Chelsea. Confesso que cada vez que eu vou lá para cima – leia-se Upper East Side – acho tudo esquisito: as pessoas nas ruas não têm cara de Nova York. Pelo menos, não para mim. Claro que eu vou, sim, pro lado de lá de vez em quando: para ir aos museus, como hoje, ao MoMA. E para fazer umas comprinhas no Barney’s e no Bergdorf Goodman, minhas duas department stores favoritas. No mais, é tudo aqui para baixo. Fico em Chelsea e me locomovo daqui para baixo, principalmente West Village, Soho etc etc. Ontem fui ao Chelsea market, uma espécie de galeria com lojas de coisas para comer, tudo fresquíssimo, de primeira… Andei muito. Pela Bleecker, minha rua favorita daqui, pela Charles, West Fourth, Greenwich Avenue. O verão está chegando ao fim. E para mim está chegando um dos melhores tempos de Manhattan. Fico por aqui. Direto da cidade que se recupera de uma das piores crises que já viveu. E continua fervendo.

  Hoje eu fui almoçar no Parigi. Mas ao contrário de outros almoços que tive lá, de negócios ou do conselho da empresa, desta vez foi uma coisa muito especial: consegui juntar minhas melhores amigas de colégio, com quem tenho me encontrado de vez em quando, com um de nossos melhores amigos daqueles tempos, Benjamin. Esse encontro era um projeto antigo, nós com ele, mas não sei porque de repente, rolou. O mais incrível foi que marcamos apenas dois dias antes – e deu certo. Benjamin é um super empresário, um dos mais importantes do país. Quando liguei pra ele para dizer que gostaríamos de marcar nosso almoço, ele disse de bate pronto: “Que tal nesta quarta?”. Repito: Benjamin é um cara super ocupado, com problemas enormes para resolver no dia a dia. Quando liguei na segunda-feira para ele, sabe quanto tempo ele levou pra retornar minha ligação? Meia horinha. Só isso. Levei um susto de tão rápido que a secretária dele o colocou na linha. Pensei muito sobre isso: eu, que tantas vezes me atrapalho com agendas e sempre preciso de gente para me ajudar, organizar minhas coisas porque acho que tenho trabalho demais… E ele? Tem muito mais preocupações que qualquer uma de nós, ligou de volta rapidinho e ainda marcou para dois dias depois o almoço. Vou confessar uma coisa: conheço muita gente. Muitos homens poderosos. Nunca vi ninguém como Benjamin. Uma vez me disseram que o homem verdadeiramente poderoso e importante é aquele que domina a sua agenda, que tem o controle dela. Posso dizer mais? O almoço foi o maior astral, nosso amigo quis saber tudo de cada uma de nós, se divertiu – apesar de muito preocupado com incidentes ocorridos em uma das obras dele, naquelas horas. Foi um dia muito especial. Um passado cheio de histórias divertidas. E um presente feliz.

Quem de vocês tem pensado nos últimos dias em mudar alguma coisa nas suas vidas? Tipo de endereço, de estado civil, de país, de emprego ou sei lá de que? Pois bem, eu também penso nessas coisas. Mas minhas mudanças, as que eu pretendo imprimir na minha vida, não são radicais, não. Confesso que fico sempre observando pessoas, escutando aqui e ali, observando o mundo. Durante esses dias que passei no SPA, por exemplo, pensei no que vi e que aprendi, que gostei e que pretendo continuar aqui em São Paulo: uns exercícios chineses tipo tai chi, uma espécie de dança de roda…enfim, voltei querendo coisas novas. Nada de grave, mas quero ter outras experiências corporais, pode se dizer assim. Pois bem: nesse sábado que passou, encontrei uma conhecida. Uma mulher muito bacana, paisagista, bonita, interessante e muito viajada. Por ter passado cinco anos se submetendo a tratamentos intensos de saúde e por ter tido sérias complicações, ela disse que agora que está bem, havia resolvido fazer coisas que nunca tinha feito. Até aí, tudo bem: a gente desperta e vê que a vida está aí, prontinha pra ser vivida. Mas Suely – esse é o nome dela – resolveu que queria começar a freqüentar pagodes nas noites de sábado, por exemplo. Tipo Exaltasamba e coisas do gênero…Ela tem ido. Está amando. Mas o programa que mais está mexendo com sua vida, segundo ela me contou, é assistir aos jogos do Corinthians. Sim, ela vai a todos e se senta, não nas numeradas, cadeiras especiais ou coisas do gênero: ela fica na geral. Junto com a torcida do Coringão.

  Nesse sábado cheguei correndo de avião de Curitiba, passei em casa e fui almoçar na casa da minha mãe. Aliás, foi esse o motivo de minha volta: minha mãe fazia 82 anos. Fervida, animada e feliz. Nem pensei em não estar nesse almoço, não preciso nem explicar. Mas confesso que foi um aniversário diferente porque, nos últimos tempos, nos reaproximamos – por meio de minha mãe também – de alguns primos e co-primos (será que existe esse termo?) que a gente não via há séculos. Os caminhos não se cruzavam, a vida tomava rumos diferentes, enfim, aquelas coisas que acontecem em todas as famílias. Mas aos poucos, fomos retomando alguns contatos e aí a gente pode ver como tinha gente bacana na mesma árvore genealógica. E aqui entre nós, como é bom resgatar velhos afetos. Nos últimos tempos, tenho visto com certa frequência um casal de primos, mais religiosos, que adoro, uma outra prima que morava em Washington, todos por parte da minha mãe. Desta vez, o reencontro foi com um primo, filho de um tio-avô que eu adorava, tio José. Ele era muito afetivo… Muito. Nilton, filho único dele e de tia Sofia, foi morar cedo no Rio e a gente raramente se encontrava. Não é que nestas férias de julho, por manobras de minha mãe, eles se encontraram junto com minha irmã etc etc… e todos nós ficamos de novo próximos? O prazer de rever pessoas que já foram próximas, ficaram distantes, gente que realmente tem a ver conosco, isso é único. Porque gostar de família não por obrigação e, sim, por laços mais profundos, é algo a ser muito saboreado. E vivido.

  Sexta -feira, dia de ferver. Eu aqui, debaixo de um céu super estrelado, depois de um dia de muito sol e aquele friozinho de inverno. Hoje fui andando de manhã até o lago. Um gelo… Mas tudo lindo. Passei pela horta, pelo pomar. Depois do almoço, fui passear no bosque. Alguém aí já foi passear no bosque? Uma coisa muito louca. Muito forte. E mais: a gente quase se perdeu. Quase. Uma hora andando lá dentro, um bosque maravilhoso. O sol entrava entre as árvores e a sensação, confesso, foi algo de irreal. Plantas altíssimas. Chão molhado, meio grama,meio pedra. Muitos galhos e algum lodo. Ar puro, puro, puro. Como agora estou limpinha, depois de mais uma semana aqui na Lapinha, nada disso me fez mal… Sim, porque aqui a gente passa mal – só nos primeiros dias, bem entendido – com as coisas boas e sente abstinência das ruins… Conheci gente muito bacana. Muito. Aprendi que tem que mastigar muuuuito antes de engolir qualquer coisa. Claro que já sabia, mas aqui pude exercitar, pela primeira vez, durante tantos dias. Fiz massagens incríveis. Saí muitas vezes em estado de graça.  Mas é bom voltar: amanhã São Paulo ferve de novo. E eu quero é mais.

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