Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

  Esta semana acabei falando mais do que eu devia. Coisas que pensava, sim. Mas não precisava falar naquela hora, naquele lugar, com aquelas pessoas. Incrível quando surge uma onda que a gente não consegue segurar, de raiva, de vontade de explodir e de deixar claro o que a gente pensa. Mas pra que exatamente? Tem vezes que isso é totalmente dispensável. Aliás, na grande maioria delas. Pra que deixar tão claras nossas idéias? O que a gente pensa disso, daquilo ou daquela pessoa? Eca. Não preciso nem dizer o que penso de um monte de coisas, de muitas pessoas. Penso coisas horríveis!  Heheheheh… Não gosto de desperdiçar meu tempo com conversas nada a ver, falando de coisas que não me dizem respeito. Mas também gosto de estar com meus amigos, com os amigos deles. E às vezes é preciso me conter. E muitas vezes não consigo – como num jantar esta semana. Mas depois de perceber que eu tinha ultrapassado o limite do que eu acho correto ou ao menos aceitável, eis que hoje encontrei justamente com meu amigo a quem eu queria me explicar e até pedir desculpas. Vinha pensando muito nisso. De repente, foi uma coisa dos céus mesmo, porque o assunto estava me incomodando. Eu queria me desculpar. E não é que dei de cara com quem eu mais queria falar? Foi muito bom. Assim como é bom na vida dar um “rewind” em muitas situações e tentar vivê-las de novo, de uma outra maneira que não nos incomode – nem os outros. Não quero ficar chateada ou angustiada. Pelo menos não com coisas que eu possa me redimir com palavras – e ações.

  P.S.: Fim de semana? Hum…vou rolar com meus cachorros. Assistir uns DVDs – será que consigo? E escrever.

  Mais um dia cinza. Devo confessar uma coisa horrível: talvez para compensar essa melancolia de inverno, tenho comido pipoca todas as tardes. Isso mesmo. Como se estivesse no cinema, mas sem estar. Já acho chato esses dias, me dá vontade de ficar em casa. Como não posso, pelo menos uma pipoca para me sentir mais confortável, talvez. Claro que não compro pronta – peço milho, margarina e a Ana Paula, que trabalha aqui conosco, faz. Esses dias cinzas são difíceis. Não sei se vocês também acham, mas tendo a ficar angustiada, triste mesmo. Este ano está menos ruim para o meu lado, ainda bem. Mas confesso que faço de tudo para não sucumbir.

  O que eu gostaria mesmo de fazer em momentos desses? Em primeiro lugar, ir ao cinema. Quero assistir a “Caramelo” e “A Partida”. Recomendo desde já, antes mesmo de ver. Sei que os dois são incríveis. Queria também ficar em um lugar sossegado, lendo, ótima opção para um dia como este. Numa biblioteca. Me deu vontade de pegar um livro do Truman Capote, “Música para Camaleões” sobre uma milionária norte-americana que foi morar no Caribe e colocava seu piano – e tocava! – no meio da jungle. Foi Rodrigo Levino que me indicou. Acho que é de tudo o que eu preciso… Talvez também um frozen de chá verde que tem na alameda Lorena, em frente ao Santa Luzia. Enfim, ideias não me faltam. Para tudo. Ainda bem que vivo disso.

  Não sei se é por causa da minha perna avariada – na verdade, meu menisco -, mas o fato é que tenho estado direto em contato com fisioterapeutas. E cada vez mais admiro a maneira como eles tratam de problemas sem remédios ou grandes intervenções. Apenas, com sabedoria, know-how, manipulação e muita dedicação. Acho incrível lidar com as dificuldades que o corpo às vezes nos impõe, mas de uma maneira diferenciada. Detalhe: sempre fui “alternativa”. Não gosto de muitos remédios – a não ser os da Weleda e outros do gênero, antroposóficos ou homeopáticos. Fitoterápicos também entram no rol. Tratamentos que incluem manipulação, massagens, torções com profissionais que entendem de músculos, nervos, ossos e afins me fizeram conhecer um novo mundo que muito me animou: o da fisioterapia. Primeiro porque melhorei muito, só com isso. E um pouco de bom senso, claro. Segundo, porque sempre fico atenta a profissões que não a minha – e às vezes fico muito interessada mesmo. Tempos atrás me encantei por arquitetura. Continuo, aliás, cada vez mais encantada. Um mundo que muito me atrai. Muito. Com meu menisco avariado, descobri o maravilhoso universo da fisioterapia. Recomendo vivamente.

  P.S.: A diquinha do dia é assistir a um DVD de Alain de Botton, o filósofo, falando de Sêneca, meu preferido, e de Schopenhauer. Assuntos: raiva e amor. Abril Vídeo.

  Nesse fim de semana chuvoso, frio e sem graça, acabei me recuperando de uma falha cultural gravíssima: assisti, pela primeira vez, acreditem, ao filme “Breakfast at Tiffany’s” – também conhecido como “Bonequinha de Luxo”. Figurino de Edith Head – será que ainda vai existir algum dia alguém que chegue lá? -, direção hilária de Blake Edwards. Sim, ele mesmo, meu preferido, responsável pela Pantera Cor-de-Rosa de Peter Sellers e pelo seu também “Convidado Trapalhão” –“The Party”-, alguns de meus melhores momentos frente a uma tela de cinema. Pois bem: atrasada mas muito impressionada com a direção de arte, com o papel de maluquinha de Audrey Hepburn. Que personagem incrível, deliciosa, inconsequente. Muitas coisas me chamaram também a atenção e até me chocaram: o fato de a atriz principal não ter um músculo – hoje todas, mesmo magérrimas, são musculosas… E o que todo mundo fuma no filme? E o que eles jogam de bitucas na rua, em qualquer lugar? Nossa, como devia ser divertido naqueles tempos, em que as pessoas bebiam, fumavam e pareciam se divertir muito mais. Também acredito que as pessoas deveriam ficar menos saudáveis, mais doentes por causa disso tudo… Mas e a birutice reinante? E o descompromisso total com tudo? Nossa… me deu uma nostalgia não sei de que: de elegância, de soltura, de não tô nem aí, de uma relação solta com a realidade… e de, acima de tudo, uma elegância na maneira de se vestir, totalmente incompatível com os dias de hoje. Afinal, quem hoje em dia recebe leite em garrafa de vidro entregue na porta de casa? Luxo!

  P.S.: Me deu vontade de todo dia tentar dar pelo menos uma diquinha de algo que eu tenha visto e de que tenha gostado. Ou mesmo experimentado… posso? Bem, neste domingão, tomei – só algumas colheradas, claro… – um sorvete de halewa no Arábia. Que coisa…

  Estou com uma hóspede em casa muito especial. É minha amiguinha do Rio, Ariane. Ela tem 13 anos, nunca tinha vindo a São Paulo e nem viajado de avião. Pois bem, nessa segunda que passou, eu trouxe comigo do Rio minha convidada especial para dez dias na cidade. Primeira surpresa: no caminho para o Santos-Dumont, ela dormiu no táxi! Mas como? A um passo de entrar pela primeira vez num avião e… nada? Segunda cena: dentro do avião: “Ariane, você está com medo?”. Resposta: “Eu não! Estou gostando!”. O voo não teve turbulência e Ariane ficou olhando pela janelinha, deslumbrada com o tamanho de São Paulo. Nestes dias, ela já foi ao Ibirapuera e ficou louca com a avenida Paulista. Foi ao museu da Língua Portuguesa e se encantou com o projeto Catavento, no parque Dom Pedro II. Passou lá três horas. Todos os programas ela tem feito com seu Alberto, meu motorista, que, aliás, está adorando a novidade: conhecer a cidade onde mora – ele é baiano, da Chapada Diamantina. Mas o melhor de tudo isso é ver alguém andando pela primeira vez de avião. Achando a avenida Paulista o máximo. Se encantando com a Oca. Posso dizer que quem mais está aproveitando essa viagem toda sou eu.