Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

  Viva! Vai começar o mês das férias! Iupi! Oba! Uma única reclamação: eu não estou de férias. É… Viajei uns “diazinhos” – uns 14 mais ou menos – em junho, mas não considero isso “exatamente” férias. Férias é quando todo mundo sai, viaja, se diverte. Gozado porque mesmo “gente grande”, eu ainda acho férias das coisas mais gostosas desta vida…

  O que eu queria fazer este mês de julho? Bem, tenho vontade de passar um bom tempo em Formentera, na Espanha. Ou numa praia da Toscana, dessas mais desconhecidas, sem muita gente em volta. Mas até o Rio de Janeiro me deixaria muito, mas muito feliz. Nesta época do ano, o sol é manso, as tardes são lindas. Os estrangeiros continuam jogando vôlei de praia na Garcia, a Mil Frutas está com sabores novos e eu estou com saudades de conversar com as meninas que trabalham no Celeiro. Pensando bem, acho que vou passar uns dias no Rio. Estou merecendo. Por mais que eu tenha viajado nos últimos tempos, sempre fico plugada no meu trabalho daqui – o que acho muito bom, para falar a verdade. Portanto, acho que bem que mereço uns dez dias de sol manso e vida boa. Prometo que aviso antes de ir. E mais: prometo contar tudo que estiver acontecendo por lá. Ou tudo que de alguma maneira me mobilizar. Espero que vocês também tenham um mês de julho excelente. E me contem, please, onde vocês gostariam de estar neste mês. Afinal, não fui eu quem inventei, mas concordo plenamente: a vida é sonho.

  Obras de arte, sejam quadros, canções, peças de teatro, livros ou filmes, quando são bons de verdade… são ótimos. E nada melhor que ser mexido por coisas assim. Eu pessoalmente adoro livros. O último que realmente me comoveu foi “O Fantasma Sai de Cena”, de Philip Roth. Teatro também adoro. Gosto de ver atores ao vivo, de perto. Acompanhar o trabalho deles, ver como eles se movem, falam, se transformam.

  Mas nesse fim de semana fiquei impressionada com o filme estrelado por Dustin Hoffman e Emma Thompson, “Last Chance Harvey”. Roteiro e direção sensível do inglês Joel Hopkins. O mais incrível é que o filme ganhou duas colunas em poucos dias na “Folha de S.Paulo”: de Contardo Calligaris e de Luiz Felipe Pondé. A história dos dois, nada jovens, com vidas difíceis, é como um sopro, um vagalume no meio da floresta. Dois perdedores que conseguem, com muito esforço, deixar de lado seus medos e suas noias para tentar mais uma vez – mas de outra maneira. A história passa pela filha que se casa, pela ex-mulher de Harvey, pelo marido dela. Por padrinhos desavisados e por uma mãe, da personagem de Emma Thompson, tantã. Tem de tudo, como na vida. E o melhor: tem saída.

  O mundo só fala de Michael Jackson… Mais uma daquelas comoções que mexem com a gente, que fazem a gente pensar. O que se pode dizer de tudo isso, desse gênio que marcou a história da música, a nossa própria história? Que criou polêmicas e que nunca se aceitou? Triste vida a dos ídolos, das pessoas muito famosas – sempre pensei nisso. E sempre tendo Michael Jackson como foco principal, já que era ele quem mais demonstrava que essa equação não fechava.

  A vida dessas pessoas não lhes pertence, por isso ficam descontroladas, perdem a essência. Não deve ser nada fácil. Ser o negro mais famoso, ou dos mais famosos do mundo… e querer ser branco. Abrir caminho para tantos outros negros que surgiram depois e não perceber a própria importância, o próprio valor. Ser triste, muito triste. Pirar.

  Cada vez que assisto a algum clip de MJ, com aquelas coreografias incríveis, aquele suingue só dele – e que ele mostrava desde os 6 anos… Nada disso nunca existiu antes  dele e nunca mais existirá igual. Nada em excesso dá certo – muito menos fama. Essa gente toda é muito infeliz: não pode nem ir aonde quer na hora que quer – e esse é o maior golpe. Chegar lá e não ter liberdade? Tô fora…

  Acordo: tempo feio. Saio para análise, reiki etc etc: tempo feio. Venho trabalhar: tempo feio. Que mico. E depois, a gente ainda tem de ter bom humor, ficar bem disposta, não ficar angustiada, deprimida. Como, com esse cinza entrando na alma da gente? Estou vendo as ameixinhas da árvore do jardim daqui da Casa Glamurama tentando vir para fora. Não deve estar fácil para elas… As pitangas, minhas preferidas, nem tchuns. Devem ter visto que, por enquanto, a coisa não está rolando… Sei que a gente não pode ficar desanimada só porque o sol não deu as caras. Mas o fato é que eu fico. Luz é tudo, já diziam os fotógrafos e gente de TV. Eu também acho. Fica difícil ser criativo com um dia desses. Fazer planos, então, mais ainda. Como pensar em futuro num cenário escuro? Curtir o presente? Buda que me perdoe, mas dessa maneira, é fogo. Nunca me dei bem com o inverno em São Paulo. Meu pai também não gostava. Deve ser genético. Com certeza herdei isso dele e tenho o maior orgulho. Cinza, só na hora de se vestir. E mesmo assim, com uma etiqueta que segure o lance…

  Hoje vou tocar num assunto delicado: aborto. Aborto e fertilização artificial. Fábrica de nenês: esse assunto veio hoje na minha cabeça, claro, porque li no jornal sobre o caso do médico Roger Abdelmassih. Uma loucura essa história toda. Devo dizer, em primeiro lugar, que conheci uma vez esse médico. Fui num jantar na casa dele oferecido para um político que queria sentir a quantas andava seu prestígio. Esse político era Orestes Quércia. Juntos na mesa, além do anfitrião e do homenageado, alguns jornalistas. Era pouca gente, no total umas dez pessoas. A mulher do dr. Roger nem desceu para o jantar, estava sob tratamento – morreu tempos depois.

  Outra vez que o vi foi quando chegava no Rodeio, em um sábado, num almoço de final de tarde – eu estava indo embora. Vi seu carro, algo tipo Ferrari ou Maseratti, que chamava muito a atenção. No painel do rádio, a palavra “sucesso” aparecia brilhando. Nesse tipo de engenhoca milionária, a gente pode programar o que quiser – dr. Roger programou “sucesso”. Isso chamou muito minha atenção… Apenas observei. Depois de um tempo, estoura esse escândalo todo. Conheço alguns pais de crianças geradas lá que ficaram muito preocupados: não tinham mais certeza que eles eram realmente os pais dos seus filhos. Na maioria, gente muito famosa.

  Uma história realmente absurda – mas que ninguém pensasse que isso poderia acontecer algum dia pode soar tão absurdo quanto. Minha opinião, muito pessoal, polêmica, mas minha: sou contra esse tipo de coisa. Também não gosto de aborto – a não ser em casos excepcionais. A indústria que “fabrica” bebês me incomoda tanto quanto a que “descarta” bebês que estão a caminho. Pode parecer antiquado? Talvez sim. Mas que tudo isso iria um dia dar em confusão, estava escrito.