Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Não apareci aqui no blog nos últimos dois dias. Primeiro, porque realmente estava exausta e corrida. Estava até saindo fumacinha da minha cabeça… Depois porque vim viajar. Estou em Nova York. O voo foi diurno. Gostei, sabe por que? Porque dormi como se fosse noite… profundo, mais de cinco horas. Estava mesmo cansada. Mas antes de embarcar quinta-feira de manhã bem cedo, recebi em casa para jantar minhas amigas do colégio – no caso, Rio Branco. Irene, Chantal, Sofia e eu nos damos muito bem, mesmo depois de todos esses anos. Sempre que dá nos encontramos. Da última vez, fomos almoçar no Parigi com Benjamin Steinbruch, nosso amigo desde esse tempo. Séculos, posso dizer. Pois bem, nesta quarta, ao me ver sentada com as três na mesa de jantar, me senti feliz, muito feliz. Relaxada como há muito. Um relaxamento que só o conforto de um belo passado permite. Uma das coisas que achei mais bacanas foi a antítese de Sex and the City que eu senti enquanto a gente conversava. Irene vai a pé para o trabalho, anda 50 minutos todos os dias, pelos Jardins. Chantal diz que adora ir de ônibus para seu trabalho, de Moema até o Alto da Boa Vista – ela trabalha com escolas Waldorf. Diz que quando pega o corredor e o ônibus anda sem parar, ela fica feliz e tranquila de não estar em um carro parado no trânsito… Já Sofia, depois de muito tempo dando aulas de Matemática no Santa Cruz, hoje em dia se dá ao luxo de dar algumas aulas particulares, fazer ginástica na quadra da casa dela, em Pinheiros, e…cuidar da neta. Sim, ela tem neta, assim como Chantal tem vários. Cada uma feliz à sua maneira, com inquietações e com vontades, muitas. Muito bom ser gente de verdade. A gente pode, inclusive…mudar. Como a irmã de Sofia, que morava em Paris trabalhando com uma família e agora trabalha com uma senhora super chic, em Londres. Pelo que vi, no nosso grupo as mentes são abertas. O coração, mais ainda. Repito: gente de verdade. Isso é bom.

Mais um dia daqueles: eu correndo atrás do rabo. Como se fosse um cachorrinho esperto, hiperativo. Mas sabe que isso cansa? Nossa, atropelada pelo tempo, pelas ideias, pelo modo de fazer correto. Estes dias, na verdade, gostaria de ser pelo menos duas: uma para manter minha rotina de trabalho, aulas, lazer, família. E outra para cumprir uma agenda mínima de final de ano. Detalhe: eu gosto disso. Para mim é prazer. Ontem, por exemplo, queria ter passado para dar um beijo ao vivo na aniversariante Eliana Tranchesi. Também queria ter ido dar um beijo especial em Miriam Mamber, joalheira mais que talentosa – casada com um médico que admiro e respeito muito, Carlos Czeresnia. Queria também ter ido dar um beijo em Lino Villaventura, em Marcelo Pimentel e na turma da Motorola. Por que? Estavam lançando em conjunto um super hype rádio Nextel. Somos amigos e parceiros. Logo, nada mais prazeroso do que comemorarmos juntos. Mas depois de um dia de peru bêbado, mais um, fiquei sem qualquer força. Peguei uma chuvarada, como todo mundo em São Paulo, fiquei horas entre o Jardim Europa e Higienópolis, parada no trânsito. Cheguei em casa exaurida, cansada, ansiosa como tenho estado todos esses dias. A sensação nesta época do ano, para mim, é uma coisa esquisita: ao mesmo tempo em que fico de lá para cá, cheia de idéias, atropelada pelos pensamentos, sinto também uma alegria que chega com o final do ano, com a sensação de dever cumprido. E mais: às vésperas de dez dias de descanso. Mais que merecido, aliás, na minha modesta opinião…

Estes últimos dias teve de tudo um pouco. Teve show de Roberto Carlos, diferente dos outros – excelente, aliás – no Auditório Ibirapuera, um lugar incrível! Teve jantar de trufas brancas, no Fasano, com um vinho branco italiano, um Chardonnay dos deuses, escolhido por Manoel Beato. O gosto dele tem tudo a ver com o meu e adoro isso. Que experiência é essa, de um jantar cheio de aromas e sabores, com um vinho que nutre a alma da gente? E ainda mais, sob um teto que se abre ao simples toque de um controle remoto e a gente sente a brisa e vê o céu? O que é isso? Que sorte de estar lá, no Fasano, naquela hora mágica… Vou dizer uma coisa: eu dou todo o valor. Não sou nem um pouco blasée e valorizo coisas boas, muito, e principalmente, momentos especiais. Depois, na sequência, veio um feriadão e um jantar com uma amiga muito querida de pós-adolescência, Eliana Tranchesi, mais a filha dela, Marcella, no Chou. As duas amaram o restaurante, nunca tinham ido lá. A gente pouco se encontra e, para mim, rever a amiga de outros tempos foi muito sentimental. Bom mesmo. O fim de semana terminou com show ao ar livre: Brown, Lenine, Jason Mraz… só perdi mesmo Sting. Alguém acredita? Pois é. Tudo nesta vida tem um motivo: saí correndo para o aniversário de Eliana, a apresentadora, no restaurante Kinoshita, um dos melhores de São Paulo e, ouso dizer, do mundo. Que lugar, que sushis, sashimis e pratos incríveis japoneses… Som, flores, tudo no ponto, uma noite cool. E Eliana em momento mais que especial, charmosa e chique, vestindo um Azzedine Alaïa preto, puro luxo. Nossa, sabe que até cansei? De correr de lá pra cá… Mas não canso de encontrar gente bacana, ir a lugares incríveis, cantar com meus preferidos, ir por aí. Como diz Manoel Carlos, viver a vida.

Hoje acho que os astros tiraram o dia para correr atrás de mim com um foguete de São João aceso. Se eu estava ansiosa, hoje parece que o fator aceleração chegou às alturas. Não tenho conseguido entrar no meu Twitter – aliás, aproveito para pedir desculpas a meus seguidores. Mas não estou conseguindo focar! Não vi também a novela ontem. Hoje vou tentar mais uma massagem e até um show de Roberto Carlos, quem sabe eu me acalmo? “Além do horizonte deve haver algum lugar bonito etc etc”… Vou tentar. É que, além de tudo que acontece aqui e no mundo nessa época do ano, tem o agito no mercado no qual eu trabalho. Muito frisson, muito disse-que-disse. E eu, e nós, aqui na nossa empresa, só trabalhando. Sérios como sempre – mas sem jamais perder o humor… Tenho conversado com muita gente interessante. Vejo e acompanho as mudanças no Brasil e em alguns lugares do mundo – realmente as coisas estão diferentes. O Brasil vai na base do vento a favor, navegando em mares mais tranquilos. Eu nunca tinha visto isso, desde que eu era pequena ouvia falar de inflação, crise etc etc. Agora isso acontece até em Nova York, sonho dourado de muita gente boa. E aqui, as coisas caminhando bem e com cara de que vão continuar assim. Será que esse tempo de colheita, de coisas boas, é que está me deixando assim, meio desconfortável? Por não estar acostumada? Mas espera aí: tenho décadas de divã e acredito sinceramente que sei, sim, conviver com coisas boas. Mas tenho de admitir que acompanhar isso tudo que vejo em volta de mim está mexendo com meu equilíbrio – se é que tenho algum. Alguém aí pode tentar me esclarecer alguma coisa? Uma luz? Agradeço desde já! Fui.

Gosto de escrever. Gosto de pensar. Nestes dias que chegam perto do final do ano, minha ansiedade chega num grau que já não durmo tranquilamente, acordo acelerada, falo mais do que devia e só falta dar bom dia a jegue, como se diz na Bahia. Mas falta pouco, bem pouco… na verdade, a única coisa que me acalma, sinto, é escrever. Sorte que tenho este blog e, mesmo quando o assunto não brota imediatamente na minha cabeça, apenas o livre exercício da escrita já me acalma a alma. Nos dias em que fazemos o programa da TV Glamurama, o Pode Entrar!, parece que eu fico ainda mais agitada. Aquela luzinha vermelha da câmera, aquele movimento todo em volta e o fato de saber que estamos falando com um monte de gente bacana ao mesmo tempo me deixa acelerada. Feliz, sim, muito, mas também elétrica. Já fiz massagem, quando saí do trabalho, já fui no Lika comer um sashimi. Tomei meio sakê gelado e cá estou eu, praticamente falando sozinha. Se não fosse vocês para lerem o que eu escrevo, o que seria de mim?