Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Cheguei hoje de manhã de volta a São Paulo. Ao passar pelas árvores da rua Itacolomi, me deu uma sensaçãozinha de felicidade muito engraçada. O sol entrava entre aquele monte de árvores, a rua estava tranquila, eu estava com meus dois cachorros no carro, conduzido pelo seu Alberto. Momento único. Cheguei bem dos dias que passei em Nova York, sem ansiedade, sem estresse, feliz com o resultado de meus encontros por lá. Plena. Se é chato voltar? Pode até ser, na maioria das vezes. Mas mesmo sem ter ganhado qualquer prêmio de moda esta semana – já deixei bem clara aqui minha opinião sobre prêmios, disputas e afins – continuo irremediavelmente contente. Não tem nada externo que me faça mais feliz do que a vida que eu levo, trabalhando no que eu gosto, com gente que adoro. Produzo coisas que dão certo. Hoje, por exemplo, recebi um telefonema de uma moça muito especial, de Brasília, dizendo que adorava as revistas, o Glamurama e até o meu Twitter… Se fiquei feliz? Tem coisa melhor que isso? Ter seu trabalho reconhecido por leitores, internautas… e até seguidores? Para mim é isso que conta. Não ser melhor ou pior. Todos devem ser bons. E cada vez melhores. Comigo é assim: está ótimo em Nova York, bom em São Paulo. No verão mais feliz, mas no inverno também me viro. O tempo bom não está lá fora: está bem guardado. Dentro de mim.

Fiquei pensando nestes dias na permanência das coisas. Das pessoas – e dos lugares. Dos amigos que, apesar do tempo, espaço, posição social ou qualquer coisa que seja, continuam presentes. E dos lugares que a gente conhece e frequenta há muito tempo – e dos quais a gente continua gostando. Nessa terça à noite fui jantar no restaurante Indochine, aqui em Nova York. Vou lá desde o início dos anos 1980. Aliás, acho que desde que abriu. Trata-se de um lugar cool. Comida da região da Indochina, que adoro, bem mais leve que a chinesa. Decoração cheia de bananeiras pintadas na parede. Um vaso enorme de verdade, no canto do bar, com um arranjo que Vic Meirelles, meu amigo florista, e Helena Lunardelli, minha amiga florista, iriam adorar. Com personalidade e sofisticação. Drinks deliciosos, como sempre – tomei ontem um Comopolitan com blood orange, uma laranja bem vermelho-escuro. Comida incrível, como sempre. Localização de que eu gosto: Lafayette St. com Astor Place, Village. Gente bacana, garçons charmosos, hostess idem. Isso há mais de 20 anos. Não venho a Nova York sem ir pelo menos uma vez que seja lá. Já passei meu aniversário em um jantar com amigos. Já fui a uma festinha de Narciso Rodriguez lá. Já jantei com Francisco Costa, também lá. Enfim, o fato de frequentar há tanto tempo um mesmo lugar tão bom, tão charmoso, tão cheio de personalidade é algo inusitado nestes tempos modernos, nos quais tudo e todos mudam tão rapidamente. Nessas coisas, sou bem antiga. Gosto de lugares que me deem boa sensação. E de amigos idem.

Nossa, as coisas acontecem aqui nesta cidade. Não que não aconteçam em outras, mas aqui parece que tudo rola mais. Enquanto ouço e acompanho notícias do Rio, do Oi Fashion Rocks – nossa, como ferveu! – faço minha agenda por aqui, cumprindo alguns compromissos e reuniões de trabalho, intercalando com muitas caminhadas, visitas a galerias, encontro com amigos. Amo livrarias e Anna Lee, nossa colaboradora, já me avisou para comprar correndo o novo livro de Philip Roth , “The Humbling”, que sai esta semana. O frisson corre solto nos meios literários já que ele é um dos melhores e mais famosos escritores vivos – apesar de nunca ter ganho um Nobel…Vou me jogar! Gosto muito dos livros dele. Fui neste sábado pela primeira vez numa loja que o galerista Larry Gagosian abriu. Ele é um dos mais famosos daqui, tem várias galerias no Chelsea e resolveu abrir, sim, uma loja na Madison Avenue, em frente ao hotel Carlyle, endereço tipo chique e tradicional. Em vez de obras carésimas, sua especialidade, ele vende prints de Damien Hirst, múltiplos de Jeff Koons, livros e coisas do gênero. Achei a ideia muito simpática e torna mais acessível aos simples mortais um contato mais próximo com o maravilhoso mundo da arte contemporânea. Gostei mesmo. Uma coisa nova que pode abrir um novo campo – no Brasil inclusive. O filme do momento é “A serious man”, dos irmãos Coen. Ainda não assisti. Mas as pessoas estão gostando muito. Os restaurantes aqui em Nova York estão um pouco mais cheios, mas a crise ainda dá sinais claros de que não foi embora. A loja – chique – onde vi mais gente comprando foi a de Diane Von Furstenberg, no Meatpacking District. No mais, é ter muita paciência – para os norte-americanos. E, para nós, tempo de aproveitar o real a favor…

Sol em Nova York. Outono com cara de outono. Nessa quarta vi uma cena insólita: estava saindo da Barneys, minha department store favorita, na Madison Avenue, e dei de cara com um senhor bem de idade, com uma máquina fotográfica pendurada, na calçada. Logo o reconheci: era Bill Cunningham, famoso por sua vida e obra, fotógrafo da seção Style do jornal “The New York Times”, de domingo. Ele está sempre em Paris e Milão, nas semanas de moda, na de Nova York também, em festas e eventos elegantes. Faz um tipo de “carnê social”, mas com um olhar todo especial, moderno, diferenciado. Pois bem: mesmo do alto dos mais de 80 anos, muitos dos quais como fotógrafo experiente, ele estava lá na saída da Barneys, em pleno exercício de seu oficio: fotografar mulheres originais, elegantes cada uma a sua maneira. O que eu achei admirável nele, na cena de ontem? O fato de ele trabalhar a esta altura da vida, com mais de 80 anos, como um profissional qualquer – se dedicando ao seu métier, sem subir no salto, sem frescura, apenas exercitando bravamente sua função de captar imagens únicas. Um exemplo para quem pensa que depois de certo tempo, as coisas podem ser diferentes. Nada disso: o oficio que a gente escolhe deve ser honrado. E praticado com todo o respeito – e muito prazer.

Outono em Nova York. Sabe o que aconteceu hoje de manhã? Tinha várias folhinhas que entraram pela janela entreaberta… no décimo primeiro andar. Isso é outono. Isso é Nova York. Posso dizer que comecei muito bem: o “Pode Entrar!” dessa terça, na TV Glamurama, foi feito direto daqui, do estúdio de Giovanni Bianco. Foi animado, cheio de histórias, de bastidores do mundo da moda, das tops, do showbiz. Delícia. Depois, posso dizer que cheguei chegando aqui. Por quê? Porque fui ao hotel Carlyle assistir a John Pizzarelli, que cantou com a mulher dele, Jessica Molaskey. Uma apresentação incrível, num lugar sofisticado, mas ao mesmo tempo sem frescuras. Foi no bar do Carlyle que Bobby Short construiu sua carreira de pianista e cantor, e é lá também que Woody Allen se apresenta hoje em dia, todas as segundas-feiras, tocando clarinete. Um lugar cool, com gente cool. Depois ainda fomos conhecer o local mais disputado do momento nesta cidade: o bar no topo do hotel Standard, no Meatpacking. Posso dizer uma coisa? Incrível a decoração, a frequência, a música. Segundo Giovanni Bianco, que nos levou lá, trata-se, hoje em dia, do lugar mais bacana – do mundo. Isso mesmo: não existe nem em Paris, Londres, Tóquio ou sei lá onde um bar mais sofisticado do que esse. Primeiro: é muito difícil entrar lá. Eu não conhecia ninguém que já tivesse ido – claro, fora Steven Klein, Madonna e alguns outros… Brincadeirinha… Mas o fato é que ele parece com os bares no topo dos melhores hotéis de Tóquio, com uma vista da cidade de quase 360 graus. Só que é muito, mas muito sofisticado, de extremo bom gosto. O décor, meio de madeira, meio anos 1960, com ares de Brasília, Niemeyer etc etc. As garçonetes vestidas muito bem. A frequência – só gente muito bacana. Até os aperitivos – canapés docinhos, que chegam variados à mesa – tudo muito diferente, muito bom. Quando alguém me perguntar algo do tipo “de novo viajando?”, aqui vai a resposta: para trazer para vocês, queridos internautas, as coisas mais bacanas que vejo pelo mundo. Vocês merecem. E eu também!