Passei essa noite meio que em claro. Sim, dormi um pouco, mas acordando, sono picado. Primeiro, na verdade, não conseguia nem dormir. Às duas da manhã ainda estava com os olhos arregalados. O motivo? Uma palestra para a qual fui convidada na Casa do Saber, parte do projeto Grandes Jornalistas. Isso mesmo: Grandes Jornalistas. O primeiro a participar, quinta-feira passada, foi Otavio Frias Filho, da Folha de S. Paulo. A segunda – e única mulher do projeto - fui eu, ontem. Depois virão Ricardo Kotscho, Juca Kfouri e Alberto Dines. Esses feras… e eu. A coisa consistia no seguinte: uma hora de perguntas feita por Mario Vitor Santos, organizador do curso. Dez minutos de intervalo, e, depois, perguntas da plateia. Confesso que adoro falar sobre minha profissão, meu ofÃcio. Também adoro responder, principalmente porque eram perguntas inteligentes, feitas por gente interessada. Aquilo é um exercÃcio. É como ficar malhando numa esteira duas horas e meia sem parar. Só que em vez de exercitar o corpo, nesse caso, é a mente que estava sendo requisitada. Pensei muito, falei outro tanto. Não deixei de responder nada, nem me senti constrangida ou intimidada. Gosto desses desafios, mesmo que me deixem, aqui e ali, meio de saia justa. Sai de lá dez e meia da noite – havia chegado sete e meia - superligada. Fui jantar no Rodeio, delÃcia, tomei meia caipirinha bem fraca, pra tentar baixar a adrenalina. Mas nada foi capaz de atenuar o efeito de um flashback de toda uma vida, de uma carreira movimentada, cheia de emoções. Histórias do presente, mas. Principalmente. histórias do passado que à s vezes ficam lá guardadas e só quando vêm à tona a gente sente a real dimensão do que foi. Um pouco metafÃsico, talvez? Não. Para mim, muito real. Tanto que não consegui nem dormir - tamanho o efeito do que tudo isso causou em mim.
Nossa! O calor chega e parece que o ano está correndo mais rápido. Claro: calor quer dizer verão. Verão remete ao mês de dezembro. Socorro! Acabou o ano! Como sou uma pessoa com caracterÃsticas de alguém muito ansioso, esta época do ano me deixe animada. Animada, mas muito estressada. Parece que alguma coisa está no ar, que algo de muito bom vai acontecer, que festas vão rolar! De onde será que tirei tudo isso? Basta um calor fora do normal no mês de novembro para eu achar que já é Natal? Agora vocês entendem o que é ansiedade, certo? É isso aà que acabei de descrever. Às vezes dá uma embalada no nosso dia a dia, nos nossos planos. Às vezes nos atropela de uma maneira absurda, deixando a gente sem ar, catatônico, achando que o tempo se esgotou e tudo acabou. Não é fácil, não… Mas eu prefiro aproveitar o lado bom desse estado ansioso de claro mais final de ano: gosto de sair à rua à s sete da noite e ainda estar claro. Gosto de ficar na rua até mais tarde, sair mais para jantar, me divertir. Tudo parece que fica mais leve dessa maneira. Sei que apenas parece… mas não deixa de ser mais agradável. A gente até sonha mais. E cá entre nós, isso é fundamental.
Ainda estou sob impacto dos bastardos de Quentin Tarantino. E não posso esconder a vontade que me deu de ser uma “bastarda”, fazer parte de um grupo com ideais em comum, com muito senso de humor e toda a coragem do mundo. Utopia completa. Mas a verdade é que sonhar é necessário e Tarantino me deu ferramentas para isso. Esse é um sonho que me faz ficar muito orgulhosa de mim mesma. Uma causa nobre, um trabalho clandestino, um grupo de birutas e muita ousadia. Tudo que eu gosto, tudo que admiro. No dia a dia minha vida é bem outra. Outro dia fui até comer trufas brancas, vindas de Alba, Itália, a convite de Rogerio Fasano, no seu elegantérrimo restaurante Fasano. Adorei. Sei também apreciar coisas boas, raras, caras. Gosto muito de um bom vinho. Bom, não, na verdade gosto de vinhos ótimos, excelentes. Sei ser requintada, acho até que sou, do fundo de minha alma, mesmo sem me esforçar para isso. Mas mesmo com esse lado todo…frufru, pode-se dizer, tenho alma rebelde. Tenho minhas causas e minhas posições. Pode até parecer esquisito, parecer que não tem nada a ver, mas o fato é que eu sou mesmo assim. E, no momento, tudo o que penso é ser uma bastarda.
Hoje é dia 3 de novembro. Estou vibrando por vários motivos. Primeiro, porque tem sol e eu adoro dias de sol. Me sinto mais forte, mais energizada, animada. Segundo, hoje é aniversário do Ezequiel, meu marido. E eu fico feliz nesses dias comemorativos, que marcam datas especiais. Principalmente de pessoas de quem eu gosto muito. Além disso, passei um feriadão manso, em casa, depois de quase duas semanas em Nova York, com muito trabalho, reuniões – e prazer, claro. Aproveitei estes dias para ir ao cinema e vi duas coisas que adorei: “Coco Antes de Chanelâ€, com Audrey Tautou, excelente, e “Bastardos Inglóriosâ€, o qual qualificar como excelente é pouco. Quentin Tarantino é o gênio do cinema norte-americano. Claro que existe gente muito boa, mas o humor, a ousadia, a câmera dele, a direção, o casting, é tudo incrÃvel. Ele colocou Brad Pitt num papel tão incrÃvel que me lembrou Marlon Brando nos melhores tempos. E as atrizes, principalmente a que faz o papel de Shosanna, Mélanie Laurent, uma ótima surpresa. Que personagem… E os bastardos, que delÃcia de turma? Orgulho nacional! Um melhor que o outro, gostaria muito de tê-los conhecido! Engraçado, mas a pura verdade. Depois de assitir a esse filme, posso dizer que estou com muito assunto. Como é incrÃvel ser surpreendida, como é bom alguém se mostrar ainda melhor do que a gente esperava… Na vida, geralmente, acontece o oposto. O cinema é nossa redenção. Principalmente o de Tarantino. Quanto ao filme de Chanel, que também adorei, sorry, mas perto desses bastardos, não dá nem pra comentar hoje. Vivam eles!
Cheguei hoje de manhã de volta a São Paulo. Ao passar pelas árvores da rua Itacolomi, me deu uma sensaçãozinha de felicidade muito engraçada. O sol entrava entre aquele monte de árvores, a rua estava tranquila, eu estava com meus dois cachorros no carro, conduzido pelo seu Alberto. Momento único. Cheguei bem dos dias que passei em Nova York, sem ansiedade, sem estresse, feliz com o resultado de meus encontros por lá. Plena. Se é chato voltar? Pode até ser, na maioria das vezes. Mas mesmo sem ter ganhado qualquer prêmio de moda esta semana – já deixei bem clara aqui minha opinião sobre prêmios, disputas e afins - continuo irremediavelmente contente. Não tem nada externo que me faça mais feliz do que a vida que eu levo, trabalhando no que eu gosto, com gente que adoro. Produzo coisas que dão certo. Hoje, por exemplo, recebi um telefonema de uma moça muito especial, de BrasÃlia, dizendo que adorava as revistas, o Glamurama e até o meu Twitter… Se fiquei feliz? Tem coisa melhor que isso? Ter seu trabalho reconhecido por leitores, internautas… e até seguidores? Para mim é isso que conta. Não ser melhor ou pior. Todos devem ser bons. E cada vez melhores. Comigo é assim: está ótimo em Nova York, bom em São Paulo. No verão mais feliz, mas no inverno também me viro. O tempo bom não está lá fora: está bem guardado. Dentro de mim.
Fiquei pensando nestes dias na permanência das coisas. Das pessoas – e dos lugares. Dos amigos que, apesar do tempo, espaço, posição social ou qualquer coisa que seja, continuam presentes. E dos lugares que a gente conhece e frequenta há muito tempo – e dos quais a gente continua gostando. Nessa terça à noite fui jantar no restaurante Indochine, aqui em Nova York. Vou lá desde o inÃcio dos anos 1980. Aliás, acho que desde que abriu. Trata-se de um lugar cool. Comida da região da Indochina, que adoro, bem mais leve que a chinesa. Decoração cheia de bananeiras pintadas na parede. Um vaso enorme de verdade, no canto do bar, com um arranjo que Vic Meirelles, meu amigo florista, e Helena Lunardelli, minha amiga florista, iriam adorar. Com personalidade e sofisticação. Drinks deliciosos, como sempre - tomei ontem um Comopolitan com blood orange, uma laranja bem vermelho-escuro. Comida incrÃvel, como sempre. Localização de que eu gosto: Lafayette St. com Astor Place, Village. Gente bacana, garçons charmosos, hostess idem. Isso há mais de 20 anos. Não venho a Nova York sem ir pelo menos uma vez que seja lá. Já passei meu aniversário em um jantar com amigos. Já fui a uma festinha de Narciso Rodriguez lá. Já jantei com Francisco Costa, também lá. Enfim, o fato de frequentar há tanto tempo um mesmo lugar tão bom, tão charmoso, tão cheio de personalidade é algo inusitado nestes tempos modernos, nos quais tudo e todos mudam tão rapidamente. Nessas coisas, sou bem antiga. Gosto de lugares que me deem boa sensação. E de amigos idem.
26/10
segunda-feira
22h31
Nossa, as coisas acontecem aqui nesta cidade. Não que não aconteçam em outras, mas aqui parece que tudo rola mais. Enquanto ouço e acompanho notÃcias do Rio, do Oi Fashion Rocks – nossa, como ferveu! - faço minha agenda por aqui, cumprindo alguns compromissos e reuniões de trabalho, intercalando com muitas caminhadas, visitas a galerias, encontro com amigos. Amo livrarias e Anna Lee, nossa colaboradora, já me avisou para comprar correndo o novo livro de Philip Roth , “The Humblingâ€, que sai esta semana. O frisson corre solto nos meios literários já que ele é um dos melhores e mais famosos escritores vivos – apesar de nunca ter ganho um Nobel…Vou me jogar! Gosto muito dos livros dele. Fui neste sábado pela primeira vez numa loja que o galerista Larry Gagosian abriu. Ele é um dos mais famosos daqui, tem várias galerias no Chelsea e resolveu abrir, sim, uma loja na Madison Avenue, em frente ao hotel Carlyle, endereço tipo chique e tradicional. Em vez de obras carésimas, sua especialidade, ele vende prints de Damien Hirst, múltiplos de Jeff Koons, livros e coisas do gênero. Achei a ideia muito simpática e torna mais acessÃvel aos simples mortais um contato mais próximo com o maravilhoso mundo da arte contemporânea. Gostei mesmo. Uma coisa nova que pode abrir um novo campo – no Brasil inclusive. O filme do momento é “A serious manâ€, dos irmãos Coen. Ainda não assisti. Mas as pessoas estão gostando muito. Os restaurantes aqui em Nova York estão um pouco mais cheios, mas a crise ainda dá sinais claros de que não foi embora. A loja – chique - onde vi mais gente comprando foi a de Diane Von Furstenberg, no Meatpacking District. No mais, é ter muita paciência – para os norte-americanos. E, para nós, tempo de aproveitar o real a favor…
Sol em Nova York. Outono com cara de outono. Nessa quarta vi uma cena insólita: estava saindo da Barneys, minha department store favorita, na Madison Avenue, e dei de cara com um senhor bem de idade, com uma máquina fotográfica pendurada, na calçada. Logo o reconheci: era Bill Cunningham, famoso por sua vida e obra, fotógrafo da seção Style do jornal “The New York Timesâ€, de domingo. Ele está sempre em Paris e Milão, nas semanas de moda, na de Nova York também, em festas e eventos elegantes. Faz um tipo de “carnê socialâ€, mas com um olhar todo especial, moderno, diferenciado. Pois bem: mesmo do alto dos mais de 80 anos, muitos dos quais como fotógrafo experiente, ele estava lá na saÃda da Barneys, em pleno exercÃcio de seu oficio: fotografar mulheres originais, elegantes cada uma a sua maneira. O que eu achei admirável nele, na cena de ontem? O fato de ele trabalhar a esta altura da vida, com mais de 80 anos, como um profissional qualquer - se dedicando ao seu métier, sem subir no salto, sem frescura, apenas exercitando bravamente sua função de captar imagens únicas. Um exemplo para quem pensa que depois de certo tempo, as coisas podem ser diferentes. Nada disso: o oficio que a gente escolhe deve ser honrado. E praticado com todo o respeito – e muito prazer.
Outono em Nova York. Sabe o que aconteceu hoje de manhã? Tinha várias folhinhas que entraram pela janela entreaberta… no décimo primeiro andar. Isso é outono. Isso é Nova York. Posso dizer que comecei muito bem: o “Pode Entrar!†dessa terça, na TV Glamurama, foi feito direto daqui, do estúdio de Giovanni Bianco. Foi animado, cheio de histórias, de bastidores do mundo da moda, das tops, do showbiz. DelÃcia. Depois, posso dizer que cheguei chegando aqui. Por quê? Porque fui ao hotel Carlyle assistir a John Pizzarelli, que cantou com a mulher dele, Jessica Molaskey. Uma apresentação incrÃvel, num lugar sofisticado, mas ao mesmo tempo sem frescuras. Foi no bar do Carlyle que Bobby Short construiu sua carreira de pianista e cantor, e é lá também que Woody Allen se apresenta hoje em dia, todas as segundas-feiras, tocando clarinete. Um lugar cool, com gente cool. Depois ainda fomos conhecer o local mais disputado do momento nesta cidade: o bar no topo do hotel Standard, no Meatpacking. Posso dizer uma coisa? IncrÃvel a decoração, a frequência, a música. Segundo Giovanni Bianco, que nos levou lá, trata-se, hoje em dia, do lugar mais bacana - do mundo. Isso mesmo: não existe nem em Paris, Londres, Tóquio ou sei lá onde um bar mais sofisticado do que esse. Primeiro: é muito difÃcil entrar lá. Eu não conhecia ninguém que já tivesse ido - claro, fora Steven Klein, Madonna e alguns outros… Brincadeirinha… Mas o fato é que ele parece com os bares no topo dos melhores hotéis de Tóquio, com uma vista da cidade de quase 360 graus. Só que é muito, mas muito sofisticado, de extremo bom gosto. O décor, meio de madeira, meio anos 1960, com ares de BrasÃlia, Niemeyer etc etc. As garçonetes vestidas muito bem. A frequência - só gente muito bacana. Até os aperitivos - canapés docinhos, que chegam variados à mesa - tudo muito diferente, muito bom. Quando alguém me perguntar algo do tipo “de novo viajando?”, aqui vai a resposta: para trazer para vocês, queridos internautas, as coisas mais bacanas que vejo pelo mundo. Vocês merecem. E eu também!
19/10
segunda-feira
16h41
O dia continua chuvoso… e eu continuo ensolarada. Isso desde sábado. O mundo caÃa e meu sol brilhava. Sabe por quê? Tenho vários motivos, mas o principal foi a festa de três anos da revista. Sabe quando tudo rola bem? Quando o local, a decoração, as comidinhas e bebidas, o som, o show, tudo dá certo? É, isso é muito raro de acontecer. E olha que eu conheço festas… Pois bem: a nossa foi incrÃvel. A certa altura, eu me vi dançando ao som de Leandro Sapucahy, cantando, com muitas das pessoas que trabalham comigo em volta, também dançando, um monte de convidados bacanas se divertindo. Gente feliz. Sabe? Raro, mas existe! O que mais eu poderia querer? O governador do mais poderoso estado do paÃs estava lá. Ficou mais de uma hora e meia na festa, sem um assessor sequer por perto. Acho que ele também gostou. Parceiros que acreditam no nosso trabalho, orgulhosos. Eu, nem se fala. Até garçons e garçonetes estavam felizes. É: quando a alma não é pequena, tudo dá certo. Quando a intenção é verdadeira, o prazer se justifica. Muita gente trabalhou para que tudo desse certo. Pelo visto, trabalharam contentes porque tudo rolou sem estresse algum. Apenas muita alegria, diversão, gente bonita, animada. Sorte de quem foi, de quem aproveitou. E mais sorte ainda a minha: conseguir todo esse clima em uma festa de três anos de uma revista. Para quem pode – e merece.