Viagem musical
A vida é música. Claro, não fui eu que inventei isso, apenas pego carona e assino embaixo. Nos últimos tempos fui assistir a um show de Burt Bacharach no HSBC e fiquei quase nas nuvens. Ouvir um cara que viveu a vida toda ao piano, compondo, cantar “Alfie” com aquela voz rouca e gasta, do alto de seus 80 e tantos anos, foi uma experiência única. Não lembro de ter tido essa sensação antes: o reconhecimento, o talento, a vontade de seguir em frente fazendo o que gosta, sempre, sem parar. Foi uma noite muito especial. Uns dias depois, brincando com meu celular novo, fiquei ouvindo Mina cantar “Insieme” no You Tube. Outra viagem. Claro, nada se comparado com a emoção do “ao vivo”, cara a cara com o artista – é disso que eu gosto. A vibração, a emoção, o momento. Por falar nesse tema, fui esta semana na estreia da nova temporada de Roberto Carlos aqui em São Paulo. Mais de três mil pessoas lotavam o Espaço das Américas. As canções são as mesmas? São, sim. O jeito dele não muda? Não muda, mesmo. Mas ver três mil pessoas vibrando, felizes por estar lá, não é comum. Ninguém torcendo contra ninguém. Participar dessa vibe única, embalada pelos sucessos que a gente tanto conhece, é outro momento único. Vou além: é difícil ver tanta gente alegre junta. Gente normal, que não precisa de grandes aditivos pra ficar feliz. Desculpa aí se estou sendo muito normal. Mas é que eu gosto de ser assim.



