Joyce Pascowitch Jornalista renomada e de grande destaque no Brasil e no exterior, Joyce Pascowitch comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, um dos veículos de maior audiência da internet, citado frequentemente por publicações internacionais. Além do site, o Grupo também edita as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Não tá fácil, não. Os tempos modernos viraram nossa vida de cabeça para baixo. Essa urgência, essa atenção desmedida a coisas e relações que pouco interessam em detrimento de outras coisas que são muito interessantes… Bem, isso tem sido motivo de muita conversa e muito divã estrelado das grandes cidades. Adicione-se a isso esses momentos realmente difíceis que estamos vivendo aqui no Brasil e a coisa fica feia.

Mas quem vive aqui sabe – mais ou menos – conviver com e enfrentar crises. Lembro do AI5 quando era pequenininha, em casa, ao lado de meu pai e da minha mãe. Lembro de um corpo agonizando na rua Atenas, no Jardim Europa, desovado por alguém nesses tempos de chumbo. Tudo era muito muito cinza. E tudo isso custou muito, muito caro para o país e para nossa sociedade. Pagamos o preço até hoje. Mas voltando ao aqui e agora, esses tempos tão esquisitos estão fazendo todo mundo colocar o pé no chão. Olhar em volta. E trabalhar muito. Políticas à parte, o fato é que estamos todos neste mesmo barco e somos nós que vamos salvá-lo. Cada vez que trazemos a responsabilidade para nós, tudo fica menos difícil e mais provável de acontecer. Nunca deu certo colocar a culpa no outro. E nem vai ser desta vez.

O primeiro post do ano! Por que tão tarde? Porque fiquei quase 40 dias longe daqui, tentando descansar, meio fora do ar, mas não muito. O fato é que o verão foi vivido por mim em toda a plenitude: sol, muito mar, treinos de ginástica funcional, massagens, mergulhos, stand up paddle. Nem pensar em manter algo que me lembrasse da rotina daqui de São Paulo, dos dias de trabalho. Pôr do sol todos os dias, era esse meu principal compromisso. Descansei, relaxei, me diverti, fui a shows, estive com amigos. Claro que um dia isso iria terminar e foi o que aconteceu no final de janeiro. Voltei pra São Paulo, voltei ao mundo real. Muitas coisas ruins, algumas realmente absurdas, vergonhosas. Com certeza já vivemos dias muito melhores do que estes neste país. A coisa realmente está cinza, muito cinza. Se já é difícil voltar de férias, assumir a rotina, imagine voltar nessas condições, com este cenário. Confesso que penso em saídas, em possibilidades, acompanho tudo de perto. Amo Carnaval, muito, mas fico até com medo de expressar esse tipo de sentimento neste momento complicado. Sim, parece que no momento atual, a gente não tem nem direito a ser feliz. Desculpa, mas eu vou tentar. Vou pegar um caminhinho por aqui, um beco por ali, até ver a luz. O sol.

Esta semana foi bem engraçada. Praticamente a última útil deste ano. Na segunda-feira, nada de mau humor. Também pra quê? Já basta a falta de glúten, de lactose, de chocolates e outras coisinhas mais. Eu fiquei é feliz da vida nesta segunda, pois estava terminando aquele período chato do ano, que vai do Carnaval até o Natal. Sério! Amo férias. Daí tamanha alegria. Parece que eu trabalho o ano todo, focada, dedicada, mas sempre com um olho… nas férias. Sou movida a isso: a sol, a água do mar, a caipirinhas, passeios de lancha e… bolinhos de peixe. Amo. Aqueles dez meses entre o Carnaval e o Natal, convenhamos, são difíceis de aturar, às vezes complicados, pesados. Então, como achar chata uma segunda-feira dessas? A um passo do Natal, com jantares e festas todos os dias? Com gente animada por todo lado –mesmo que o dólar esteja subindo, a Petrobras explodindo e o governo…. Bem, apesar de tudo isso, dezembro pede felicidade. Pede alegria. Pede –e eu dou. Pede balanço dos meses que passaram, pede um leve desenho do ano que entra. O que mais eu posso dizer? Posso agradecer, por tudo e a todos. E posso dizer mais uma coisinha? Estou feliz, tá?

 

Muita gente –que lê meu blog, obrigada!- me pergunta por que não atualizo sempre. Posso garantir que não é por falta de assunto. Sou uma fábrica deles, falo muito e penso mais ainda. Portanto, poderia muito bem escrever aqui com mais frequência. Mas confesso que não tenho conseguido. Além de muitas coisas na cabeça, muito trabalho, planos e histórias, estou escrevendo um livro. No  qual, aliás, fiquei empacada muito tempo… mas que agora dei de escrever sem parar e já estou quase no final. Um prazer enorme, uma alegria. E um orgulho. Sim, estou muito orgulhosa. A questão é que escrever requer uma força interna que deixa a gente exaurido. Principalmente quando se trata de experiências pessoais, como no caso do meu livro. Pois bem: digo aqui que minha ausência se deve a isso. É o muito escrever. Peço desculpas e garanto que todos serão devidamente recompensados quando meu livro sair. Garanto informação, histórias deliciosas e outras polêmicas. Eu gosto de bagunça. Não quero explicar nada pra ninguém. Apenas confundir.

Que ano! Uma Copa do Mundo retumbantemente perdida e uma eleição onde não sobrou pedra sobre pedra: todo mundo atacou todo mundo, ninguém respeitou ninguém, a coisa ficou feia mesmo. Nas redes sociais, então, foi pior. Precisava ter muito sangue de barata pra ficar quieto e não sucumbir aos ataques que vinham de todos os lados. Mas nada como um dia após o outro. Enquanto tem muita gente triste, tem também muita gente feliz. Eu sou daquelas que gostam de trabalhar e ir em frente. Claro que muitas vezes me frustro, mas claro também que já aprendi a conviver com frustrações. Não é muito gostoso, mas faz parte. Aprendi também a não ter medo de muita coisa e a confiar no meu taco, isto é, na minha predisposição ao trabalho e a dar certo na vida. Neste primeiro dia pós-eleição, fez um belo sol, só que não choveu nada. A  vida é bem assim: às vezes barro, às vezes tijolo. Boa sorte para nós, porque a gente merece. Eu, pelo menos, tenho certeza que sim.