Eu, Joyce

RSS Adoro!

23/11

segunda-feira

17h35

Peru bêbado

Estes últimos dias teve de tudo um pouco. Teve show de Roberto Carlos, diferente dos outros – excelente, aliás - no Auditório Ibirapuera, um lugar incrível! Teve jantar de trufas brancas, no Fasano, com um vinho branco italiano, um Chardonnay dos deuses, escolhido por Manoel Beato. O gosto dele tem tudo a ver com o meu e adoro isso. Que experiência é essa, de um jantar cheio de aromas e sabores, com um vinho que nutre a alma da gente? E ainda mais, sob um teto que se abre ao simples toque de um controle remoto e a gente sente a brisa e vê o céu? O que é isso? Que sorte de estar lá, no Fasano, naquela hora mágica… Vou dizer uma coisa: eu dou todo o valor. Não sou nem um pouco blasée e valorizo coisas boas, muito, e principalmente, momentos especiais. Depois, na sequência, veio um feriadão e um jantar com uma amiga muito querida de pós-adolescência, Eliana Tranchesi, mais a filha dela, Marcella, no Chou. As duas amaram o restaurante, nunca tinham ido lá. A gente pouco se encontra e, para mim, rever a amiga de outros tempos foi muito sentimental. Bom mesmo. O fim de semana terminou com show ao ar livre: Brown, Lenine, Jason Mraz… só perdi mesmo Sting. Alguém acredita? Pois é. Tudo nesta vida tem um motivo: saí correndo para o aniversário de Eliana, a apresentadora, no restaurante Kinoshita, um dos melhores de São Paulo e, ouso dizer, do mundo. Que lugar, que sushis, sashimis e pratos incríveis japoneses… Som, flores, tudo no ponto, uma noite cool. E Eliana em momento mais que especial, charmosa e chique, vestindo um Azzedine Alaïa preto, puro luxo. Nossa, sabe que até cansei? De correr de lá pra cá… Mas não canso de encontrar gente bacana, ir a lugares incríveis, cantar com meus preferidos, ir por aí. Como diz Manoel Carlos, viver a vida.


18/11

quarta-feira

17h28

Tentando entender o incompreensível

Hoje acho que os astros tiraram o dia para correr atrás de mim com um foguete de São João aceso. Se eu estava ansiosa, hoje parece que o fator aceleração chegou às alturas. Não tenho conseguido entrar no meu Twitter – aliás, aproveito para pedir desculpas a meus seguidores. Mas não estou conseguindo focar! Não vi também a novela ontem. Hoje vou tentar mais uma massagem e até um show de Roberto Carlos, quem sabe eu me acalmo? “Além do horizonte deve haver algum lugar bonito etc etc  Vou tentar. É que, além de tudo que acontece aqui e no mundo nessa época do ano, tem o agito no mercado no qual eu trabalho. Muito frisson, muito disse-que-disse. E eu, e nós, aqui na nossa empresa, só trabalhando. Sérios como sempre – mas sem jamais perder o humor… Tenho conversado com muita gente interessante. Vejo e acompanho as mudanças no Brasil e em alguns lugares do mundo – realmente as coisas estão diferentes. O Brasil vai na base do vento a favor, navegando em mares mais tranquilos. Eu nunca tinha visto isso, desde que eu era pequena ouvia falar de inflação, crise etc etc. Agora isso acontece até em Nova York, sonho dourado de muita gente boa. E aqui, as coisas caminhando bem e com cara de que vão continuar assim. Será que esse tempo de colheita, de coisas boas, é que está me deixando assim, meio desconfortável? Por não estar acostumada? Mas espera aí: tenho décadas de divã e acredito sinceramente que sei, sim, conviver com coisas boas. Mas tenho de admitir que acompanhar isso tudo que vejo em volta de mim está mexendo com meu equilíbrio – se é que tenho algum. Alguém aí pode tentar me esclarecer alguma coisa? Uma luz? Agradeço desde já! Fui.


17/11

terça-feira

23h00

Livre pensar

Gosto de escrever. Gosto de pensar. Nestes dias que chegam perto do final do ano, minha ansiedade chega num grau que já não durmo tranquilamente, acordo acelerada, falo mais do que devia e só falta dar bom dia a jegue, como se diz na Bahia. Mas falta pouco, bem pouco… na verdade, a única coisa que me acalma, sinto, é escrever. Sorte que tenho este blog e, mesmo quando o assunto não brota imediatamente na minha cabeça, apenas o livre exercício da escrita já me acalma a alma. Nos dias em que fazemos o programa da TV Glamurama, o Pode Entrar!, parece que eu fico ainda mais agitada. Aquela luzinha vermelha da câmera, aquele movimento todo em volta e o fato de saber que estamos falando com um monte de gente bacana ao mesmo tempo me deixa acelerada. Feliz, sim, muito, mas também elétrica. Já fiz massagem, quando saí do trabalho, já fui no Lika comer um sashimi. Tomei meio sakê gelado e cá estou eu, praticamente falando sozinha. Se não fosse vocês para lerem o que eu escrevo, o que seria de mim?


16/11

segunda-feira

17h37

Lição de casa

Esse fim-de-semana foi muito, mas muito especial. Fui ao Rio, o tempo estava lindo. Mas não foi por isso…Almocei no Celeiro, sábado, fui à praia às cinco da tarde, delícia, menos calor , mar manso. Domingo almoço familia-amigos no Ãlvaro’s, um dos mais tradicionais do Rio, que adoro. Pastéis, caipirinha, badejo, camarões. Sim, havia muitos ingredientes para este fim-de-semana ser muito especial. Mas o principal deles foi o pequeno jantar, no sábado, em torno do presidente de Israel, Shimon Peres. Foi no Gávea Golf Club e eu não conhecia na verdade muitos dos convidados. Aliás, a maioria…Não é que ao chegar lá, soube que meu lugar na mesa seria bem ao lado do presidente, o homenageado da noite? Bem, o que vem adiante já era de se esperar. Shimon Peres tem 87 anos. Fala manso, aquela fala dos que sabem, dos que aprenderam com a vida. Seu guru foi David Ben Gurion. Ele já foi primeiro-ministro de Israel, cargo bem mais importante do que o que ele ocupa hoje, ganhou um Nobel da Paz, que dividiu com Yasser Arafat e Yitzhak Rabin. Shimon Peres parece um sábio. O que ele deve ter passado nos últimos 70 anos em Israel o inclui numa categoria não só de sobrevivente de uma luta eterna como também de alguém que sobreviveu a tudo isso com sabedoria, paciência, clareza de opinião e bom senso. Ele não me pareceu nada religioso. Quando perguntei sobre ele ser ou não kosher, disse que quando dá, come comida kosher. Em viagens onde representa seu país, faz o que pode. Respeita, sim, o Shabat, em homenagem ao cargo que ocupa e ao país que representa. Shimon Peres conversou com as duas mulheres sentadas a seu lado, a empresária carioca Ro Fischer, e eu. Conversou também com os outros convidados que dividiam conosco a mesa. Fez um pequeno discurso onde falou do Brasil, e também dos presidentes do Senado e da Câmara, do governador e prefeito de São Paulo, e, é claro , do presidente Lula. Sua observação sobre ele fez valer ainda mais a noite: disse que entre outras coisas, o presidente Lula era sábio porque não permitia que ninguém brigasse com ele. Só mesmo quem ele queria e permitia. Sutil e muito valiosa essa observação. Shimon Peres é o que, em hebraico, se diz “tzadikâ€: um homem sábio. Me ajudou também a tentar me transformar, cada vez mais, numa mulher sábia. Só posso agradecer.


13/11

sexta-feira

16h14

Fechando uma história

Esta semana foi um sufoco. Não sei se por conta da minha própria programação, bem mais acelerada do que o normal, se foi rebordosa do apagão, de Madonna, sei lá do quê, qualquer dessas causas absurdas. Mas o fato é que foi pauleira. E no meio de tantos encontros, recebi aqui na minha sala, na Casa Glamurama, um rapaz que acho muito bacana, Marcos Amaro. Ele vai lançar uma rede de lojas de óculos, veio falar comigo etc etc. Ele é muito inteligente, culto, a conversa fluiu bem. Estavam ele mais vários assessores, Juliana, que trabalha comigo, enfim… A conversa ia bem, as ideias, idem. A certa altura se falou de prêmios, concursos e, mais uma vez, coloquei minhas ideias na mesa. Marcos Amaro citou Nietzsche, a conversa foi andando, até que… eureca! Tive um daqueles insights que só muito raramente rolam, até no divã. Pois bem: cheguei a uma brilhante conclusão do por que não gosto de disputas, campeonatos, concursos e prêmios em geral. Primeiro, quando fui comentar com meu analista sobre o ocorrido, ele disse que não é esquisito eu não gostar – como muitos sempre me fizeram supor. Segundo, a conclusão a que cheguei é bem perto, se não a própria realidade: eu tinha uma necessidade tão grande de vencer, dentro de mim, que essa disputa interna, essa concorrência comigo mesma já me bastava. E me exauria. Acho que as palavras não são bem essas, mas o sentido é o seguinte: gosto de fazer a coisa mais bem feita que puder. Este é o meu desafio: ser a melhor que eu puder. No meu quadrado. Não quero disputar nada com ninguém. E mais: percebi que isso, em vez de me tornar uma pessoa esquisita, é, sim, muito saudável. Demorô.


12/11

quinta-feira

1h25

Vai um Twitter aí?

Nesta terça à noite aconteceu uma coisa muito punk na minha vida. Na minha e na da Meire, minha companheira de trabalho querida, desde os tempos em que nós duas trabalhávamos na Folha de S.Paulo. Detalhe: até hoje trabalhamos juntas. Pois nesta terça convidei Meire para assistir Donna Summer no Credicard Hall. Por que esse show específico? Bem, nós duas gostamos da era “disco” e nós duas assistimos juntas a um show memorável de Barry White anos atrás, muitos, no Olympia, na rua Clélia. A gente se divertiu muito e com a vinda de Donna Summer, me pareceu a ocasião ideal para algumas horas de puro desfrute, depois de um período muito difícil para a Meire. Pipoca e Diet Coke na mão, e nada de abrirem as portas. Depois, com mais de uma hora de atraso, soubemos que tinha havido uma crise de energia lá. Aí, me chama de casa, no meu rádio, Goreth, falando que em casa não tinha luz, para eu avisar quando fosse chegar, entrar pela porta dos fundos etc etc. Até aí, tudo bem. Quando comecei a twittar e mandar fotos do show, fui checar se tudo estava entrando direito até que percebi que tinha alguma coisa de errado acontecendo. Fui ler as pessoas que sigo e percebi que o Rio estava apagado. São Paulo estava apagado também. Depois de outras twittadas, notei, pelas respostas, que tinham desligado quase todo o Brasil. Não estava entendendo nada quando entrou mensagem do The New York Times dizendo do apagão geral no Brasil. E a gente, desavisada, mas não muito – graças ao Twitter e minha mania de dividir minhas sensações -, dançando e se divertindo com músicas que marcaram nossa vida. O que eu tenho a dizer sobre tudo isso? Que twittar virou algo delicioso – e fundamental - na minha vida. Segundo: que o gerador do Credicard Hall é danado – parabéns a Fernando Altério, manda-chuva do pedaço. E que tudo bem ter de administrar a ira de vários de meus seguidores achando que eu estava alienada, biruta. Nada disso, amigos. Apenas fui poupada da pior parte do apagão. Me diverti num show, relaxei, dancei, provavelmente porque era isso que eu merecia naquela hora.

P.S.:
Foram muitos os comentários sobre meu momento de redenção, alforria, liberdade, ousadia e, para alguns, falta de civilidade e educação. Essa questão, pichação, sob o prisma romântico da coisa, mexe comigo. Não no aspecto vandalismo, mas sim no poético. E mais: aos que me perguntaram o que foi que pichei há muito tempo atrás, num muro do Jardim Europa, aqui vai a resposta: “Viver da própria luz”. Frase que mexeu comigo especialmente, tirada de uma canção de Djavan. Freud explica.


10/11

terça-feira

17h26

Terça insana

Hoje quando estava descendo pela Avenida Nove de Julho, não sei porque me veio à cabeça a história da noite em que fui pichar muros no Jardim Europa. Isto é, sei, sim, porque passei em frente a casa que pichei, cujo muro é hoje coberto por uma hera bem fechada. Sempre passo por lá, todos os dias, mas hoje, não sei porque me lembrei do ato. Insano, devo dizer com minha cabeça de hoje. Já imaginou ser pega por um segurança ou guarda de rua? Ou mesmo um guarda civil ou um PM? Socorro! Seria tiro pra tudo que é lado – pelo menos na minha imaginação, perseguida que sou… Mas de qualquer maneira, hoje lembrei direitinho dos preparativos para pichar, da compra do spray – Colorjet preto, claro. Dos treinos. Do texto escolhido – claro, um pichador é quase um poeta. Do simples ato de transgredir, que coisa boa. Durante um farol fechado, na Nove de Julho já no Jardim Europa, toda uma fase de minha vida passou em revista. Foi muito bom, cheguei quase a sentir o gosto na boca. Se eu faria de novo? Hummm… acho que sim. Só preciso ver o que escreveria hoje. Aliás, aceito sugestões.


09/11

segunda-feira

17h47

É o verão

Esse fim de semana entrei num túnel do tempo. Fui com meus dois filhotes para a praia de Santiago, Litoral Norte. Para chegar lá, passei por Boracéia, que acho linda, pela praia Preta, a que mais gosto, pelo Sahy, Cambury, Maresias e companhia. Confesso que Boracéia me deixa quase que emocionada. Enorme, vazia, linda. Quando eu freqüentava a praia Preta, na casa de amigos, chegava até lá não pela estrada de asfalto, que, acho, não existia. E sim pelas próprias praias. Acho, se não me engano, que a gente ia de carro na maré baixa, pela própria praia de Boracéia… Um sonho. Claro que na época não via assim, mas lembro que ficava na casa de Adriana e Zé Kurc. Que a irmã dela, Claudia Proshan, ia junto, Vicente Kutka, nosso amigo querido, artista plástico… era muito, mas muito gostoso. Meio hippie. Meio turma. Meio comunidade. Nesse sábado descemos no meu carro, blindado. Nosso motorista-companheiro Malinha dirigindo, meus dois marmanjos, Nanda e Fábio, dormindo no banco de trás. Claro, sábado cedo, todos dormindo… Quando eu ia pela praia, a noite tinha lua cheia e nenhum carro que eu conhecesse era blindado. Muito menos o meu. Não se trata de nostalgia pura e simples. Apenas uma constatação. Eu era mais jogada, menos encanada. Leve e solta. Ainda sou bem assim, com a diferença que virei uma profissional bem colocada, tenho uma família que adoro e carrego um monte de comida no porta-malas a cada deslocamento de final de semana. A vida era mais simples? Não exatamente. Eu é que era bem mais desencanada. Mas devo dizer que continuo adorando uma praia vazia. Um mar sem muitas ondas, onde eu possa passar um monte de tempo. Picolé do Rochinha. Caipirinha antes do almoço. E dormir na rede, no final da tarde. Tanto naquele tempo quanto hoje, eu era – e sou - feliz. Com o pé na areia e a cabeça, claro, nas nuvens…


06/11

sexta-feira

17h39

Tubo

Passei essa noite meio que em claro. Sim, dormi um pouco, mas acordando, sono picado. Primeiro, na verdade, não conseguia nem dormir. Às duas da manhã ainda estava com os olhos arregalados. O motivo? Uma palestra para a qual fui convidada na Casa do Saber, parte do projeto Grandes Jornalistas. Isso mesmo: Grandes Jornalistas. O primeiro a participar, quinta-feira passada, foi Otavio Frias Filho, da Folha de S. Paulo. A segunda – e única mulher do projeto - fui eu, ontem. Depois virão Ricardo Kotscho, Juca Kfouri e Alberto Dines. Esses feras… e eu. A coisa consistia no seguinte: uma hora de perguntas feita por Mario Vitor Santos, organizador do curso. Dez minutos de intervalo, e, depois, perguntas da plateia. Confesso que adoro falar sobre minha profissão, meu ofício. Também adoro responder, principalmente porque eram perguntas inteligentes, feitas por gente interessada. Aquilo é um exercício. É como ficar malhando numa esteira duas horas e meia sem parar. Só que em vez de exercitar o corpo, nesse caso, é a mente que estava sendo requisitada. Pensei muito, falei outro tanto. Não deixei de responder nada, nem me senti constrangida ou intimidada. Gosto desses desafios, mesmo que me deixem, aqui e ali, meio de saia justa. Sai de lá dez e meia da noite – havia chegado sete e meia - superligada. Fui jantar no Rodeio, delícia, tomei meia caipirinha bem fraca, pra tentar baixar a adrenalina. Mas nada foi capaz de atenuar o efeito de um flashback de toda uma vida, de uma carreira movimentada, cheia de emoções. Histórias do presente, mas. Principalmente. histórias do passado que às vezes ficam lá guardadas e só quando vêm à tona a gente sente a real dimensão do que foi. Um pouco metafísico, talvez? Não. Para mim, muito real. Tanto que não consegui nem dormir - tamanho o efeito do que tudo isso causou em mim.


05/11

quinta-feira

18h38

Noites de verão

Nossa! O calor chega e parece que o ano está correndo mais rápido. Claro: calor quer dizer verão. Verão remete ao mês de dezembro. Socorro! Acabou o ano! Como sou uma pessoa com características de alguém muito ansioso, esta época do ano me deixe animada. Animada, mas muito estressada. Parece que alguma coisa está no ar, que algo de muito bom vai acontecer, que festas vão rolar! De onde será que tirei tudo isso? Basta um calor fora do normal no mês de novembro para eu achar que já é Natal? Agora vocês entendem o que é ansiedade, certo? É isso aí que acabei de descrever. Às vezes dá uma embalada no nosso dia a dia, nos nossos planos. Às vezes nos atropela de uma maneira absurda, deixando a gente sem ar, catatônico, achando que o tempo se esgotou e tudo acabou. Não é fácil, não… Mas eu prefiro aproveitar o lado bom desse estado ansioso de claro mais final de ano: gosto de sair à rua às sete da noite e ainda estar claro. Gosto de ficar na rua até mais tarde, sair mais para jantar, me divertir. Tudo parece que fica mais leve dessa maneira. Sei que apenas parece… mas não deixa de ser mais agradável. A gente até sonha mais. E cá entre nós, isso é fundamental.